Opinião | Por Delmo Menezes*

Não é de hoje que o desinteresse dos brasileiros pela política cresce de forma preocupante. A cada eleição, os índices de abstenção e votos nulos batem novos recordes — um sintoma claro de uma sociedade que, cansada de promessas vazias e escândalos de corrupção, começa a se afastar das urnas e, consequentemente, das decisões que moldam o próprio futuro.

A apatia política, especialmente entre os jovens, é um sinal de alerta. Muitos cresceram ouvindo que “político é tudo igual”, e essa generalização tem custado caro à democracia. A corrupção, o corporativismo e o uso da máquina pública para interesses pessoais minaram a confiança da população. Soma-se a isso a polarização tóxica entre dois extremos, que transformou o debate político em um campo de batalha de ódio e intolerância, afastando ainda mais quem gostaria de participar de forma crítica e construtiva.

O resultado é o que vemos hoje: uma população desmotivada, descrente e indiferente. A cada ciclo eleitoral, milhões de brasileiros deixam de exercer seu direito de votar — e é justamente essa ausência que fortalece os grupos organizados e os projetos de poder que se perpetuam no tempo.

A política precisa ser oxigenada. É urgente que novas lideranças surjam, comprometidas com o bem comum e não apenas com a autopreservação. Mas essa renovação só será possível se o eleitor também mudar sua postura. De nada adianta reclamar dos políticos se, ao chegar a eleição, escolhemos a omissão.

Em 2026, o Brasil viverá mais um momento decisivo, com eleições para deputados distritais, estaduais, federais, senadores, governadores e presidente. A pergunta que fica é: será que a classe política está percebendo a crescente indiferença do eleitor? E mais: será que o eleitor entende o poder que tem nas mãos?

Ainda há tempo. É preciso romper com a polarização e resgatar o interesse genuíno pelo debate público. A política, afinal, não é o problema — o problema é deixá-la nas mãos de quem não se importa com o coletivo.

*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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