O cantor Netinho foi diagnosticado com câncer no sistema linfático Foto: Reprodução

Cantor baiano, morreu na manhã desta terça-feira (13) em Salvador. Netinho teve carreira marcada por sucessos, controvérsias e graves problemas de saúde

Por Redação

O cantor Netinho, um dos maiores ícones da geração que popularizou a axé music no Brasil, morreu nesta terça-feira, 13, aos 60 anos, em Salvador, na Bahia, onde estava internado. O artista lutava contra um linfoma não Hodgkin, câncer que afeta o sistema linfático. A informação foi confirmada por sua equipe por meio das redes sociais.

“É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje. Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos”, informou o comunicado oficial.

A nota destacou ainda a tranquilidade do artista em seus últimos momentos, ressaltando uma frase que ele costumava repetir durante o tratamento: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.”

Por desejo prévio e expresso do próprio cantor, as cerimônias de velório e cremação ocorrerão de maneira reservada, restritas apenas a familiares e amigos próximos.

Do axé ao sucesso nacional com ‘Milla’

Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966. Iniciou sua trajetória artística nos bares de Salvador tocando MPB e bossa nova enquanto cursava Engenharia Civil, mas redirecionou sua carreira ao se encantar pelos trios elétricos do carnaval baiano.

Em 1988, assumiu o vocal da Banda Beijo, grupo marcante na expansão da axé music pelo País. Com o grupo, emplacou hits como Beijo na Boca e lançou álbuns marcantes como Sem Repressão (1989), Badameiro (1991) e Aconteceu Axé Music (1992) — que trouxe o sucesso A Vida É Festa, presente na trilha da novela Mulheres de Areia. Na mesma época, marcou época ao levar um trio elétrico para Turim, na Itália, durante a Copa do Mundo de 1990, e para a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Iniciou carreira solo em 1993 com o disco Um Beijo pra Você. O auge da popularidade veio em 1996, com o álbum Netinho ao Vivo!, gravado em Aracaju. O trabalho ultrapassou 3 milhões de cópias vendidas (recebendo Disco de Diamante) impulsionado pelo megahit Milla, canção que se tornou símbolo do gênero e ganhou regravações internacionais.

Após anos de intensa agenda de shows, Netinho pausou as apresentações em 2003 para se dedicar à criação da filha, Bruna, retornando posteriormente com novos projetos como Minha Praia (2008) e Uma Noite no Forró Elétrico (2012).

Vida pessoal, polêmicas e posições políticas

A trajetória do artista também foi marcada por declarações marcantes na imprensa e temas controversos:

  • Orientação sexual: Em 2008, revelou à revista Quem ser bissexual e ter vivido um relacionamento de três anos com um homem. Anos depois, em entrevista ao Fantástico, criticou rótulos e afirmou que seus afetos se direcionavam tanto a homens quanto a mulheres.
  • Saúde e uso de anabolizantes: Relatou publicamente o uso de anabolizantes prescritos por médicos no passado, tema que voltou à tona durante seus episódios de internação.
  • Críticas ao meio musical: Acumulou atritos com o meio artístico ao criticar publicamente os rumos da música baiana, fato que o levou a se afastar do Carnaval de Salvador em 2012.
  • Atuação política: Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, filiou-se ao PL e candidatou-se a deputado federal pela Bahia em 2022, obtendo 31.448 votos. O envolvimento político gerou episódios marcantes, como o conflito com Manno Góes (compositor de Milla) por cantar a música em um ato na Avenida Paulista e o cancelamento de um show em Aracaju após manifestações sobre os atos de 8 de janeiro de 2023.

Histórico de saúde e a luta contra o câncer

A vida de Netinho passou por uma grande reviravolta em 2013, quando deu entrada em um hospital em Salvador com problemas vasculares no abdômen e foi transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Durante a internação de cerca de três meses, sofreu complicações graves, passou por cirurgias e enfrentou episódios neurológicos. Tempos depois, revelou ter sofrido três AVCs e passado por cirurgias no cérebro, precisando fazer reabilitação para recuperar a voz e os movimentos.

Em março de 2025, o cantor foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin do tipo B após sentir dores intensas nas pernas e nas costas. Deu início ao tratamento quimioterápico no Hospital Aliança Star, em Salvador.

Chegou a anunciar a remissão da doença após as primeiras etapas de quimioterapia, mas exames realizados no início de 2026 apontaram a recidiva do câncer. Em maio de 2026, retomou o tratamento com sessões de quimioterapia em preparação para um transplante autólogo de medula óssea.

No final de setembro de 2026, com o agravamento do quadro de saúde e nova internação, Netinho decidiu se afastar das redes sociais para focar na recuperação, vindo a falecer em decorrência de complicações da doença e disfunção múltipla de órgãos.

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Da Redação do Agenda Capital

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