Com um ano para o pleito, alianças, especulações e possíveis candidaturas redesenham o tabuleiro político da capital federal
Por Delmo Menezes*
A exatamente um ano das eleições de 2026, o tabuleiro político do Distrito Federal começa a ganhar forma — e, simultaneamente, se redesenhar. O que antes parecia um cenário previsível, agora ganha novos contornos com o possível retorno do ex-governador José Roberto Arruda à disputa, após recuperar seus direitos políticos.
Enquanto isso, a vice-governadora Celina Leão (PP) mantém a dianteira nas pesquisas de intenção de voto, consolidando-se como principal nome do grupo governista. No campo da esquerda, o ex-deputado distrital Leandro Grass (PV), que deve ser indicado pelo presidente Lula, desponta como o provável candidato do campo da esquerda no DF.
O jogo está aberto, e as movimentações de bastidores prometem redefinir alianças e estratégias nos próximos meses. Veja análise política abaixo.
Celina Leão: favorita, habilidosa e prestes a assumir o governo
No campo governista, a vice-governadora Celina Leão (PP) surge como nome forte e consolidado. Primeira colocada em todas as pesquisas divulgadas até o momento, Celina vai assumir o governo daqui a seis meses, quando o governador Ibaneis Rocha deixará o cargo para se preparar para uma provável candidatura ao Senado Federal.
Celina aprendeu o ofício da política nos bastidores do grupo rorizista e demonstra habilidade em costurar alianças e manter pontes abertas com diferentes setores. Sua candidatura representa, ao mesmo tempo, continuidade administrativa e possibilidade de renovação, a depender da estratégia que adote e das bandeiras que priorize durante a campanha.
Com perfil pragmático e presença marcante, Celina Leão tem buscado aproximação com lideranças regionais e empresariais, fortalecendo sua rede de apoio. O fato de assumir o comando do GDF em um momento estratégico pode consolidar ainda mais sua imagem de gestora e líder política.
Arruda, o retorno
Para os analistas políticos, o nome de José Roberto Arruda representa um divisor de águas no xadrez eleitoral do DF. Mesmo longe da política institucional por mais de uma década, Arruda manteve uma base fiel de apoiadores, especialmente nas regiões administrativas mais populosas, e conserva um capital político que poucos conseguiram reconstruir após o ostracismo.
Interlocutores próximos afirmam que o ex-governador ainda avalia duas possibilidades: concorrer novamente ao Governo do Distrito Federal (GDF) ou disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Caso opte pela primeira via, há quem diga que ele deve compor chapa com um líder evangélico como vice, sinalizando uma aproximação com esse segmento conservador e cada vez mais influente na política brasiliense.
O retorno de Arruda, portanto, pode provocar uma reorganização de forças, especialmente entre os grupos de direita e centro-direita, que hoje se dividem em torno de diferentes lideranças e partidos.
Leandro Grass e a união da esquerda sob a benção de Lula
No outro extremo do espectro político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve “ungir” Leandro Grass (PT) como candidato da esquerda ao Palácio do Buriti. Grass, que recentemente migrou do PV para o PT, é visto como o nome capaz de unificar as forças progressistas no DF.
De acordo com fontes próximas ao Planalto, a composição de chapa deve incluir Ricardo Capelli (PSB) como vice, um nome com trânsito entre o Judiciário e o Executivo, com apoio do ministro do STF Flávio Dino e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
O desafio de Grass, entretanto, será ampliar seu alcance popular e superar a barreira regional, especialmente nas cidades-satélites, onde o bolsonarismo e o rorizismo ainda mantêm forte presença.
Outros nomes de peso no tabuleiro
Além dos três protagonistas — Celina, Arruda e Grass — o DF ainda pode ver novas peças se movimentando no xadrez político. Nomes como da deputada Paula Belmonte (Cidadania), da senadora Damares Alves, do empresário Paulo Octávio (PSD), do ex-senador Reguffe (sem partido), do senador Izalci Lucas (PL), da senadora Leila Barros (PDT) e do deputado Reginaldo Veras (PV) estão no radar e podem alterar o equilíbrio das forças eleitorais.
Entre eles, Reguffe é visto como um nome com potencial de retomada, desde que evite repetir o erro de 2022, quando demorou a definir o partido e acabou rifado pelas lideranças locais e nacionais. Seu espólio eleitoral, especialmente entre o eleitorado independente e antipolítico, continua expressivo.
Já Paulo Octávio e Damares Alves representam dois polos distintos de influência: o primeiro, pela força empresarial e capacidade de articulação; a segunda, pela identificação com o público evangélico e conservador. Ambos poderiam fragmentar o eleitorado de direita — o que, na prática, favoreceria uma candidatura unificada da esquerda.
A fragmentação da direita e o desafio da unidade
O maior risco para os candidatos de direita e centro-direita é a divisão interna. Com tantos nomes fortes em potencial, o campo conservador pode ver seus votos dispersos, abrindo espaço para uma vitória da esquerda em caso de união em torno de um único candidato.
Analistas lembram que o voto majoritário exige coesão e estratégia, e que, no DF, eleições se ganham nas periferias, onde a capacidade de mobilização e a imagem de proximidade com o povo fazem toda a diferença.
Ibaneis mira o Senado e o futuro do MDB
Enquanto isso, o governador Ibaneis Rocha (MDB) — continua líder nas pesquisas para o Senado — segue avaliando uma possível mudança de partido, com conversas avançadas com o PSD. Nada está definido, mas o movimento pode representar um realinhamento político nacional, especialmente se o MDB migrar para o lulismo em 2026.
Um cenário aberto e em constante mutação
A um ano do pleito, o quadro eleitoral do Distrito Federal está aberto e em transformação. As alianças ainda estão sendo costuradas, as estratégias em definição e os discursos sendo testados.
Como bem dizia Magalhães Pinto, “política é como uma nuvem: você olha está de um jeito, olha de novo e já mudou”. No DF, essa nuvem se move rápido. E até outubro de 2026, “muito água vai rolar por debaixo desta ponte”.
*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.







