A política brasileira se tornou um cenário complexo, que envolve fatores geopolíticos, a constante deterioração da relação entre os poderes e a ausência de líderes fortes.

Por Redação

No cenário político atual, a condenação de Jair Bolsonaro parece cada vez mais provável. No entanto, nos bastidores de Brasília, discute-se um “acerto” que poderia levar a uma possível anistia, um movimento que seria a chave para a tão falada “pacificação” do país. Mas, como revela o texto de bastidores, essa é uma aposta arriscada, cheia de incertezas e com poucas chances de sucesso.

A ideia, que teria o governador de São Paulo como um dos principais articuladores, é oferecer a anistia a Bolsonaro em troca de um alto preço: ele teria que abrir mão de sua posição de “king maker” e indicar um “herdeiro” político fora de seu círculo familiar. Em outras palavras, ele precisaria pavimentar o caminho para uma direita competitiva sem sua liderança. Isso, por si só, já é um grande problema, já que é exatamente o que ele tenta evitar.

A estratégia bolsonarista de buscar apoio externo, como o de Donald Trump, também não ajudou. A interferência de uma potência estrangeira nos assuntos internos do Brasil é vista como inaceitável por muitos setores da centro-direita, o que causa danos eleitorais e enfraquece a própria articulação.

A falta de liderança e o cenário incerto

Para que a anistia seja viável, seria necessário um acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a corte enfrenta uma crise de liderança, e as vozes que antes conduziam os grandes assuntos perderam sua capacidade de coordenação. A atuação de Alexandre de Moraes, que tem agido sem freio de arrumação, é o maior sinal dessa falta de controle.

O Congresso também sofre com a falta de lideranças capazes de conduzir um “grande jogo” político. A maioria dos parlamentares está mais focada em defender seus próprios interesses e ampliar o acesso a ferramentas de poder e emendas. Não há figuras à altura de negociar algo tão complexo como a anistia.

O “acerto” pressupõe uma volta a um “normal” que ninguém sabe definir, nem quando deixou de existir, afirmou em sua coluna no Estadão William Waack. A política brasileira se tornou um cenário complexo, que envolve fatores geopolíticos, a constante deterioração da relação entre os poderes e a ausência de líderes fortes. Navegar por essas águas desconhecidas com “bússolas oscilantes” torna o caminho da “pacificação” ainda mais difícil.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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