
Segundo o laudo da junta médica da Polícia Federal, Bolsonaro apresenta um quadro resistente aos tratamentos convencionais, com piora no sono e na alimentação
Por Delmo Menezes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja internado para realizar uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral. O procedimento foi indicado por peritos da Polícia Federal, que avaliaram a necessidade e urgência da intervenção, diante do agravamento do quadro clínico do ex-presidente.
A solicitação havia sido apresentada pela defesa de Bolsonaro, que pediu sua transferência ao hospital DF Star, em Brasília. A decisão de Moraes permite a internação hospitalar para a realização da cirurgia e de procedimentos complementares. Entre eles, está o bloqueio do nervo frênico, avaliado como “tecnicamente pertinente” pelos peritos, diante do quadro de soluços persistentes que o ex-presidente relata desde 2018.
Apesar da autorização para a cirurgia, Moraes negou o pedido da defesa para que Bolsonaro cumpra prisão domiciliar após a intervenção médica. O ex-presidente continuará sob custódia na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está preso em razão da condenação relacionada à trama golpista investigada pela Justiça. A defesa deverá comunicar ao STF a data em que a cirurgia será realizada.
Perícia médica aponta urgência
Segundo o laudo da junta médica da Polícia Federal, Bolsonaro apresenta um quadro resistente aos tratamentos convencionais, com piora no sono e na alimentação, além de riscos de complicações decorrentes da hérnia, relacionados ao aumento da pressão intra-abdominal. Diante desse cenário, os especialistas recomendaram que a cirurgia ocorra o mais breve possível.
Os peritos também analisaram o histórico de soluços relatados por Bolsonaro desde setembro de 2018, após a primeira operação decorrente do ataque à faca durante a campanha presidencial daquele ano. Embora o sintoma tenha diminuído ao longo do tempo, voltou a se intensificar após cada intervenção cirúrgica — ao todo, foram sete.
O laudo aponta que os soluços se tornaram frequentes e persistentes após o último procedimento, afetando diretamente o bem-estar e a capacidade de descanso do ex-presidente. De acordo com o documento, Bolsonaro afirmou que, nos últimos sete meses, chegou a passar até dois dias sem apresentar o sintoma, mas que o problema sempre retornava com intensidade, prejudicando sua rotina.
Próximos passos
Com a autorização de Moraes, caberá agora à equipe jurídica do ex-presidente confirmar a data e as condições logísticas necessárias para a internação e realização do procedimento cirúrgico. A decisão também reforça que, cumpridas as etapas médicas, Bolsonaro permanecerá preso na PF, sem direito à internação domiciliar.
A expectativa é de que o relatório pós-operatório seja encaminhado ao STF, permitindo novas avaliações sobre o quadro de saúde de Bolsonaro, caso necessário.
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Da Redação do Agenda Capital




