A governadora eleita Celina Leão, que é quem comanda todo processo de nomeação e exoneração do governo, não pode ceder às pressões se desejar realizar uma boa gestão. Imgem: Agenda Capital.

Secretarias, administrações regionais e diretorias de estatais estão no radar de parlamentares e aliados políticos. Enquanto isso, a eleição para a Presidência da CLDF também provoca uma intensa articulação nos bastidores.

Por Delmo Menezes*

As eleições passaram, o ano chegando ao fim, mas uma nova disputa já começou nos bastidores da política do Distrito Federal: a corrida por cargos, espaços e influência no futuro governo de Celina Leão (PP), que assumirá o comando do GDF em janeiro de 2027.

Parlamentares eleitos e lideranças políticas que contribuíram para a vitória da governadora já começaram a apresentar suas reivindicações. A quantidade de votos conquistados nas urnas passou a ser utilizada por alguns como argumento para reivindicar secretarias, administrações regionais, diretorias de empresas estatais, cargos no IgesDF e outras posições estratégicas na estrutura do governo.

Há quem não esconda a ambição. Alguns parlamentares considerados “mais vorazes” nas negociações já falam em ocupar duas secretarias, duas administrações regionais e ainda garantir indicações para cargos de primeiro escalão e diretorias de órgãos públicos.

Também entram nessa disputa lideranças que não conseguiram se eleger, mas obtiveram votação expressiva e participaram da articulação política que ajudou a eleger Celina Leão. Para esses grupos, a participação no governo seria uma forma de reconhecimento pelo apoio prestado durante a campanha.

O problema é estabelecer limites. A governadora eleita terá pela frente uma difícil tarefa: administrar interesses políticos, compromissos partidários e a necessidade de montar uma equipe preparada para governar.

É Celina quem terá a palavra final sobre nomeações e exonerações. Se quiser construir uma gestão eficiente, não poderá simplesmente ceder a todas as pressões. Terá de combinar critérios técnicos e indicações políticas, sem transformar a estrutura administrativa em moeda de troca.

A própria governadora já sinalizou, em entrevistas, que pretende exigir experiência e conhecimento da área dos indicados para ocupar cargos de confiança. É um princípio importante, mas que será colocado à prova diante da pressão de aliados e parlamentares.

Nos corredores do Palácio do Buriti, a disputa é intensa. Algumas figuras conhecidas da política local já se comportam como se fossem “donos” de determinadas Pastas. Entre as estruturas mais cobiçadas estão a Secretaria de Governo, Casa Civil, Saúde, Educação, Desenvolvimento Social, Obras/Infraestrutura e Justiça e Cidadania.

O desafio será acomodar os interesses sem comprometer a capacidade administrativa e financeira do Distrito Federal. Atender integralmente a todas as reivindicações por cargos e estruturas de poder poderá gerar dificuldades, inclusive diante dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

A outra disputa: quem comandará a CLDF?

Enquanto a corrida por espaços no Executivo movimenta os bastidores do Palácio do Buriti, do outro lado da Praça, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, outra disputa promete fortes articulações: a eleição da nova Mesa Diretora da CLDF para o biênio 2027/2028.

A Presidência da Casa é um dos cargos mais cobiçados da política local. Além da força institucional e política, o comando da Câmara representa influência sobre a agenda legislativa, a condução dos trabalhos parlamentares e a estrutura administrativa do Legislativo.

Há deputados que não demonstram disposição em abrir mão do espaço que ocupam e trabalham para permanecer próximos ao centro das decisões. Nos bastidores, a disputa envolve alianças, composição de forças e interesses que vão muito além da escolha de um presidente.

A eleição da nova Mesa Diretora está prevista para 6 de janeiro de 2027, às 15h, data da posse dos deputados distritais eleitos, conforme o calendário informado para a legislatura.

Até lá, “muita água ainda vai passar por debaixo da ponte“. No Executivo e no Legislativo, o jogo pelo poder está apenas começando. E Celina terá de demonstrar que, além de ter conquistado a vitória nas urnas, possui experiência, liderança e força política para comandar o GDF, sem abrir mão da autoridade e das prerrogativas que o cargo de governadora lhe confere.

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*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta, principalmente no Ministério da Saúde, Anvisa, Secretaria de Saúde e IgesDF. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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