Flávio recebe oração do bispo José Wellington, líder da Assembleia de Deus. Reprodução.

Estratégia mira lideranças religiosas, amplia agenda com igrejas e tenta fortalecer imagem do senador junto a um dos principais segmentos do eleitorado

Por Redação

A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) iniciou uma articulação para ampliar sua aproximação com o eleitorado evangélico e procura um nome com trânsito nacional entre pastores e lideranças religiosas para coordenar essa frente. A estratégia pretende fortalecer a imagem do candidato junto às igrejas, ampliar o apoio entre os fiéis e reduzir resistências ao seu nome na disputa pelo Palácio do Planalto.

A avaliação dentro da campanha é de que o segmento evangélico terá papel decisivo nas eleições de 2026. Flávio já apresenta desempenho competitivo entre os eleitores desse grupo, mas seus aliados trabalham para transformar a vantagem nas pesquisas em uma rede mais ampla de apoio político e religioso.

A coordenação da campanha passou a intensificar a procura por lideranças religiosas, parlamentares ligados à bancada evangélica e representantes de diferentes denominações. A ideia é estabelecer uma estrutura nacional capaz de organizar encontros, aproximar o candidato dos pastores e ajudar a definir uma comunicação que dialogue diretamente com os valores e as preocupações desse eleitorado.

Busca por um nome de alcance nacional

Um dos desafios da campanha é encontrar um coordenador que tenha capacidade de interlocução com diferentes correntes do segmento evangélico. A função deverá envolver a construção de pontes com igrejas, pastores e lideranças regionais, além da organização de uma agenda nacional para Flávio.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara e pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é um dos nomes envolvidos nas articulações. Parlamentares ligados ao segmento também vêm sendo procurados para ampliar os canais de diálogo com as igrejas.

A campanha avalia encontros de Flávio com pastores e lideranças religiosas no Rio de Janeiro, no Distrito Federal e em outros estados. Entre as denominações que estão no radar estão o Ministério de Madureira e a Igreja Universal do Reino de Deus.

O senador também começou a cumprir compromissos com esse público. No último fim de semana, participou de um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, ao lado do ex-deputado Eduardo Cunha. A aproximação com o líder da denominação, Valdemiro Santiago, faz parte da estratégia de ampliar o diálogo com diferentes setores do segmento.

Michelle foi peça importante no governo Bolsonaro

Durante o governo de Jair Bolsonaro, um dos principais canais de diálogo do núcleo presidencial com o eleitorado evangélico era exercido pela então primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Com forte presença em eventos religiosos e trânsito entre lideranças de diferentes denominações, Michelle ajudou a aproximar o governo de igrejas e pastores e teve participação relevante na comunicação com esse segmento.

O cenário para 2026, entretanto, é diferente. Michelle é candidata ao Senado pelo Distrito Federal e, além de possuir projeto político próprio, dificilmente deverá assumir papel de destaque na campanha presidencial de Flávio.

A relação entre os dois também é marcada por divergências familiares e políticas, o que torna pouco provável que Michelle exerça na campanha do enteado o mesmo papel que desempenhou durante o governo Jair Bolsonaro. A ausência dela aumenta a necessidade de a campanha encontrar uma nova liderança capaz de fazer essa interlocução em âmbito nacional.

Discurso busca maior identificação religiosa

Além da agenda de encontros, a campanha trabalha para ajustar a comunicação de Flávio com o público evangélico. A orientação é ampliar referências à fé cristã em discursos, vídeos e eventos, procurando estabelecer uma identificação mais direta com os fiéis.

Durante um encontro com mulheres em Itapetininga, no interior de São Paulo, Flávio afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende fazer uma oração antes do discurso de posse e entregar a nação brasileira “às mãos do Senhor Jesus”.

Em outro momento, declarou que sua candidatura teria também o objetivo de “resgatar almas” e afirmou que o Brasil estaria enfrentando uma crise moral.

As declarações fazem parte de uma estratégia que busca apresentar Flávio não apenas como filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato apoiado pelo campo conservador, mas também como alguém identificado pessoalmente com a fé cristã.

O senador se declara evangélico e já passou por cerimônias de batismo. Em janeiro deste ano, foi batizado nas águas do rio Jordão, em Israel, repetindo uma experiência realizada anteriormente pelo pai.

Evangélicos são alvo estratégico

A atenção ao segmento tem relação direta com seu peso eleitoral. Pesquisas recentes mostram que Flávio apresenta desempenho superior ao de Lula entre os eleitores evangélicos, embora o cenário seja diferente quando considerado o eleitorado em geral.

No primeiro turno, Flávio aparece à frente de Lula entre os evangélicos. Em uma eventual disputa de segundo turno, a vantagem do senador também é maior nesse segmento.

É justamente essa diferença que a campanha pretende ampliar. A estratégia é transformar a vantagem eleitoral entre os evangélicos em uma estrutura política capaz de mobilizar igrejas, lideranças e comunidades religiosas em diferentes regiões do país.

Para isso, a busca por um coordenador nacional ganhou prioridade. O desafio será encontrar alguém com capacidade de dialogar simultaneamente com grandes denominações, igrejas independentes, pastores de influência regional e parlamentares ligados à bancada evangélica.

A campanha de Flávio aposta que uma aproximação mais organizada com esse eleitorado poderá ser um dos pilares de sua candidatura presidencial em 2026.

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Da Redação do Agenda Capital

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