A data reforça a necessidade de identificar os sintomas precocemente para garantir que os pacientes recebam o suporte necessário.

Por Redação

Celebrado em 11 de abril, o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson chama a atenção para uma condição neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Instituída pela Organização Mundial da Saúde em 1998, a data tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a doença, combater o estigma e incentivar o diagnóstico precoce, fundamental para garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.

A escolha do dia remete ao nascimento do médico britânico James Parkinson, responsável pela primeira descrição da doença ainda no século XIX.

No Distrito Federal, pacientes contam com atendimento especializado no Hospital de Base do Distrito Federal, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal. Atualmente, cerca de 30 pacientes são acompanhados semanalmente pela equipe de neurologia da unidade.

Doença progressiva e sem cura

O Parkinson é uma doença neurodegenerativa crônica e progressiva que compromete os movimentos do corpo, sendo causada pela degeneração de neurônios. Apesar de não ter cura, existem tratamentos eficazes que ajudam a controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Entre os principais sintomas motores estão:

  • Tremores em repouso
  • Lentidão de movimentos (bradicinesia)
  • Rigidez muscular
  • Instabilidade postural

No entanto, sinais não motores também podem surgir anos antes, como perda de olfato, distúrbios do sono, depressão e problemas intestinais.

De acordo com a OMS, mais de 8,5 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo. No Brasil, são cerca de 200 mil casos, sendo que aproximadamente 20% atingem pessoas com menos de 50 anos.

Diagnóstico ainda é tardio

Segundo o chefe da neurologia do HBDF, André Ferreira, muitos sintomas iniciais passam despercebidos. “Constipação crônica, depressão, perda do olfato e distúrbios do sono podem surgir antes das alterações motoras. Esses sinais já podem indicar o início da doença”, explica.

Apesar disso, o diagnóstico geralmente ocorre apenas quando os sintomas motores se tornam mais evidentes. Muitas vezes, são os familiares que percebem mudanças no comportamento, como dificuldade para realizar tarefas simples, lentidão ao caminhar e postura encurvada.

Vivendo com Parkinson

O aposentado Edson Roberto Campos, de 58 anos, percebeu os primeiros sinais ao notar tremores nas mãos e dificuldade para segurar o celular. Após procurar atendimento médico, recebeu o diagnóstico já na primeira consulta.

Hoje, acompanhado no Hospital de Base, ele relata melhora no controle da doença. “É uma doença que vai aprisionando o seu corpo. Você sente dificuldade para se movimentar, tudo fica lento. Afeta também a autoestima, porque as pessoas olham quando você começa a tremer. Você se sente preso dentro do próprio corpo”, conta.

Tratamento e qualidade de vida

O tratamento do Parkinson é focado no controle dos sintomas e inclui:

  • Uso de medicamentos
  • Fisioterapia
  • Atividades físicas
  • Fonoaudiologia
  • Em alguns casos, cirurgia como a estimulação cerebral profunda

O acompanhamento multidisciplinar é essencial para preservar a autonomia do paciente. “Quanto mais cedo se inicia o tratamento, melhor a qualidade de vida”, reforça o neurologista.

Acesso pelo SUS

O tratamento da doença está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de suspeita, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Se necessário, o paciente é encaminhado para atendimento especializado por meio da regulação da Secretaria de Saúde do DF.

A data reforça a importância da informação e do cuidado contínuo, destacando que, embora o Parkinson não tenha cura, é possível conviver com a doença de forma mais digna e ativa com o acompanhamento adequado.

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Da Redação do Agenda Capital

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