
Em transmissão nas redes sociais, senador acusa o STF de perseguição política, questiona eleições, prevê crise econômica e defende Rogério Marinho para a Presidência do Senado
Por Delmo Menezes
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em uma transmissão ao vivo diretamente dos Estados Unidos, que decidiu deixar o Brasil por temer sofrer perseguição política e perder a liberdade de atuação. Ao lado da esposa e das duas filhas, ele apresentou sua versão sobre os motivos da saída do país e prometeu continuar exercendo sua liderança política no exterior, mobilizando aliados para fazer oposição ao governo do presidente Lula.
Segundo Flávio, a decisão foi tomada depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O senador relatou que, na manhã de segunda-feira, foi à residência do pai e, ao término dos 30 minutos autorizados para a visita, foi informado da presença de agentes da Polícia Federal no local.
De acordo com seu relato, ao sair da residência, recebeu uma intimação relacionada a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a apreensão de seus passaportes e o proibia de deixar o país.
Flávio afirmou que interpretou a medida como o início de uma perseguição contra ele. Disse que, diante da situação, conversou com a esposa e decidiu viajar com a família para os Estados Unidos. O senador declarou que não pretende se calar e que, fora do Brasil, acredita ter mais liberdade para expressar suas posições políticas.
“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, afirmou, ao justificar que pretende continuar atuando politicamente mesmo distante do país.
Acusações contra o STF e questionamento das eleições
Durante a transmissão, Flávio fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal e afirmou que o Brasil vive, em sua avaliação, um “regime de exceção”. Acusou integrantes do Judiciário de atuação político-partidária e disse que as instituições estariam aparelhadas e sem independência para garantir o cumprimento da lei.
O senador também voltou a questionar o resultado das eleições presidenciais. Sem apresentar provas durante a live, afirmou que o processo eleitoral teria registrado irregularidades e comparou a atuação de seu adversário a uma partida de futebol em que, segundo ele, teriam ocorrido “gols de mão” não anulados pela arbitragem.
Flávio disse que pretende apresentar, em outra oportunidade, argumentos mais detalhados sobre suas críticas ao processo eleitoral. Também afirmou que perdeu a disputa não para o adversário, mas para o que chamou de “sistema”.
O parlamentar relacionou sua decisão de deixar o país ao temor de ser alvo de medidas judiciais que, na sua avaliação, poderiam impedir sua atuação política. Citou investigações envolvendo pessoas próximas e afirmou que não teria a quem recorrer caso se considerasse vítima de uma injustiça.
Congresso será a trincheira da oposição
Ao falar sobre os próximos passos, Flávio convocou deputados, senadores e apoiadores a manterem a mobilização política. Ele apontou o Congresso Nacional, especialmente o Senado Federal, como principal espaço de resistência ao governo Lula.
O senador declarou apoio ao nome de Rogério Marinho para a Presidência do Senado e pediu que os eleitores cobrem dos parlamentares o voto no aliado. Segundo ele, a eleição para o comando da Casa será fundamental para fortalecer a oposição e conter medidas do governo federal.
Flávio também afirmou que pretende retomar uma atuação mais frequente nas redes sociais e manter contato com sua base política. Disse que continuará exercendo a liderança que, segundo ele, recebeu dos eleitores e que pretende contribuir para a organização da oposição.
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Previsão de crise econômica e possibilidade de nova candidatura
Na avaliação do senador, o governo Lula enfrentará dificuldades econômicas e poderá sofrer forte desgaste em razão das medidas que terá de adotar. Flávio afirmou que o cenário econômico seria pior do que o enfrentado pelo governo Dilma Rousseff em 2014 e 2015 e previu uma deterioração das contas do país.
Ele declarou que, caso Lula cumpra promessas que considera necessárias para enfrentar os problemas econômicos, poderá adotar medidas radicais. Por outro lado, afirmou que o presidente não acredita nesse caminho. A partir dessa interpretação, Flávio prevê uma crise econômica que, segundo sua avaliação, poderá comprometer a sustentação política do governo.
O senador também não descartou voltar a disputar a Presidência da República. Ao mencionar os votos recebidos na eleição, afirmou que estaria disposto a concorrer novamente caso considere necessário para, em suas palavras, “resgatar” e “salvar” o país. Ressaltou que não estava falando necessariamente de 2030, mas de uma possível disputa antes desse prazo.
Família e permanência nos Estados Unidos
Em tom pessoal, Flávio afirmou que a saída do Brasil não foi uma decisão fácil e destacou o apoio da esposa, Fernanda, e das duas filhas. Disse que a família está abalada com os acontecimentos, mas que considera importante permanecer próximo delas neste momento.
O senador também negou que aliados tenham participado da decisão de deixar o país. Segundo ele, a iniciativa foi tomada em conjunto com a esposa e mantida em sigilo para evitar que a viagem fosse impedida.
Ao encerrar a transmissão, pediu que apoiadores continuem mobilizados, que parlamentares não tenham medo de expressar suas opiniões e que a oposição mantenha a atuação no Congresso. Reafirmou que pretende continuar na vida política e que poderá voltar a disputar a Presidência da República.
A saída do país e a decisão judicial
A versão apresentada por Flávio na transmissão ocorre em meio a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, tomada a pedido da Polícia Federal, que determinou a apreensão dos passaportes do senador e proibiu sua saída do Brasil. A PF informou que identificou risco de evasão e que investiga as circunstâncias do descumprimento das medidas judiciais. A corporação também esclareceu que não havia registro oficial da saída do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório.
Assim, enquanto Flávio apresenta a viagem como uma decisão para preservar sua liberdade de manifestação e continuar a oposição no exterior, a Polícia Federal trata o episódio como possível descumprimento de uma ordem judicial. As acusações feitas pelo senador contra o STF e o processo eleitoral foram apresentadas por ele durante a live e não constituem, por si só, comprovação das irregularidades alegadas.
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Da Redação do Agenda Capital







