Estrangeiros, incluindo brasileiros, se mobilizam para dar algum clima de Copa à região que receberá jogo do Brasil
Por Redação
NOVA YORK – O ambiente festivo comum em países anfitriões da Copa do Mundo não existe em Nova York, uma das sedes do torneio junto de Nova Jersey. A dois dias da abertura do Mundial na América do Norte, são poucas as referências à maior competição de futebol do planeta na mais importante cidade dos Estados Unidos.
Nem nos lampejantes telões da Times Square, a região mais frenética da cidade, por onde passam mais de 300 mil pessoas por dia, há alguma menção à mais extensa Copa do Mundo da história, com 48 seleções e 104 jogos distribuídos em 16 cidades-sede nos três países anfitriões – Estados Unidos, Canadá e México.
Havia, no dia em que a reportagem passou pela junção da Broadway com a Sétima Avenida, na região central de Manhattan, um homem tocando bumbo, turistas dançando e pessoas vestidas de personagens de filmes entre os milhares de visitantes.
“Dentre todas as cidades, eu diria que Nova York/Nova Jersey é a melhor, por ser um caldeirão cultural com uma grande diversidade de torcedores, mas definitivamente não transmite aquela energia de Copa do Mundo em sua plenitude”, opina Shanely Leonardini, fotógrafa de 21 anos.
Ela é filha de bolivianos e, como milhões de sul-americanos, ama o futebol. “Nos EUA, o futebol ainda disputa espaço com outros grandes esportes, mas a expectativa é que sediar a Copa ajude a popularizar a modalidade e a gerar o entusiasmo necessário para o crescimento do esporte”, acredita.
Fãs de beisebol, basquete e futebol americano, os americanos têm pouco interesse pelo “soccer”. Especialmente na semana em que San Antonio Spurs e New York Nicks, o time da cidade, decidem quem será o campeão da temporada 2026 da NBA. Os Knicks estão na final pela primeira vez desde 1999 e venceram os três primeiros jogos da série melhor de sete.
“Não acompanho muito esportes, mas o que vejo é que os americanos gostam de basquete e ainda mais de futebol americano. Os fãs da NFL são insanos”, especula a garçonete Nick Chay, que sabe nomear apenas três jogadores de futebol. “Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar”. “Neymar é brasileiro?”, pergunta ela, funcionária de um bar em Morristown, cidade onde está o centro de treinamento usado pela seleção brasileira.
O local anuncia em sua fachada que transmitirá jogos da Copa do Mundo. “Mas não sei dizer quais. Também não sei como está seleção dos Estados Unidos”, diz Nick. Interessada, ela quis entender quais são os melhores atletas da atualidade e o maior da história do esporte. “Pelé? Ele morreu recentemente, não?”, pergunta.
Nova York não receberá jogos da Copa do Mundo, mas seus arredores sim. O MetLife Stadium, localizado em East Rutherford, a 15 quilômetros da região central de Manhattan, será palco da estreia do Brasil contra o Marrocos, sábado, além da decisão, marcada para 19 de julho.
O pouco clima de Copa nos Estados Unidos são os estrangeiros que criam, sobretudo os latinos, incluindo os brasileiros que vivem ou visitam a Manhattan. Vários deles penaram, mas encontraram um bar que transmitisse o amistoso do Brasil com o Egito: o Legends, um pub ao lado do Empire State cujo dono é irlandês e que exibe dezenas de jogos de times de América do Sul, Europa e de outros países. Com vários telões, foi possível ver também a vitória por 2 a 1 da seleção brasileira feminina sobre os Estados Unidos.
O entusiasmo com o Mundial cresce também com eventos e ativações de marcas envolvidas no futebol de alguma maneira, como a Jordan, subsidiária da Nike, a fornecedora de material esportivo da seleção brasileira.
A Jordan foi uma das marcas que promoveram evento que celebrou a cultura do Brasil no Seward Park, no último sábado. Ali, estrangeiros e brasileiros comeram pão de queijo, coxinha e brigadeiro e jogaram futebol num campo de grama sintética com dimensões reduzidas.
“Existe uma atmosfera, sim, mas quando você pensa na população inteira, acho que não”, diz a criadora de conteúdo Lilibeth Star, de 25 anos. Ela é filha de venezuelanos e, como milhares de latinos que vivem nos EUA, faz parte de “bolha” que respira futebol.
“Acho que a missão de todos é que esta Copa do Mundo termine aqui nos Estados Unidos e que tenha criado um boom, um enorme interesse pelo esporte e uma curiosidade em americanos que talvez não tenham a mesma origem étnica em outros países, como latinos, pessoas do Caribe, pessoas da Europa que moram aqui e têm o futebol no sangue”, afirma ela.
Siga o Agenda Capital no Instagram: https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/#
Com Estadão





