A resistência da bancada evangélica, porém, está longe de ser o único entrave. No centro do impasse está o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por conduzir a sabatina na CCJ e peça decisiva na engrenagem política da Casa.
Por Redação
A indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União (AGU), para ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) transformou-se em um dos maiores desafios políticos do governo Lula no Senado. A menos de uma semana da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para 10 de dezembro, o governo enfrenta um cenário de forte resistência — especialmente dentro da influente bancada evangélica.
Nos últimos dias, Messias tentou abrir um canal de diálogo com o grupo na tentativa de reduzir tensões e contornar resistências. Para isso, procurou o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, solicitando uma reunião com os parlamentares. A iniciativa, porém, teve efeito contrário ao esperado.
Segundo Viana, após contatar os 17 senadores que integram a bancada evangélica, a resposta foi clara: a maioria não deseja receber o indicado de Lula. A recusa escancarou um descontentamento silencioso que vinha crescendo nas últimas semanas e colocou ainda mais pressão sobre o governo, que já enfrentava dificuldades para consolidar os votos necessários no plenário.
Alcolumbre no centro da crise
A resistência da bancada evangélica não é o único obstáculo. O impasse envolve diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por conduzir a sabatina na CCJ e figura-chave na articulação política da Casa.
Alcolumbre demonstrou forte irritação com o Planalto por não ter sido consultado previamente sobre o nome de Messias. No domingo, publicou uma nota pública criticando “pressões externas” sobre o processo — gesto interpretado no Congresso como um recado direto ao governo.
A reação azedou ainda mais o clima. Aliados de Alcolumbre afirmam que Messias não reúne hoje os votos necessários para ser aprovado, e que uma derrota — algo sem precedentes desde a redemocratização — já não pode ser descartada.
Desconfiança e falta de diálogo
Dentro da bancada evangélica, o incômodo vai além da articulação política. Senadores do grupo afirmam ter reservas sobre posições recentes da AGU em pautas de costumes, além de criticarem a ausência de conversas prévias sobre o tema.
A recusa em receber Messias foi lida no Planalto como um alerta máximo. Para auxiliares de Lula, o gesto revela que a crise é “mais profunda do que se imaginava” e que será preciso uma operação política intensa para evitar um revés histórico.
Planalto tenta reconstruir pontes
Diante do cenário adverso, emissários do governo têm intensificado reuniões com diferentes grupos no Senado. A prioridade agora é reabrir canais com Alcolumbre, considerado o elemento decisivo para destravar ou enterrar a indicação.
Mesmo assim, movimentos simples — como o pedido de Messias para dialogar com os evangélicos — continuam encontrando barreiras. Nos bastidores, lideranças governistas admitem que a estratégia de comunicação inicial falhou e que a disputa em torno do nome se tornou um teste de força entre o Planalto e o grupo comandado por Alcolumbre.
Risco de derrota cresce
Com a sabatina marcada para o dia 10, o tempo joga contra o governo. A equipe de Messias segue empenhada em conversas individuais com senadores, oferecendo garantias sobre sua futura atuação no STF e tentando reduzir ruídos. No entanto, a avaliação predominante é que a indicação perdeu tração e enfrenta seu momento mais delicado.
A menos de uma semana da votação, o cenário é de incerteza. A resistência da bancada evangélica, somada ao descontentamento de Alcolumbre, elevou significativamente o risco de derrota — possibilidade que o governo, até poucos dias atrás, considerava improvável.
Se a crise não for desarmada rapidamente, a indicação de Messias pode se transformar no maior revés institucional do terceiro mandato de Lula.
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Da Redação do Agenda Capital





