Senador e familiares teriam deixado o Brasil em meio a investigações no STF e após ordem para entregar os passaportes. Polícia Federal cancelou os documentos, e destino e trajeto ainda não foram confirmados oficialmente.
Por Delmo Menezes
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa presidencial, estaria a caminho dos Estados Unidos, segundo informações repassadas a aliados. A notícia provocou surpresa entre pessoas próximas ao parlamentar, que ainda não conseguiram confirmar como ele teria deixado o Brasil nem se viajou acompanhado de familiares.
Uma fonte nos Estados Unidos, próxima à administração de Donald Trump e à família Bolsonaro, afirmou estar ciente da partida do senador, mas não confirmou se ele já havia chegado ao país. Também não esclareceu se o trajeto teria passado pela Argentina. Questionado oficialmente, o Departamento de Estado norte-americano não se manifestou.
Em Brasília, uma fonte relatou que uma das filhas de Flávio se despediu de duas colegas no dia anterior e teria dito que estava indo para os Estados Unidos. A informação reforçou os rumores de que o senador e integrantes de sua família estariam deixando o país.
Passaportes cancelados pela Polícia Federal
A possível saída de Flávio ocorre em meio a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes comum e diplomático do senador. Como os documentos não foram apresentados no prazo estabelecido, a Polícia Federal cancelou ambos.
A corporação deverá comunicar formalmente a Moraes o descumprimento da determinação judicial. O episódio ampliou as especulações sobre uma eventual tentativa de deixar o território brasileiro antes de novos desdobramentos das investigações.
Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que o senador tenha embarcado para os Estados Unidos, nem de que a viagem tenha sido realizada por uma rota específica.
Relato aponta passagem pela Argentina
A suposta fuga foi noticiada inicialmente pelo portal argentino Infobae. Segundo a publicação, Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, com destino ao exterior.
A reportagem mencionou um jato executivo Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, atribuído à empresa Baires Fly S.A. A decolagem estaria prevista para as 2h desta terça-feira (27). A aeronave, contudo, permanecia parada em Puerto Iguazú, conforme as informações divulgadas.
Ainda segundo o portal, teriam sido solicitados procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. O relato não comprova, por si só, que Flávio estivesse a bordo ou que a aeronave tenha sido utilizada por ele.
Senador havia negado intenção de deixar o país
A possibilidade de saída contrasta com uma declaração feita pelo próprio Flávio nas redes sociais na segunda-feira (26). Na ocasião, ele afirmou que nunca havia pensado em deixar o Brasil e que entregaria os passaportes para se defender das acusações.
O senador classificou a decisão judicial como uma tentativa de intimidação e declarou que pretendia enfrentar as medidas adotadas contra ele.
Segundo Flávio, a decisão de Moraes, mantida sob sigilo, mencionaria declarações de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que teria sugerido a saída do país caso o senador perdesse a eleição.
A diferença entre o discurso público e as informações atribuídas a aliados alimentou questionamentos sobre os planos do parlamentar. Até a confirmação de seu paradeiro, entretanto, a hipótese de fuga deve ser tratada com cautela.
Dois inquéritos no Supremo
Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos criminais no STF. Um deles envolve suspeitas relacionadas a negociações de recursos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Reportagens apontaram que o senador teria negociado com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. O dinheiro teria sido direcionado a um fundo nos Estados Unidos ligado a Eduardo Bolsonaro.
O caso envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio nega irregularidades e sustenta que o filme é financiado com recursos privados obtidos legalmente.
O segundo inquérito trata da relação do senador com o advogado Willer Tomaz, seu amigo. A apreensão do celular do advogado em uma investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teria revelado movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
Foi nesse procedimento que Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes do parlamentar.
Também vieram a público informações sobre uma possível ligação de Flávio com a empresa de apostas BestBet. Reportagem da revista Piauí apontou que o senador teria sido sócio oculto do negócio, controlado pela Rede Loto. Essa suspeita integra o contexto das revelações sobre suas relações empresariais, mas não deve ser confundida com uma condenação judicial.
Um novo capítulo de tensão política
A notícia de que Flávio estaria a caminho dos Estados Unidos acrescenta um novo elemento à crise política e jurídica envolvendo a família Bolsonaro. A eventual saída do país, caso confirmada, poderá ampliar a pressão por esclarecimentos sobre o cumprimento das decisões judiciais e o andamento das investigações.
Por enquanto, permanecem sem confirmação oficial o paradeiro do senador, a participação de familiares na suposta viagem e o meio de transporte utilizado. A confirmação desses pontos será decisiva para esclarecer se houve efetivamente uma saída do Brasil e em quais circunstâncias ela ocorreu.
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Da Redação do Agenda Capital







