Plenário do STF. Reprodução.

Confiança na Corte cai para 34%, menor percentual da série histórica da AtlasIntel; levantamento foi realizado entre 17 e 21 de setembro

Por Delmo Menezes

A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu, em setembro, o menor patamar da série histórica da AtlasIntel. Segundo pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira (22), 60% dos entrevistados afirmam não confiar na Corte, enquanto 34% dizem confiar no STF. Outros 4% não souberam ou não quiseram responder, segundo os dados divulgados.

O levantamento foi realizado entre 17 e 21 de setembro, período posterior a uma sessão plenária marcada por discussões entre ministros sobre a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A análise do caso acabou sendo adiada após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

A pesquisa mostra uma mudança significativa em relação ao início da série histórica da AtlasIntel. Em janeiro de 2023, 42% dos brasileiros declaravam confiar no STF. Agora, o índice está em 34%.

Confiança recua ao longo da série

De acordo com o levantamento, a queda mais acentuada ocorreu entre agosto de 2025 e março de 2026, quando a confiança na Corte passou de 49% para 35%.

Desde março, o índice permaneceu relativamente estável dentro da margem de erro, mas chegou agora ao menor percentual numérico registrado pela série histórica.

A desconfiança, por outro lado, alcança seis em cada dez brasileiros, evidenciando a distância entre a parcela da população que declara confiar e aquela que manifesta desconfiança em relação ao Supremo.

Caso Banco Master entra no contexto

O levantamento foi realizado em meio à repercussão das investigações relacionadas ao Banco Master e às relações de integrantes do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo reportagem do Estadão, divulgada em 1º de setembro, mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram conversas envolvendo o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. A publicação informou que Vorcaro teria buscado auxílio e orientações do ministro sobre assuntos relacionados às investigações envolvendo o banco.

O episódio passou a integrar o debate público sobre a atuação de integrantes da Corte e suas relações externas.

Além de Moraes, outros ministros do STF também foram citados em reportagens relacionadas às conexões de Vorcaro. Entre eles estão Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Luiz Fux.

As referências a ministros e às investigações, contudo, não significam, por si só, comprovação de irregularidades. Eventuais responsabilidades dependem da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.

Sessão do STF amplia repercussão

A pesquisa também ocorre após uma sessão do Supremo que ganhou repercussão pública devido ao debate entre ministros sobre a possibilidade de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

A discussão acabou interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino, adiando a análise do tema.

O levantamento da AtlasIntel, portanto, capta a percepção dos entrevistados justamente em um momento de elevada exposição pública do STF e de debates envolvendo seus integrantes.

Menor nível desde o início da série

A evolução apresentada pela AtlasIntel mostra que a confiança no Supremo, que estava em 42% em janeiro de 2023, chegou a 49% em agosto de 2025, antes de iniciar uma trajetória de queda.

Em março de 2026, o percentual havia recuado para 35%. Agora, em setembro, chega a 34%, o menor número registrado desde o início da série.

A pesquisa não permite, isoladamente, atribuir a variação da confiança a um único episódio. O resultado foi obtido em um período que reúne diferentes acontecimentos envolvendo o STF, investigações relacionadas ao Banco Master e debates públicos sobre a atuação dos ministros.

A AtlasIntel mantém pesquisas nacionais regulares e disponibiliza sua série de levantamentos públicos sobre o Brasil.

Os números da pesquisa

Avaliação sobre o STFPercentual
Não confiam60%
Confiam34%
Não sabem/não responderam4%

Fonte: AtlasIntel/Estadão.

Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/

Da Redação do Agenda Capital

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here