Na Av. Paulista, a ausência de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e aliado de Bolsonaro, também foi notada

Por Redação

Em um domingo marcado por manifestações em diversas capitais brasileiras, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro foram às ruas pedir anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e exaltar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os atos ocorreram em cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Belém.

O movimento, batizado de “Reaja, Brasil”, foi o primeiro grande ato bolsonarista após o anúncio do tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros. Além das faixas pedindo “anistia irrestrita” para os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, os manifestantes carregaram bandeiras dos EUA e cartazes com dizeres como “Brasil acima do STF”.

Em São Paulo, a manifestação ocupou cerca de três quadras da Avenida Paulista, com público visivelmente menor do que atos anteriores, como o realizado em fevereiro deste ano.

Bolsonaro, impedido de participar presencialmente por medidas cautelares impostas pelo STF, enviou uma breve mensagem por telefone, transmitida ao vivo para manifestantes em Copacabana, no Rio de Janeiro. “Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos”, disse, em ligação com o senador Flávio Bolsonaro. O ex-presidente está obrigado a utilizar tornozeleira eletrônica e a permanecer em casa nos finais de semana, após suspeitas de interferência em investigações judiciais.

A ausência de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e aliado de Bolsonaro, também foi notada. Tarcísio não participou dos atos devido à realização de um procedimento médico. Contudo, a justificativa não foi suficiente para conter críticas de setores mais radicais do bolsonarismo, que acusam o governador de se esquivar de um posicionamento mais contundente em favor da anistia.

Apoiadores exaltaram Donald Trump e voltaram a atacar Alexandre de Moraes.

Em Belém, coube à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dar o tom mais inflamado dos discursos. Durante evento partidário, Michelle atacou a política externa do governo Lula e reforçou o apoio a Trump. “Uma diplomacia nanica, provocando os Estados Unidos, desrespeitando a autoridade do presidente Trump, dizendo que ele é nazista, fascista e quer ser o dono do mundo. As consequências chegam”, afirmou.

O deputado Eduardo Bolsonaro também aproveitou os atos para pressionar os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respectivamente, que resistem em pautar projetos de anistia. Eduardo sugeriu, em tom de ameaça, que ambos poderiam ser alvos de sanções de Trump, caso não avancem com a proposta.

Enquanto os bolsonaristas tomavam as ruas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participava de uma convenção do PT, em Brasília, onde preferiu adotar um tom de cautela ao tratar da crise com os Estados Unidos. “Tenho limite de briga com o governo americano. Não posso falar tudo o que eu acho que posso. Tenho que falar o que é possível”, declarou Lula, destacando a importância de uma relação diplomática equilibrada com o país que classificou como “o mais bélico e a maior economia do mundo”.

Ainda assim, Lula reafirmou que não abrirá mão da proposta de criação de uma moeda alternativa ao dólar para o comércio internacional, uma das bandeiras do Brics que vem gerando tensão com os EUA. Em julho, Trump já havia ameaçado sancionar os países do bloco caso avancem na tentativa de reduzir a dependência da moeda americana.

Os atos deste domingo deixam evidente que a base bolsonarista pretende manter a pressão sobre o Congresso e o Judiciário, enquanto busca apoio internacional, personificado em Donald Trump, para desgastar as instituições brasileiras. A ofensiva pela anistia, contudo, enfrenta crescente resistência dentro das próprias lideranças políticas nacionais.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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