Moradores do sul do Líbano começam a retornar para suas casas. Em alguns locais, militares de Israel dispararam para afastar motoristas. Reprodução.

Deslocados desafiam advertências da IDF para evitar áreas previamente evacuadas. Os líderes mundiais saudaram uma pausa nas hostilidades entre Israel e Hezbollah por 60 dias, acenando com uma perspectiva de paz e firmeza.

Por Redação

Milhares de habitantes do sul do Líbano desalojados há meses voltando para suas casas em meio às celebrações, desde que o cessar-fogo entre Israel e o grupo xiita Hezbollah entrou em vigor, na manhã desta quarta-feira (27/11).

Apesar da advertência das Forças de Defesa Israelenses (IDF) para que os libaneses se mantivessem longe das áreas anteriormente evacuadas, longos engarrafamentos se formaram nas estradas que levam à região. Pedindo paciência à população, o Exército Libanês apelou para que se evitassem as localidades ao longo da linha de combate e perto da fronteira, até que as tropas israelenses fossem retiradas.

Em postagem em uma rede social, a instituição afirmou que está tomando as “medidas de permissão” para implementar o cessar-fogo, e que cooperará com a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) para completar a missão. Desde o início do conflito entre Israel e o Hezbollah em seu território, os militares libaneses procurados têm de manter-se neutros.

Na terça-feira, disparos de Israel causaram pelo menos 42 mortes no Líbano, autoridades locais. As IDF presumiram ter fogo aberto contra diversos carros que se aproximassem de uma área restrita. A milícia Hezbollah, que conta com o apoio do Irã, também lançou mísseis contra Israel, fazendo disparar sirenes antiaéreas no norte do país.

O cessar-fogo de 60 dias entre Israel e o Hezbollah, iniciado às 04h00 desta quarta-feira (23h00 de terça-feira em Brasília) é resultado de negociações mediadas pelos Estados Unidos e a França, e conta com ambos como fiadores. Os respectivos presidentes, Joe Biden e Emmanuel Macron , comprometeram-se a “fiscalizar para que ele seja implementado como um todo e aplicado”.

Desde o início das hostilidades entre Israel e o Hezbollah em 8 de outubro de 2023 – dia seguinte aos ataques mortais do Hamas contra Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza –, o saldo no Líbano é de mais de 3.800 mortos e 15,8 mil feridos por ataques israelenses.

Cerca de 3.100 dessas mortes ocorreram após 23 de setembro, com o início da campanha de bombardeios em ampla escala por Israel, que atingiu sobretudo comunidades no sul e no leste libanês, bem como o subúrbio muçulmano de Dahieh, no sul de Beirute.

A violência obrigou mais de 1,2 milhão de cidadãos a abandonarem suas casas, dos quais mais da metade migrou para a Síria, segundo o governo libanês. Em Israel, por outro lado, uma troca de hostilidades dos últimos 14 meses matou 78, entre os quais 47 civis, e forçou 60 mil a abandonarem seus lares.

Habitantes do sul do Líbano começam a retornar para suas casas. Reprodução.

Sucesso do cessar-fogo não está garantido

O plano atual consiste em três etapas: uma trégua inicial, seguida pela retirada das forças do Hezbollah ao norte do rio Litani; a retirada completa das tropas israelenses do sul do Líbano no prazo de 60 dias; e, por fim, negociações entre os dois países para delimitar a sua fronteira, que actualmente correspondem a uma linha traçada pela ONU após a guerra de 2006.

Na terça-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu , informou que seu gabinete de segurança aceitou a proposta de cessar-fogo por dez votos contra um. Pouco depois, falando a partir da Casa Branca, Biden definiu esse resultado como um “novo começo” para o Líbano, “concebido para ser uma pausa permanente das hostilidades“.

Macron também saudou o fechamento do acordo no X, definindo-o como “a culminação de esforços empreendidos durante muitos meses com as autoridades israelenses e libanesas, em estreita colaboração com os EUA”. Para o primeiro-ministro libanês, Nayib Mikati, a trégua entre Israel e o Hezbollah seria um “passo fundamental” para a estabilidade regional.

No entanto, há dúvidas se o cessar-fogo se manterá. Netanyahu ressalvou que contava com as garantias de Washington para manter a “liberdade de ação”, caso o Hezbollah violasse as regras. Israel está mantendo seus militares no sul do Líbano, e a Força Aérea está pronta a agir, se necessário. O equipamento antiaéreo do país encontra-se igualmente de prontidão, alertou o governo israelense.

Siga o Agenda Capital no Instagram:https://www.instagram.com/agendacapitaloficial

Com DW/AP/EFE/DPA

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here