Candidato Leandro Grass (PT) em entrevista a Globo. Reprodução.

Em entrevistas à TV Globo e ao Metrópoles, candidato do PT detalha propostas para saúde, transporte, educação e segurança; financiamento e execução das medidas estão entre os desafios para um eventual governo

Por Redação

A dois dias do segundo turno das eleições para o Governo do Distrito Federal, o candidato Leandro Grass (PT) concentrou suas entrevistas à TV Globo, na quinta-feira (22), e ao Metrópoles, nesta sexta-feira (23), em propostas para áreas como saúde, transporte público, educação, segurança e assistência social. Entre os principais compromissos apresentados estão a implantação gradual da tarifa zero, a reestruturação do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF) e a ampliação do atendimento na rede pública.

As declarações colocam a saúde como prioridade de um eventual governo petista. Grass afirmou que pretende devolver à Secretaria de Saúde o comando integral da gestão do setor, mantendo os profissionais vinculados ao IgesDF. Também prometeu ampliar equipes, convocar servidores, melhorar a estrutura hospitalar e reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias.

“Eu não vou demitir os profissionais de saúde do Iges porque eu preciso deles”, declarou durante a sabatina do Metrópoles.

O candidato criticou o atual modelo de gestão do instituto e defendeu mudanças em sua estrutura e atribuições. A proposta, na prática, exigiria um plano de transição administrativa que assegurasse a continuidade dos serviços, a definição das responsabilidades da Secretaria de Saúde e do IgesDF e a manutenção do atendimento à população.

Grass também propôs criar um painel público para acompanhar as filas do sistema de saúde e ampliar a participação do Distrito Federal no programa federal Agora Tem Especialistas. O desafio será transformar essas medidas em redução efetiva do tempo de espera, com profissionais, equipamentos e capacidade de atendimento compatíveis com a demanda.

Tarifa zero e mudanças no transporte

Na mobilidade urbana, Grass voltou a defender a implantação gradual da tarifa zero nos ônibus. A proposta começaria por estudantes, inclusive fora do horário de aulas, e pessoas inscritas no Cadastro Único para programas sociais, com ampliação progressiva até alcançar toda a população.

O candidato afirmou que pretende realizar uma nova licitação para as empresas de ônibus, reorganizar os custos do sistema e ampliar linhas e horários, sem reduzir a oferta de transporte. Também propôs integrar o DF e o Entorno por meio de um bilhete único.

Para o metrô, prometeu ampliar o horário de funcionamento, incluindo operações durante a madrugada, recuperar a infraestrutura existente, adquirir novos vagões e modernizar estações. A expansão para regiões como Setor O, Recanto das Emas, Santa Maria, Gama e norte do DF também integra seu plano, assim como alternativas ferroviárias para áreas em que a implantação do metrô seria mais difícil.

A execução dessas propostas dependerá de estudos de demanda, capacidade operacional, investimentos e fontes permanentes de financiamento. No caso da tarifa zero, será necessário definir como os custos hoje cobertos pelas passagens seriam compensados sem comprometer a manutenção e a expansão do serviço.

Segurança pública e combate ao feminicídio

Na segurança pública, Grass prometeu reorganizar o videomonitoramento, conectando as câmeras das regiões administrativas aos batalhões da Polícia Militar e às delegacias responsáveis por cada área. A ideia é agilizar o acionamento das equipes mais próximas diante de ocorrências.

O candidato também propôs instalar botões de pânico em paradas de ônibus e espaços públicos e ampliar o combate à violência contra a mulher, com atenção ao cumprimento das medidas protetivas.

“Nós vamos ser implacáveis com agressor de mulher. Agressor de mulher no governo vai para a cadeia”, afirmou.

A declaração foi acompanhada da promessa de reforçar as ações de prevenção e enfrentamento ao feminicídio. A efetividade das medidas dependerá da articulação entre as forças de segurança, a Justiça e os serviços de proteção às vítimas, além da disponibilidade de pessoal e estrutura para responder às ocorrências.

Grass atribuiu o déficit de policiais militares à falta de planejamento para contratação de servidores e defendeu o reforço dos efetivos. O candidato, porém, também relacionou a ampliação dos serviços públicos à necessidade de melhorar a arrecadação e organizar as contas do DF.

Educação e assistência social

Na educação, o petista prometeu ampliar o ensino integral, fortalecer a formação profissional no ensino médio, valorizar professores e servidores e investir na infraestrutura das escolas. Também mencionou a ampliação das salas de recursos para estudantes com deficiência e a criação de programas para alunos com altas habilidades.

Outra proposta é isentar estudantes da rede pública da taxa de inscrição do Programa de Avaliação Seriada (PAS), da Universidade de Brasília (UnB).

Na assistência social, Grass anunciou a ampliação de Cras e Creas, a construção de novos Centros Pop e a expansão dos restaurantes comunitários para áreas que, segundo ele, necessitam de maior cobertura. Santa Luzia e Sol Nascente foram citadas como regiões prioritárias.

O candidato também prometeu manter e ampliar programas como Cartão Prato Cheio, Cartão Material Escolar e Cartão Uniforme Escolar, além de criar uma renda básica cidadã.

A ampliação dos benefícios e dos equipamentos públicos exigirá planejamento orçamentário, definição dos critérios de atendimento e capacidade de execução. A proposta de renda básica, em particular, dependerá da regulamentação do programa, do público beneficiário e da previsão de recursos para assegurar sua continuidade.

Fundo Constitucional e financiamento das propostas

Questionado sobre a capacidade financeira do Distrito Federal para sustentar as medidas, Grass defendeu o aumento da arrecadação sem elevação de impostos. Sua estratégia, segundo afirmou, inclui incentivar a abertura de empresas, estimular o desenvolvimento econômico e reorganizar os gastos públicos.

O candidato citou o crescimento do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), de R$ 16 bilhões para R$ 28 bilhões entre 2022 e 2025, como parte de sua argumentação sobre a disponibilidade de recursos. Também afirmou que uma arrecadação maior permitiria ampliar investimentos em segurança, saúde e educação.

O FCDF, entretanto, tem destinação e regras próprias de utilização. Por isso, a viabilidade das propostas depende de distinguir os recursos disponíveis no orçamento local daqueles vinculados ao fundo, além de considerar despesas obrigatórias, limites fiscais e custos permanentes de contratação e manutenção dos serviços.

A questão financeira atravessa praticamente todo o programa apresentado por Grass: da gratuidade no transporte à expansão dos equipamentos sociais, passando pela contratação de profissionais e pela modernização dos hospitais.

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Da Redação do Agenda Capital

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