
Programas de combate à obesidade passam a incluir medicamentos para perda de peso como estratégia para melhorar a saúde, reduzir afastamentos e aumentar a produtividade.
Por Redação
As chamadas canetas emagrecedoras, que revolucionaram o tratamento da obesidade nos últimos anos, começam a ganhar espaço também dentro das empresas brasileiras. O medicamento, utilizado para auxiliar na perda de peso sob acompanhamento médico, está sendo incorporado por algumas companhias aos programas de saúde e bem-estar oferecidos aos funcionário
De acordo com matéria divulgada pelo Estadão, o movimento ocorre em um cenário preocupante: cerca de 60% da população brasileira está acima do peso e entre 25% e 30% é considerada obesa. Como esses índices também se refletem no ambiente corporativo, empresas passaram a enxergar a obesidade não apenas como um problema de saúde pública, mas também como um desafio relacionado à produtividade, ao absenteísmo e aos custos dos planos de saúde.
Companhias como a Petrobras, a VLI e a Mondelez Brasil já oferecem algum tipo de subsídio para a aquisição dos medicamentos por colaboradores que atendam aos critérios médicos estabelecidos. Em alguns casos, o benefício cobre integralmente o tratamento; em outros, funciona por meio de coparticipação.
A tendência também tem sido observada por empresas especializadas em gestão de saúde corporativa. Na Teladoc, que presta serviços de medicina remota para cerca de 150 empresas, pelo menos um quarto dos clientes já implementou ou estuda programas que incluem o uso de canetas emagrecedoras.
Segundo o diretor-médico da empresa, Caio Soares, a popularização desses medicamentos ampliou o debate entre gestores de Recursos Humanos.
“Quando a caneta era um produto importado e mais restrito, o tema não estava tão presente. Hoje ele faz parte das discussões sobre novos benefícios corporativos e qualidade de vida”, afirma.
A expectativa de redução dos custos dos medicamentos também contribui para a expansão do benefício. Com o vencimento de patentes e a entrada de novos fabricantes no mercado, especialistas acreditam que os tratamentos poderão se tornar mais acessíveis nos próximos anos.
Caso VLI: investimento para melhorar a qualidade de vida
Um dos exemplos mais estruturados vem da VLI, empresa de logística multimodal que opera ferrovias, terminais portuários e rodovias em todo o país.
Após exames periódicos realizados em 2025, a companhia identificou que aproximadamente 25% de seus cerca de 8 mil funcionários apresentavam algum grau de obesidade. Diante do cenário, foi criado um programa específico para acompanhamento dos casos mais graves.
Dos trabalhadores avaliados, 206 foram selecionados para participar do tratamento. O primeiro grupo, formado por 55 colaboradores, iniciou as atividades em fevereiro deste ano. Para essa etapa, a empresa destinou R$ 200 mil para custear integralmente as canetas emagrecedoras.
O programa vai além do fornecimento do medicamento. Os participantes recebem acompanhamento de endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos, preparadores físicos e médicos do trabalho, dentro de uma estratégia multidisciplinar voltada para a saúde integral.
A expectativa da empresa é melhorar a qualidade de vida dos funcionários, aumentar o engajamento e reduzir afastamentos por problemas de saúde.
Benefício ajuda na retenção de talentos
Especialistas em gestão de pessoas avaliam que o subsídio às canetas emagrecedoras pode se transformar em uma importante ferramenta de atração e retenção de talentos.
Em um mercado de trabalho marcado pela baixa taxa de desemprego e pela dificuldade de contratação de mão de obra qualificada, empresas têm buscado ampliar os programas de benefícios voltados ao bem-estar físico e mental.
Segundo a consultora de Recursos Humanos Regiane Herchcovitch, a obesidade afeta diretamente a autoestima, o bem-estar e a saúde dos trabalhadores, além de aumentar os riscos de doenças associadas, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.
“Quando o colaborador percebe que a empresa se preocupa com sua saúde de forma ampla, isso fortalece o vínculo com a organização e contribui para sua permanência”, destaca.
Dados da empresa Slimpass indicam que cada R$ 1 investido em programas estruturados de combate à obesidade pode gerar até R$ 14 em economia futura com despesas médicas e utilização dos planos de saúde.
Especialistas alertam para riscos
Apesar dos benefícios, médicos alertam que o uso das canetas emagrecedoras deve ocorrer exclusivamente sob supervisão profissional e dentro de programas completos de tratamento.
Especialistas destacam que os medicamentos promovem significativa perda de peso, mas também podem reduzir a massa muscular quando não são acompanhados por orientação nutricional adequada e prática regular de exercícios físicos.
Para Caio Soares, da Teladoc, a utilização indiscriminada pode gerar problemas de saúde no médio e longo prazo.
“O medicamento é uma ferramenta importante, mas precisa estar inserido em um programa estruturado. Sem acompanhamento adequado, os pacientes podem desenvolver perda excessiva de massa muscular e outras complicações”, alerta.
O mesmo entendimento é compartilhado por profissionais da área de gestão da obesidade. Segundo eles, subsidiar apenas o medicamento, sem oferecer suporte multidisciplinar, pode comprometer os resultados e aumentar riscos futuros para trabalhadores e empresas.
Diante desse cenário, a tendência é que as organizações que adotem o benefício invistam cada vez mais em programas integrados de saúde, combinando acompanhamento médico, orientação nutricional, atividade física e suporte psicológico para garantir resultados duradouros e sustentáveis.
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Da Redação do Agenda Capital




