
Instituído em 2019 com quatro escolas-piloto, o modelo cívico-militar é implementado em áreas de vulnerabilidade, mapeadas pela Secretaria de Segurança Pública do DF
Por Redação
As escolas de gestão compartilhada, ou cívico-militares, do Distrito Federal estão transformando a realidade de alunos, pais e professores, alcançando índices de aprovação de até 98,3%. Presente em 25 unidades de ensino, o modelo é uma parceria entre as secretarias de Educação e de Segurança Pública, e os dados de satisfação mostram que a iniciativa tem sido um sucesso.
Uma pesquisa realizada em 11 dessas escolas revelou que a menor nota de aprovação foi de 81,38%, e a maior, de impressionantes 98,3%, registrada no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 17 de Taguatinga. Segundo a diretora Andréia Ferreira, a mudança na unidade, que implementou o modelo em fevereiro, é notável. “Os pais colocaram na pesquisa o quão agradável e seguro está o ambiente para os alunos. A gestão compartilhada está mudando a nossa realidade”, afirma.
A nova rotina inclui mais disciplina e regras claras, que, segundo a diretora, ajudam os alunos a se tornarem mais comportados e a pensarem no futuro. A escola também promove discussões sobre prevenção ao uso de drogas e gravidez, o que tem um impacto positivo nas escolhas dos estudantes.

Disciplina e segurança: os pilares do modelo
Instituído em 2019 com quatro escolas-piloto, o modelo cívico-militar é implementado em áreas de vulnerabilidade, mapeadas pela Secretaria de Segurança Pública. De acordo com o subsecretário das Escolas de Gestão Compartilhada, coronel Alexandre Ferro, o projeto tem como objetivo principal “levar uma educação de qualidade para a população e fazer o ambiente escolar mais seguro”.
O coronel Ferro destaca que a presença de militares afasta a criminalidade e torna a escola um espaço seguro, com educação de qualidade, o que faz “total diferença na vida dos jovens”. Os militares dão suporte aos profissionais da educação, acompanhando a rotina escolar, conduzindo momentos cívicos como o hasteamento da bandeira e participando da manutenção da disciplina e de projetos extracurriculares.
Alunos e pais veem a transformação
A mudança é perceptível para quem vive o dia a dia da escola. David Vinicius Durães, 16 anos, precisou sair do CEF 17 por problemas disciplinares, mas retornou este ano e encontrou uma escola “mais organizada, com regras claras”. David, que sonha com uma carreira militar, afirma que a disciplina e o comprometimento incentivados na escola foram fundamentais para sua transformação. “Aprendi com os militares e com a direção que eu tenho um futuro pela frente e não posso deixar os erros do passado me atrapalharem”, diz.
Ana Luíza Batista, 14 anos, que também almeja a carreira militar, é guarda-bandeira e corneteira da escola. Ela acredita que a unidade alcançou um novo patamar de qualidade de ensino, com mais compromisso e rotina. “Em algum momento, todo mundo vai precisar de regras e rotina. Aprendi isso na escola e sei que vou levar para o futuro”, ressalta.
Para Taylaine Melo, 15 anos, que sonha em ser médica, a organização e o foco do modelo cívico-militar ajudaram a aumentar suas notas. “Minhas notas eram bem baixas, mas este ano aumentaram bastante. Aqui era bem desorganizado. Agora tem horário certo para tudo, para entrar, sair… está bem melhor”, conta.
Os pais também sentem os benefícios. Claudia da Silva, 36, mãe de dois estudantes, conta que o comportamento de um de seus filhos, que antes era “terrível”, melhorou consideravelmente. Além disso, ela observa a redução da criminalidade na região. “Meu filho já sofreu agressão psicológica na porta da escola e isso nunca mais aconteceu, agora ele vai e volta tranquilo”, relata.

Expansão e resultados promissores
Das 25 escolas cívico-militares do DF, 17 contam com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar e 8, com a Polícia Militar. Três dessas unidades estão entre as de melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da rede pública do DF: CEF 01 do Núcleo Bandeirante, CEF 19 de Taguatinga e CED 416 de Santa Maria.
O programa, que tem custo médio anual de R$ 200 mil por unidade, prevê a inclusão de 40 instituições até o final de 2026. A atuação dos militares se concentra em atividades extracurriculares de disciplina e cidadania, com projetos como o “Musicalização nas Escolas Cívico-Militares”, que oferece aulas de música no contraturno escolar.
Com um modelo de sucesso e uma aprovação maciça da comunidade escolar, as escolas de gestão compartilhada do Distrito Federal se consolidam como uma alternativa eficaz para melhorar a educação e a segurança em áreas de vulnerabilidade social.
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Da Redação do Agenda Capital







