Governadora Celina Leão (PP) deu entrevista a imprensa logo após ser reeleita. Foto: Reprodução.

Governadora terá mandato próprio de 2027 a 2030, precisará cumprir promessas de campanha e manter diálogo com o governo federal do PT, seu adversário político no Distrito Federal

Por Delmo Menezes

A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita neste domingo (25) com 57,22% dos votos válidos (967.823),contra 42,78% de Leandro Grass (PT), consolidando a vitória nas urnas e garantindo mais quatro anos à frente do Governo do Distrito Federal (GDF). O resultado amplia a vantagem obtida no primeiro turno e fortalece sua posição política para iniciar, em janeiro de 2027, um mandato próprio, com prioridades que vão da recuperação da rede pública de saúde à expansão do transporte e à execução de grandes obras.

Ao comemorar a vitória, Celina resumiu sua avaliação da campanha em uma declaração de tom religioso: “Lutamos um bom combate”. A governadora também reconheceu os problemas enfrentados pelo Distrito Federal e afirmou que sua gestão fez o possível para responder às demandas da população.

“Pegamos o Distrito Federal com muitos problemas, mas demos o nosso melhor”, declarou após votar, pela manhã, no Centro de Ensino Fundamental 01 do Lago Norte.

A vitória consolida a trajetória de Celina, que assumiu definitivamente o Palácio do Buriti em março de 2026, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar o Senado. Agora, ela terá a oportunidade de conduzir o governo por quatro anos completos, com sua própria agenda administrativa e a responsabilidade de transformar as promessas eleitorais em resultados concretos.

O desafio político: governar o DF com o PT no Planalto

Um dos principais desafios será a relação institucional com o governo federal, comandado pelo PT, partido de Leandro Grass, adversário derrotado nas urnas do Distrito Federal.

A diferença de alinhamento político poderá aumentar as dificuldades de negociação em temas que dependem de recursos federais, articulação no Congresso Nacional e cooperação entre os governos. Entre os assuntos prioritários estão a preservação do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), o financiamento da segurança pública, os investimentos em infraestrutura e a ampliação dos serviços públicos.

A divergência partidária, porém, não impede a cooperação administrativa. Celina precisará manter canais de diálogo com a Presidência da República, os ministérios, a bancada federal e os órgãos responsáveis pelas transferências e políticas públicas que afetam Brasília.

A governadora também terá de administrar a relação com o Congresso Nacional e com as forças políticas que compõem sua base. A ampla aliança de centro-direita que sustentou sua candidatura representa apoio político, mas exigirá articulação permanente para manter compromissos e prioridades alinhados.

O resultado eleitoral lhe confere legitimidade para executar seu programa, mas não elimina as limitações orçamentárias, as disputas políticas nem a cobrança dos eleitores por melhorias nos serviços públicos.

Saúde: reduzir filas será a principal cobrança

A saúde pública aparece entre os temas de maior impacto para a população e um dos pontos centrais do programa apresentado por Celina. A promessa é reduzir o tempo de espera por consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos, além de ampliar a capacidade de atendimento da rede.

Entre as iniciativas anunciadas está a expansão do Expresso da Saúde, com utilização de telemedicina e inteligência artificial para agilizar os atendimentos. A governadora também pretende fortalecer o Opera-DF, programa voltado à realização de cirurgias eletivas.

Durante a campanha, Celina anunciou R$ 50 milhões para quase 4 mil procedimentos ortopédicos, dentro da ampliação do programa. A execução e o alcance dessas medidas serão acompanhados de perto pelos pacientes que aguardam atendimento.

O plano de governo inclui ainda:

  • Conclusão de obras hospitalares no Guará, em São Sebastião, Ceilândia e Recanto das Emas;
  • Implantação dos hospitais Oncológico e Ortopédico;
  • Construção de sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs);
  • Implantação de prontuário eletrônico unificado;
  • Concursos públicos para reestruturar as carreiras da saúde;
  • Ampliação da atenção integral à saúde da mulher e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Outra proposta é a criação da primeira Santa Casa de Misericórdia do DF, com previsão de doação de terreno entre Ceilândia e Samambaia para a construção da unidade.

O desafio será garantir recursos, profissionais, equipamentos e capacidade de gestão para que os projetos não fiquem restritos aos anúncios. Para a população, o resultado deverá aparecer em menos filas, atendimento mais rápido e melhores condições nas unidades de saúde.

Transporte público e mobilidade urbana

No transporte, Celina prometeu ampliar a gratuidade e avançar na expansão da infraestrutura de mobilidade. A proposta de ampliação da malha metroviária, com 78 quilômetros previstos para a Linha 2, está entre os projetos de maior porte de seu programa para o período de 2027 a 2030.

Uma obra dessa dimensão exige planejamento técnico, recursos elevados, licenciamento, cronograma de execução e articulação com diferentes instâncias de governo. Por isso, a capacidade de estruturar parcerias e garantir financiamento será determinante para a evolução do projeto.

A ampliação da gratuidade também exigirá atenção ao custeio do sistema, à qualidade do serviço e à capacidade de atendimento nos horários de maior movimento. O desafio será conciliar o benefício ao usuário com a sustentabilidade financeira e a melhoria da operação.

Obras, hospitais e infraestrutura

A agenda de infraestrutura inclui a conclusão de empreendimentos em andamento e a abertura de novas frentes de investimento. Além dos projetos de saúde e mobilidade, o governo pretende recorrer a Parcerias Público-Privadas (PPPs) para viabilizar obras e ampliar a participação do setor produtivo.

A execução dessas iniciativas dependerá de prioridades bem definidas, transparência nos contratos e acompanhamento dos prazos e custos. Em um mandato de quatro anos, a administração terá de demonstrar quais projetos podem ser concluídos, quais exigirão etapas mais longas e quais dependerão de financiamento externo.

A população também deverá cobrar resultados nas regiões administrativas, onde a demanda por infraestrutura, equipamentos públicos e serviços essenciais varia de acordo com as necessidades locais.

BRB, segurança e programas sociais

Outro compromisso citado durante a campanha é a recuperação do Banco de Brasília (BRB), instituição estratégica para a economia local. A situação do banco exigirá medidas administrativas e financeiras que preservem sua solidez, sua capacidade de operação e a confiança de clientes e investidores.

Na segurança pública, Celina pretende ampliar o videomonitoramento e investir em inteligência, tecnologia e integração entre os órgãos responsáveis. A proposta também prevê articulação com políticas de assistência social para enfrentar problemas que ultrapassam a atuação policial.

Na área social, a governadora anunciou a ampliação de programas de proteção e autonomia das mulheres, expansão de vagas em creches nas regiões mais vulneráveis e fortalecimento do ensino em tempo integral. A geração de empregos, a simplificação tributária e o estímulo à atividade econômica também integram sua agenda.

O Fundo Constitucional no centro das negociações

A preservação do Fundo Constitucional do Distrito Federal será um dos temas mais importantes da relação entre o GDF e a União. Os recursos são fundamentais para o financiamento de áreas como segurança pública, saúde e educação, e qualquer mudança nas regras de cálculo ou distribuição pode ter repercussões no planejamento do governo local.

Nesse cenário, Celina precisará mobilizar a bancada federal do DF e negociar com o governo federal para defender os interesses da capital. O diálogo institucional será especialmente relevante diante das diferenças partidárias entre o Palácio do Buriti e o Planalto.

A governadora também terá de equilibrar as demandas da base política com as necessidades administrativas do Distrito Federal. A capacidade de construir acordos sem comprometer as prioridades locais será um dos elementos centrais de sua gestão.

Uma nova etapa política

Aos 49 anos, Celina Leão chega ao mandato de 2027 a 2030 após uma trajetória que inclui dois mandatos como deputada distrital, a presidência da Câmara Legislativa do DF, um mandato como deputada federal e a passagem pela vice-governadoria.

Natural de Goiânia, ela construiu sua carreira política no Distrito Federal. Em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa de Ibaneis Rocha e assumiu o comando definitivo do Executivo local em março de 2026.

Seu vice-governador eleito, Gustavo Rocha (Republicanos), é advogado, professor e mestre em Direito. Já ocupou cargos na administração federal e comandou secretarias do GDF, incluindo a Casa Civil e a Secretaria de Justiça e Cidadania.

A parceria entre os dois será importante para a coordenação administrativa e a articulação política do governo.

A vitória nas urnas e a cobrança por resultados

A votação de 57,22% dos votos válidos dá a Celina uma vitória expressiva sobre Leandro Grass, mas o resultado não representa um cheque em branco. A partir de 2027, a governadora terá de responder às expectativas dos eleitores que apoiaram sua reeleição e às demandas daqueles que optaram pela oposição.

O principal desafio será transformar o capital político conquistado nas urnas em melhorias percebidas no cotidiano da população. Saúde, transporte, segurança, infraestrutura, educação e equilíbrio financeiro estarão entre os indicadores que ajudarão a medir o desempenho da nova gestão.

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Da Redação do Agenda Capital

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