Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, está internado no hospital DF Star em Brasília Foto: Wilton Júnior/Estadão

Ex-presidente segue na UTI do DF Star e defesa aguarda novo laudo médico para se pronunciar sobre prisão domiciliar

Por Delmo Menezes

O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar agravamento em seu quadro clínico. A defesa do ex-chefe do Executivo aguarda a emissão de um novo laudo médico para solicitar novamente à Justiça a concessão de prisão domiciliar.

A informação foi confirmada no sábado (14) pelo senador Flávio Bolsonaro, que visitou o pai no hospital. Segundo ele, o pedido deverá ser fundamentado no agravamento recente do estado de saúde e na necessidade de acompanhamento permanente.

De acordo com o parlamentar, apesar de o ex-presidente receber atendimento médico adequado enquanto está sob custódia, a família teme os riscos de ele permanecer longos períodos sozinho, especialmente devido aos efeitos colaterais de medicamentos que vem utilizando.

“Ele passa muito tempo do dia sozinho, essa que é a nossa preocupação. Ele pode desequilibrar por efeito colateral do remédio que toma para tentar conter o soluço, sofrer um acidente e alguém demorar até encontrá-lo”, afirmou o senador.

Novo relato sobre o estado de saúde

Também neste sábado, o ex-vereador e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, informou em suas redes sociais que o quadro clínico do pai continua grave.

Segundo ele, apesar da gravidade, Bolsonaro reagiu ao ver familiares durante a visita.

“Jair Bolsonaro ficou feliz e até esboçou um sorriso”, relatou Carlos. Ele afirmou ainda que conversou rapidamente com a equipe médica responsável pelo atendimento.

De acordo com o filho do ex-presidente, os médicos informaram que os antibióticos ainda não atingiram o efeito máximo esperado. “Conversei rapidamente com os médicos, que disseram que seu quadro continua grave, pois os antibióticos ainda não fizeram efeito máximo com as dosagens aplicadas, e como todo medicamento forte também podem sobrecarregar os rins”, escreveu.

Quadro clínico exige monitoramento

Boletim divulgado pelo Hospital DF Star aponta que Bolsonaro apresentou piora na função renal e elevação dos marcadores inflamatórios. Apesar disso, o ex-presidente segue clinicamente estável, mas sem previsão de alta da UTI.

Ele foi levado ao hospital na manhã de sexta-feira (13), após apresentar complicações de saúde. Segundo relatos da família, Bolsonaro permanece debilitado, com aparência abatida, voz enfraquecida e persistência de crises de soluço — sintomas que já haviam sido registrados anteriormente.

Flávio Bolsonaro afirmou que a rapidez no atendimento foi fundamental para evitar uma situação mais grave.

“Se tivesse demorado uma ou duas horas, poderia realmente ter complicado, avançando para um quadro de infecção generalizada. Isso reforça a importância de ele ter acompanhamento permanente, seja de familiares, seja de profissionais de saúde, 24 horas por dia, algo que seria possível em casa”, declarou.

Possível novo pedido à Justiça

A defesa do ex-presidente pretende usar o novo relatório médico para reforçar o argumento de que Bolsonaro necessita de acompanhamento contínuo, condição que, segundo os advogados, poderia ser melhor garantida em regime de prisão domiciliar.

Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025 por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena de 27 anos e três meses em regime fechado. Ele está custodiado na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

Caso o novo pedido seja apresentado, caberá ao STF analisar se as condições médicas justificam a substituição do regime fechado pela prisão domiciliar.

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Da Redação do Agenda Capital

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