Macron alerta para risco de submissão e cobra Europa mais forte diante da Rússia e dos EUA
Por Elza Neves
O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um dos mais contundentes alertas recentes sobre o futuro geopolítico da Europa ao afirmar que o continente precisa “acordar” e assumir, de forma urgente, uma posição mais autônoma diante das ameaças externas, especialmente da Rússia, e das mudanças profundas na política externa dos Estados Unidos, intensificadas durante o governo do ex-presidente Donald Trump.
Em entrevista concedida a um grupo de importantes veículos europeus — entre eles El País, Süddeutsche Zeitung, Financial Times e Le Monde — Macron afirmou que a estratégia europeia de se curvar a grandes potências, como EUA e China, já se mostrou ineficaz. Para o líder francês, a Europa enfrenta um cenário de “instabilidade permanente” e só conseguirá atravessá-lo fortalecendo sua integração política, econômica e militar.
“É hora de a Europa acordar. Se não decidirmos por nós mesmos, seremos varridos”, declarou Macron, em tom de advertência. Segundo ele, o continente vive uma “profunda ruptura geopolítica”, marcada por um choque simultâneo nas áreas de comércio, defesa e segurança, à medida que as relações com Washington e Pequim passam por transformações aceleradas.
Autonomia estratégica e fim das dependências
Macron defendeu que a melhor resposta europeia passa pela redução de riscos e pela diminuição das dependências externas, especialmente em setores estratégicos. “Precisamos tomar decisões por nós mesmos, em vez de esperar pela próxima crise”, afirmou.
O presidente francês foi ainda mais incisivo ao alertar que a passividade pode custar caro ao bloco. “Se optarmos por ser espectadores, seremos vassalos”, disse, ao citar o que chamou de “momento da Groenlândia”. A referência diz respeito ao interesse manifestado pelos Estados Unidos sobre o território — que pertence à Dinamarca, membro da OTAN —, episódio que, segundo Macron, deveria servir de sinal de alerta para os líderes europeus.
Para ele, embora os países europeus “se mantenham firmes”, o ritmo de reação é lento demais diante da velocidade das mudanças globais. Macron defendeu que a Europa assuma de vez o papel de superpotência global, com mais liderança política comum e maior capacidade de decisão coletiva.
Defesa, Ucrânia e diálogo com Moscou
No campo da segurança, Macron destacou a chamada Coligação dos Dispostos pela Ucrânia, liderada por França e Reino Unido, como exemplo de iniciativa bem-sucedida. Segundo ele, a aliança permitiu à Europa construir uma frente internacional sólida para defender seus interesses estratégicos, especialmente no apoio à Ucrânia diante da agressão russa.
Ainda assim, em declarações que devem gerar debate no continente, Macron voltou a defender a reabertura de canais diplomáticos com Moscou. Para o presidente francês, a Europa não pode “delegar essa discussão” a terceiros, incluindo os Estados Unidos.
Ele afirmou que o diálogo com a Rússia deve ocorrer “sem ingenuidade, sem pressionar os ucranianos”, mas também sem dependência de outros atores globais. “Temos interesses europeus a defender e não vou delegá-los a ninguém, nem mesmo aos EUA”, enfatizou.
Tensões com os EUA no horizonte
Macron também alertou para o risco real de novas tensões com Washington, especialmente em temas como a regulamentação europeia das plataformas digitais e disputas políticas envolvendo a Groenlândia. Segundo ele, essas questões podem reacender conflitos diplomáticos e comerciais entre Europa e Estados Unidos, reforçando a necessidade de uma postura mais firme e coordenada do bloco europeu.
As declarações do presidente francês evidenciam a crescente preocupação de líderes europeus com o reposicionamento do continente em um mundo cada vez mais marcado por disputas de poder, instabilidade e mudanças rápidas na ordem internacional.
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Da Redação do Agenda Capital e Agências Internacionais





