O candidato à Presidência da República mantém discurso de anistia e promete segurança jurídica em eventual governo
Por Redação
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, participou na noite desta sexta-feira (28) de sabatina na TV Globo e abordou temas como anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, respeito ao resultado das eleições, financiamento do filme Dark Horse, relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), tarifas impostas pelos Estados Unidos, economia, mudanças climáticas e sua relação com aliados políticos.
Um dos principais pontos da entrevista foi a reafirmação de que, caso seja eleito presidente, Flávio pretende conceder anistia ao pai, Jair Bolsonaro, e a outros condenados pelos atos de 8 de janeiro. O candidato afirmou que pretende trabalhar para que a medida seja aprovada ainda durante o período de transição.
Flávio, no entanto, reconheceu que existem limites legais para a anistia e citou crimes hediondos e tortura entre aqueles que não poderiam ser abrangidos pela medida.
Compromisso com o resultado das urnas
Durante a sabatina, Flávio também procurou reforçar seu compromisso com o processo eleitoral. Questionado sobre declarações feitas anteriormente por Jair Bolsonaro a respeito das urnas eletrônicas, o candidato afirmou que respeitará o resultado das eleições.
“Não estou questionando as urnas eletrônicas. Vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições”, afirmou.
Ele também corrigiu uma declaração anterior sobre uma empresa venezuelana que teria relação com a fabricação das urnas. Segundo Flávio, ele próprio havia se expressado de maneira equivocada ao tratar do assunto.
O candidato afirmou ainda que pretende, caso eleito, reconstruir uma relação institucional com o STF e recuperar o que chamou de “segurança jurídica” no país.
Patrocínio de “Dark Horse”
Outro momento de destaque da entrevista ocorreu quando Flávio foi questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção relacionada à trajetória de Jair Bolsonaro e que recebeu recursos de Daniel Vorcaro.
O candidato afirmou que o patrocínio foi realizado de “boa-fé” e negou qualquer irregularidade. Segundo ele, não houve utilização de dinheiro público e os recursos foram destinados integralmente à produção.
“Foi um patrocínio de boa-fé. Não há nada de irregular”, declarou.
Flávio também negou ter recebido dinheiro diretamente e afirmou que não solicitou recursos pessoais, mas um patrocínio para o filme.
Questionado sobre a apresentação do contrato e dos dados da prestação de contas, o candidato não apresentou os documentos durante a entrevista e afirmou que as informações são públicas.
Ele também disse que não assinou contrato relacionado ao patrocínio e que sua participação no projeto teria sido autorizar o uso de sua imagem.
Tarifas dos Estados Unidos
Na área internacional, Flávio criticou as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros e afirmou que as empresas do país não suportam mais os custos adicionais.
Ao comentar a atuação do irmão, Eduardo Bolsonaro, que agradeceu a Trump pelas medidas, Flávio disse que Eduardo estaria defendendo a liberdade dos brasileiros.
O candidato também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem classificou como um dos “maiores violadores do direito internacional”.
Flávio afirmou que, em eventual governo, pretende negociar diretamente com Trump para tentar retirar ou reduzir as tarifas. Segundo ele, o Brasil precisará estabelecer uma relação de negociação “de igual para igual” com os Estados Unidos.
Economia e ajuste fiscal
Na área econômica, Flávio foi questionado sobre o tamanho do ajuste fiscal que pretende realizar caso seja eleito e sobre uma eventual meta para reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).
O candidato não apresentou números concretos. Ao ser pressionado pelos entrevistadores a responder sobre a meta de redução da dívida, afirmou: “Vou chegar lá, vou chegar lá”.
Flávio também voltou a defender uma política de juros mais baixos e afirmou que, se Jair Bolsonaro estivesse atualmente na Presidência, a taxa básica de juros estaria em torno de 7%.
Mudanças climáticas
A questão ambiental também esteve entre os assuntos abordados. Flávio foi questionado sobre uma declaração feita em 2019, quando havia afirmado que não existia aquecimento global.
Na sabatina, o candidato reformulou sua posição e afirmou acreditar que o planeta enfrenta atualmente eventos climáticos extremos, como períodos de calor intenso, chuvas e secas.
Flávio disse considerar que esses fenômenos possuem caráter cíclico e afirmou não acreditar que estejam relacionados “diretamente só com a influência do ser humano”.
Como resposta para a questão ambiental, citou o saneamento básico como uma das principais prioridades. Entre as medidas mencionadas estão o tratamento de esgoto, o fornecimento de água filtrada e o combate aos lixões.
Sobre a Amazônia, afirmou que parte dos problemas existentes na região possui relação com atividades criminosas. Ele citou a exploração ilegal de ouro em terras indígenas e a atuação de organizações criminosas como uma das questões que pretende combater.
Homenagem a Adriano da Nóbrega
Outro assunto delicado abordado durante a entrevista foi a homenagem feita por Flávio a Adriano da Nóbrega, apontado pelas autoridades como integrante de uma milícia do Rio de Janeiro e morto em 2020, na Bahia.
Flávio afirmou que conheceu Adriano quando ele ainda atuava no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e que, na época da homenagem, não havia acusações contra ele que justificassem a decisão.
“A homenagem foi feita no momento em que ele era um policial reconhecido. Eu conheci ele dentro do Bope. Não tinha feito absolutamente nada de errado”, afirmou.
O candidato também foi questionado sobre o apoio ao ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que foi preso por suspeita de ligação com o Comando Vermelho. Flávio afirmou que não teria apoiado Bacellar caso tivesse conhecimento prévio das acusações.
Segundo ele, as denúncias são graves e precisam ser comprovadas pela Justiça.
Uma candidatura em busca de equilíbrio
Ao longo da sabatina, Flávio Bolsonaro procurou reafirmar bandeiras associadas ao bolsonarismo, principalmente a defesa da anistia para Jair Bolsonaro e condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas também tentou apresentar compromissos institucionais, como o respeito ao resultado das urnas e a reconstrução da relação com o STF.
A entrevista também expôs pontos nos quais o candidato foi cobrado por maior detalhamento, especialmente em relação ao ajuste fiscal, à dívida pública e às políticas ambientais.
Com a eleição presidencial se aproximando, a sabatina serviu para apresentar ao eleitorado uma síntese das principais posições de Flávio em temas que devem ocupar espaço central na disputa: anistia, economia, relações internacionais, segurança, meio ambiente e a relação entre os Poderes.
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Da Redação do Agenda Capital






