No longo prazo, segundo especialistas, resultado pode ser desastroso especialmente para quem busca postos mais altos no mercado de trabalho.

Especialistas afirmam que a queda no hábito da leitura pode comprometer habilidades essenciais para o mercado de trabalho, como pensamento crítico, criatividade e capacidade de liderança.

Por Redação

A leitura de livros, hábito frequentemente apontado por grandes empresários e líderes mundiais como um dos pilares de seu desenvolvimento pessoal e profissional, está perdendo espaço entre os jovens da Geração Z. Especialistas alertam que essa tendência pode trazer consequências importantes para a formação de futuros profissionais e líderes.

Personalidades como Bill Gates, Barack Obama e Oprah Winfrey costumam destacar a leitura como parte indispensável de suas rotinas. Um levantamento realizado pelo JPMorgan em 2025 com mais de 100 bilionários revelou que a leitura é considerada o hábito mais comum entre pessoas altamente bem-sucedidas.

Apesar disso, o interesse pelos livros vem diminuindo. Nos Estados Unidos, dois em cada cinco adultos afirmaram não ter lido nenhum livro ao longo de 2025, enquanto o hábito da leitura diária por lazer caiu cerca de 40% nas últimas duas décadas.

Entre os principais fatores para esse cenário estão o crescimento das redes sociais, o consumo acelerado de conteúdos curtos e, mais recentemente, o uso intensivo da inteligência artificial, que tem levado muitos estudantes e profissionais a substituírem leituras completas por resumos gerados automaticamente.

Leitura desenvolve competências valorizadas no mercado

Para especialistas em educação e gestão, a leitura de livros continua sendo uma das formas mais eficazes de desenvolver competências cada vez mais exigidas pelas empresas.

Segundo Brooke Vuckovic, professora da Kellogg School of Management, da Universidade Northwestern, obras de ficção, biografias e livros de história estimulam a concentração, o pensamento analítico, a interpretação de situações complexas e a capacidade de lidar com diferentes perspectivas.

Essas habilidades, afirma a pesquisadora, são fundamentais para quem pretende ocupar posições de liderança.

Além do conhecimento adquirido, a leitura favorece o desenvolvimento da comunicação, da empatia e da capacidade de tomar decisões diante de cenários ambíguos — características difíceis de serem substituídas por conteúdos rápidos consumidos nas redes sociais.

Curiosidade intelectual virou diferencial competitivo

Outro ponto destacado pelos especialistas é o fortalecimento da curiosidade intelectual.

Alison Taylor, professora da Stern School of Business, da Universidade de Nova York (NYU), avalia que pessoas com ampla formação cultural tendem a desenvolver maior credibilidade e capacidade de interpretar mudanças econômicas, sociais e geopolíticas.

Para ela, em um ambiente dominado por algoritmos e inteligência artificial, pensar de forma crítica e independente tornou-se um diferencial competitivo.

Essa percepção também é compartilhada por executivos de grandes empresas.

O ex-CEO da Indeed, Chris Hyams, afirma que curiosidade e disposição para aprender são características mais importantes do que diplomas na avaliação de candidatos.

Já Danny Meyer, fundador da rede Shake Shack, destaca habilidades como empatia, autoconsciência e curiosidade intelectual entre os principais atributos buscados em novos profissionais.

Na mesma linha, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, defende que líderes precisam buscar constantemente novos conhecimentos e questionar suas próprias certezas para continuar evoluindo.

Pesquisas reforçam importância da leitura

Estudos acadêmicos também apontam benefícios concretos da leitura para a inovação.

Uma pesquisa publicada no American Journal of Sociology, realizada com gestores da empresa de defesa Raytheon, concluiu que os profissionais que possuíam maior repertório cultural e conexões fora de seus círculos imediatos eram responsáveis pelas ideias consideradas mais inovadoras.

Segundo os pesquisadores, o contato frequente com diferentes áreas do conhecimento amplia a criatividade e favorece a resolução de problemas complexos.

Geração Z lidera queda no número de leitores

Mesmo com o crescimento de comunidades digitais dedicadas aos livros, como o BookTok, no TikTok, a Geração Z continua sendo a que menos lê.

Levantamento da YouGov mostra que americanos entre 18 e 29 anos leram, em média, apenas 5,8 livros ao longo de 2025, o menor índice entre todas as faixas etárias pesquisadas.

Especialistas também demonstram preocupação com o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial para resumir livros e textos acadêmicos, reduzindo o contato direto dos estudantes com o conteúdo original.

Embora esses recursos tragam praticidade, educadores alertam que eles não substituem o processo cognitivo proporcionado pela leitura completa, considerado essencial para desenvolver raciocínio crítico, interpretação de informações e capacidade argumentativa.

Leitura continua sendo investimento de longo prazo

Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e impulsionado pela tecnologia, especialistas defendem que cultivar o hábito da leitura permanece sendo um dos investimentos mais acessíveis para o crescimento profissional.

Além de ampliar conhecimentos, a prática fortalece competências humanas que dificilmente podem ser reproduzidas por algoritmos, como criatividade, empatia, visão estratégica e pensamento crítico.

Para os pesquisadores, justamente essas habilidades deverão diferenciar os profissionais mais preparados para assumir posições de liderança nos próximos anos.

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Da Redação do Agenda Capital e Estadão

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