O medicamento Wegovy de 7,2 mg é destinado a pacientes com obesidade; por enquanto não há previsão de aprovação no Brasil, onde a dose mais alta disponível é de 2,4 mg. Reprodução.

Agência Europeia aprova dose tripla do Wegovy e abre nova frente no combate à obesidade

Por Redação

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou nesta terça-feira (17) uma nova dosagem do Wegovy, medicamento à base de semaglutida indicado para o tratamento da obesidade. A novidade é a liberação da dose semanal de 7,2 mg, três vezes superior à maior concentração disponível até então, de 2,4 mg, capaz de promover perda média de até 21% do peso corporal.

A autorização foi concedida pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e representa um avanço significativo no tratamento medicamentoso da obesidade na Europa. No Brasil, ainda não há previsão para aprovação da nova dosagem, que segue em análise pela Anvisa, assim como pela Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos.

Resultados semelhantes aos medicamentos mais potentes

Os estudos clínicos conduzidos pela Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, mostraram que pacientes que utilizaram a dose de 7,2 mg conforme as orientações tiveram uma redução média de 21% do peso corporal. Cerca de um em cada três voluntários perdeu 25% ou mais do peso, resultado considerado expressivo por especialistas.

Segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a perda de peso observada é semelhante à alcançada com o Mounjaro, que utiliza a tirzepatida como princípio ativo. “Os estudos não são comparativos, então fazemos uma inferência indireta, mas os resultados são excelentes”, pondera.

Atualmente, a maior dose disponível no mercado brasileiro para a semaglutida é a de 2,4 mg, tanto no Wegovy quanto no Ozempic, este último indicado para diabetes tipo 2.

Para quem a nova dose é indicada

A dosagem de 7,2 mg é destinada exclusivamente a adultos com obesidade, definidos por índice de massa corporal (IMC) acima de 30 kg/m². Na União Europeia, os médicos poderão prescrever três injeções de 2,4 mg aplicadas simultaneamente para atingir a nova dose, até que seja aprovada uma caneta de aplicação única com 7,2 mg — o que pode ocorrer ainda este ano.

De acordo com a farmacêutica, pacientes devem utilizar a dose de 2,4 mg por pelo menos quatro semanas antes de migrar para a dosagem mais alta.

Para o endocrinologista Clayton Macedo, do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo, a nova dose deve ser reservada a casos específicos. “É uma estratégia para intensificar o tratamento em pacientes que tiveram resposta parcial com 2,4 mg ou que apresentam obesidade grave, com IMC acima de 40”, explica.

Macedo, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, faz um alerta: “Nunca deve ser utilizado em pacientes com IMC normal ou com objetivo estético. É uma ferramenta poderosa, mas exige indicação precisa e acompanhamento médico”.

Segurança e efeitos colaterais

Um dos pontos positivos destacados nos estudos foi a preservação da massa muscular. Do total de peso perdido, 84% correspondeu à massa gorda, percentual considerado favorável do ponto de vista metabólico e funcional.

Os efeitos colaterais mais comuns — náusea, vômito, diarreia, constipação e perda de apetite — foram apenas ligeiramente mais frequentes do que com a dose de 2,4 mg. “Cerca de 10% a mais de eventos adversos, mas nada que inviabilize o uso”, avalia Macedo.

Couri ressalta, no entanto, que os estudos não foram de longa duração, o que impede conclusões definitivas sobre riscos raros, como pancreatite ou outros efeitos ainda desconhecidos.

Tratamento crônico e acompanhamento contínuo

Os especialistas reforçam que a obesidade é uma doença crônica, que exige acompanhamento contínuo. “Se o paciente atinge um platô de 21% de perda com a dose de 7,2 mg e reduz a medicação sem orientação, o reganho de peso é esperado”, explica Couri. “Qualquer mudança deve ser feita exclusivamente com supervisão médica”.

Com a aprovação europeia, o Wegovy 7,2 mg passa a representar uma das opções mais potentes já disponíveis contra a obesidade. No Brasil, porém, pacientes e médicos ainda aguardam uma decisão regulatória — sem prazo definido — para que a nova estratégia terapêutica possa ser incorporada ao tratamento.

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Da Redação do Agenda Capital

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