Megaoperação deixa 64 mortos no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro. Esta é a operação mais letal no estado.
Por Redação
A megaoperação policial de grandes proporções realizada no Rio de Janeiro nesta terça-feira (28 de outubro) resultou em mais de 64 mortos e 81 presos, tornando-se a mais letal da história do estado e gerando uma crise política entre o governo estadual e o Ministério da Justiça, que nega ter sido acionado para apoiar a ação.
A megaoperação, que mobilizou 2.500 agentes, foi direcionada contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da cidade. O governo de Cláudio Castro (PL) afirmou que o objetivo era cumprir 100 mandados de prisão e conter a expansão territorial da facção.

O saldo da operação e a crise institucional
O confronto resultou em um alto número de baixas e em uma troca de acusações públicas entre o governador do Rio Cláudio Castro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
A tabela abaixo resume o balanço oficial divulgado pelas autoridades estaduais:
| Item | Balanço |
|---|---|
| Mortos no total | 64 pessoas |
| Policiais mortos | 4 (2 da Polícia Civil e 2 do BOPE) |
| Suspeitos mortos | 60 |
| Pessoas presas | 81 |
| Armas apreendidas | 93 fuzis e 2 pistolas |
Em coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro afirmou que o estado estava “sozinho” na operação, criticando a falta de apoio do governo federal. Castro disse que pedidos anteriores para o emprego de blindados e agentes federais haviam sido negados, e que a política do presidente Lula é contra a Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
Horas depois, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, rebateu as declarações. Em entrevista no Ceará, ele foi enfático: “Não recebi nenhum pedido do governador do Rio de Janeiro para esta operação. Nem ontem, nem hoje, absolutamente nada”. Lewandowski também classificou a operação como “bastante cruenta” e lamentou a morte de agentes e de “pessoas comuns, inocentes”.
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública listou sua cooperação com o estado, incluindo a atuação da Força Nacional de Segurança Pública no RJ desde outubro de 2023 e a aprovação de 11 solicitações de renovação dessa força.
A repercussão internacional e os impactos na cidade
A dimensão e a violência da operação ganharam destaque na imprensa internacional, com veículos descrevendo o Rio em um cenário de “guerra”.
- Cenário de Guerra: Jornais como The Guardian (Reino Unido) e Clarín (Argentina) utilizaram o termo “guerra” para descrever as cenas de intensos tiroteios, colunas de fumaça e veículos incendiados nas favelas.
- Táticas Criminosas: O jornal português Público destacou o uso de drones por parte dos criminosos para lançar granadas contra as forças de segurança. A Reuters associou a operação aos eventos internacionais que a cidade sediará em breve, como reuniões pré-COP30.
Os reflexos foram sentidos por toda a população. Criminosos orquestraram represálias em várias partes da cidade, fechando vias importantes como a Avenida Brasil e a Linha Amarela com barricadas e veículos queimados. Como consequência:
- Mais de 100 linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados.
- Pelo menos 48 escolas municipais suspenderam as aulas.
- Universidades como UFRJ, UERJ e UFF cancelaram as atividades.
- Unidades de saúde suspenderam o atendimento.
Além disso, a reportagem apurou que o Comando Vermelho emitiu um toque de recolher em comunidades dos complexos do Alemão e da Penha, ordenando o fechamento do comércio.
Contexto e críticas
A operação desta terça-feira integra a “Operação Contenção”, uma iniciativa permanente do governo estadual para combater a expansão do Comando Vermelho. A investigação que deu origem aos mandados se estende por mais de um ano.
O número recorde de mortos fez a operação superar a do Jacarezinho em 2021, que teve 28 óbitos, e se tornar a mais letal da história do Rio, de acordo com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF).
O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) enviaram um ofício ao governador Castro questionando a “alta letalidade” da ação e pedindo explicações sobre o cumprimento de medidas para reduzir letalidade, como o uso de câmeras corporais e a presença de ambulâncias. Em resposta, o governador chamou de “maldita” a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635 do STF, que limpa ações policiais em comunidades.
Enquanto as operações policiais continuam nos complexos, o estado do Rio de Janeiro se vê no centro de um dos seus mais violentos e politicamente conturbados episódios recentes.
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Da Redação do Agenda Capital





