
O evento reúne chefes de Estado, ministros, autoridades internacionais e representantes de organismos multilaterais. A intenção é clara: elevar o enfrentamento à mudança do clima ao mais alto nível político e consolidar bases para decisões estruturais na COP30.
Por Delmo Menezes
Belém (PA) — A capital paraense se prepara para viver dois dias de protagonismo internacional. Nesta quinta e sexta-feira (6 e 7 de novembro), a cidade recebe a Cúpula do Clima, encontro convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que antecede a realização da COP30, marcada para começar no dia 10. A expectativa é de que Belém se torne, ao longo de todo o mês, o centro das atenções mundiais no debate ambiental.
O evento reúne chefes de Estado, ministros e dirigentes de organismos multilaterais para discutir respostas urgentes ao avanço das mudanças climáticas, em um momento em que fenômenos extremos se multiplicam em praticamente todos os continentes. A Cúpula marca uma etapa política decisiva e busca alinhar posições antes das negociações oficiais da ONU.
Brasil retoma protagonismo global
Segundo o embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, a Cúpula foi desenhada para mostrar ao mundo que o Brasil quer liderar a pauta climática a partir da Amazônia. “A abertura da plenária será feita pelo presidente Lula, seguida de dois dias inteiros de pronunciamentos dos líderes”, explicou.
Além da plenária principal, três sessões temáticas presididas pelo presidente vão se debruçar sobre temas sensíveis da agenda global:
- Florestas e Oceanos,
- Transição Energética,
- 10 anos do Acordo de Paris, NDCs e financiamento climático.
O governo acredita que o encontro pode criar condições políticas mais favoráveis para decisões de peso durante a COP30.
Amazônia no centro das decisões
Para a embaixadora Liliam Chagas, negociadora-chefe do Brasil na COP30, realizar a Cúpula em Belém tem um significado simbólico e estratégico. “O mundo está preocupado. Aumentam os eventos extremos, e cresce a pressão por ações concretas. Este é o momento de dar à pauta climática o perfil político que ela merece”, afirmou.
Essa escolha reforça o esforço do governo em mostrar a Amazônia não apenas como área sob ameaça, mas como parte essencial da solução para a crise climática — tese que tem sido defendida pelo Planalto em fóruns internacionais.
Diplomacia ativa e busca por financiamento
Um dos pontos mais aguardados é o Almoço do Fundo de Florestas Tropicais (TFFF), que reunirá países detentores de grandes biomas tropicais e nações financiadoras. A iniciativa busca acelerar mecanismos de financiamento para preservação florestal — tema no qual o Brasil tenta ocupar posição de liderança.
O encontro também deve pressionar países desenvolvidos por metas mais ambiciosas de financiamento climático e incentivo à transição energética, áreas consideradas estratégicas para que o Acordo de Paris cumpra suas metas até 2030.
Mobilização da imprensa e da estrutura local
A estrutura da Cúpula será concentrada na Zona Azul, no Parque da Cidade. Um guia detalhado foi disponibilizado pelo governo federal para a imprensa, com orientações sobre deslocamentos, credenciamento e áreas de cobertura.
Com a chegada das delegações e o início das atividades oficiais, Belém já vive clima de grande evento internacional. A Cúpula do Clima funciona como uma “porta de entrada” para a COP30, que promete ser uma das edições mais relevantes da história do encontro climático da ONU.
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Da Redação do Agenda Capital




