Especialistas cobram solução para BRB após envio de auditoria à PF
Por Redação
O Banco de Brasília (BRB) informou que encaminhou à Polícia Federal o relatório final da auditoria independente que apura possíveis irregularidades envolvendo o chamado “caso Master”. O documento foi produzido pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll.
A medida, segundo fato relevante divulgado pelo banco, visa permitir que as autoridades avaliem o material e, caso identifiquem indícios de irregularidades, adotem as providências cabíveis.
Auditoria apontou indícios de conexões suspeitas
A investigação foi dividida em duas etapas. Na primeira fase, a auditoria identificou a sobreposição de nomes e fundos que participaram da compra de ações do BRB com aqueles envolvidos em um suposto esquema de fraude na aquisição de carteiras de crédito, estimado em R$ 12,2 bilhões.
Já na segunda fase, o foco esteve no processo de compra e substituição dessas carteiras adquiridas pelo banco junto ao conglomerado ligado ao empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com o BRB, uma comissão independente de investigação recebeu o relatório final com as conclusões dos trabalhos e decidiu pelo encaminhamento do material à Polícia Federal.
“A comissão independente de investigação atestou o recebimento do relatório final […] tendo promovido o encaminhamento do respectivo material à Polícia Federal, para, caso identifique materialidade, adote eventuais medidas cabíveis”, informou o banco.
Compromisso com transparência
Em nota, o BRB destacou que segue comprometido com a transparência, governança corporativa e a correta prestação de informações ao mercado, ressaltando, no entanto, a necessidade de պահպանção de sigilo legal e proteção de dados sensíveis durante o processo.
“O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, com a governança corporativa e com a adequada prestação de informações ao mercado”, declarou a instituição.
Especialista cobra soluções estruturais
Diante do cenário, o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo, defendeu a adoção de medidas estruturais urgentes para garantir a estabilidade do banco.
Segundo ele, uma das alternativas é a realização de novos aportes por parte dos acionistas, especialmente do Governo do Distrito Federal (GDF), controlador da instituição.
“Os aportes precisam ser feitos pelos sócios, principalmente o GDF, e isso deve ser decidido em assembleia. Também existe a possibilidade de aquisição por outra instituição, o que chamamos de federalização, ou a venda de ativos”, explicou.
Apesar disso, a hipótese de federalização teria sido inicialmente descartada pelo Palácio do Planalto.
Falta de informações preocupa mercado
Bergo também criticou a falta de transparência e a demora na divulgação de informações mais detalhadas sobre o caso, o que, segundo ele, gera insegurança entre acionistas e órgãos de controle, como o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“A assembleia é o órgão deliberativo da sociedade e precisa decidir o destino da empresa, mas os acionistas não têm acesso a informações completas. O que há, nesse momento, são dados desencontrados e um aumento constante dos valores envolvidos”, destacou.
A expectativa agora recai sobre a análise da Polícia Federal, que poderá aprofundar as investigações e eventualmente responsabilizar envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.
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Da Redação do Agenda Capital





