Profissionais oferecem escuta, orientação e suporte emocional a familiares de pacientes internados na UTI, inclusive diante da possibilidade de perda de um ente querido

Por Delmo Menezes

Receber a notícia de que um familiar está internado em estado grave é uma experiência que pode transformar a rotina e abalar emocionalmente toda a família. Medo, angústia, insegurança e a possibilidade de perder alguém querido tornam o período de internação ainda mais delicado. No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), o apoio psicológico busca ajudar pacientes e familiares a enfrentar esses momentos com acolhimento, orientação e escuta.

Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HRSM, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o acompanhamento psicológico começa durante a internação. Os profissionais oferecem suporte diante das incertezas do tratamento e, quando necessário, ajudam os familiares a se prepararem emocionalmente para uma possível despedida.

O psicólogo da UTI, Filipe Casati, explica que uma das primeiras iniciativas é preparar os familiares para o contato com o ambiente de terapia intensiva.

“Antes da visita ao leito, apresentamos o setor e explicamos a finalidade dos equipamentos utilizados no tratamento, como monitores de sinais vitais, aparelhos de ventilação mecânica e bombas de infusão, com o intuito de reduzir o impacto visual e sensorial”, explica.

O trabalho também envolve o acompanhamento dos familiares durante os boletins médicos. A presença dos psicólogos contribui para facilitar a comunicação com a equipe assistencial, esclarecer dúvidas e ajudar na compreensão das informações técnicas, respeitando as reações emocionais de cada pessoa.

Acolhimento diante da possibilidade de perda

O agravamento do quadro clínico de um paciente pode desencadear diferentes reações emocionais nos familiares, como choque, negação, culpa e sensação de desamparo.

Nessas situações, a equipe utiliza recursos terapêuticos e técnicas de manejo de crise para oferecer suporte emocional.

“Utilizamos recursos terapêuticos e técnicas de manejo de crise, como a validação emocional, que consiste em reconhecer as emoções dos familiares e mostrar que suas reações são compreensíveis diante da situação”, destaca Filipe.

O acolhimento busca ajudar as pessoas a compreenderem o que estão vivenciando e a encontrarem condições emocionais para enfrentar cada etapa da internação.

Quando o paciente não resiste, o cuidado psicológico pode continuar mesmo após o falecimento. Na UTI do HRSM, uma iniciativa voltada às famílias enlutadas prevê o envio de cartas de condolências.

Após um período, os profissionais entram em contato com a rede de apoio do paciente para expressar solidariedade e reconhecer a presença dos familiares durante a internação.

“São gestos que ajudam a reconhecer que aquelas pessoas não são esquecidas pela equipe”, conta o psicólogo.

Uma despedida que veio de longe

Entre as experiências que marcaram sua atuação na UTI, Filipe Casati relembra a história de um paciente internado em estado muito grave, cuja família precisou enfrentar uma longa viagem para se despedir.

Diante da possibilidade de morte nas horas seguintes, a equipe entrou em contato com a única filha do paciente que morava em Brasília. Os demais familiares residiam na Bahia.

Durante uma videochamada, os parentes quiseram saber se haveria tempo para viajar até a capital federal e encontrar o paciente ainda com vida.

Sem poder prever a evolução do quadro clínico, os profissionais explicaram a situação com transparência. Mesmo diante da incerteza, cerca de 11 familiares decidiram enfrentar a viagem de carro.

Sensibilizada com a situação, a equipe organizou uma visita em horário excepcional para permitir que todos estivessem com o paciente.

“Conseguimos organizar a entrada de todos na UTI e foi possível que realizassem aquele último ritual de despedida”, recorda Filipe.

A experiência evidencia a importância do acolhimento psicológico no ambiente hospitalar. Além dos cuidados clínicos, a assistência às famílias ajuda a tornar mais humana a experiência da internação, especialmente quando a possibilidade de perda exige compreensão, sensibilidade e apoio.

No HRSM, a atuação dos psicólogos reforça que o cuidado em saúde também envolve reconhecer o sofrimento emocional de quem acompanha um paciente e oferecer suporte nos momentos mais difíceis.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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