Bolsonaro escreve carta da prisão, defende Michelle e condena ataques da própria direita
Por Delmo Menezes
O ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou, neste domingo (1º), uma carta escrita de próprio punho na prisão em que sai em defesa da esposa, Michelle Bolsonaro, condena ataques “da própria direita” e afirma que pediu para que ela só se envolva diretamente na política a partir de março de 2026. O texto foi divulgado pela assessoria da ex-primeira-dama e ocorre em meio às especulações sobre sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
Na carta, Bolsonaro afirma que Michelle está “ocupada” com os cuidados da filha do casal, Laura, de 15 anos — recém-operada — e com a sua própria situação, já que ele está preso no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Ainda assim, o ex-presidente deixa claro que vê a esposa como um nome para a disputa eleitoral e estabelece um marco temporal para o início dessa atuação.
“À Michelle pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém-operada, bem como nos cuidados à minha pessoa”, escreveu.
Recado aos aliados e críticas internas
Sem citar nomes, Bolsonaro direciona críticas a setores do campo conservador que, segundo ele, têm atacado aliados e a própria Michelle. O ex-presidente defende que disputas por apoio, especialmente em campanhas majoritárias e para o Senado, sejam resolvidas “pelo diálogo e convencimento”, e não por “pressões ou ataques entre aliados”.
“Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa”, afirma no texto.
A manifestação ocorre após episódios recentes de desgaste público. O deputado federal Eduardo Bolsonaro criticou Michelle e o também deputado Nikolas Ferreira por, segundo ele, não apoiarem de forma explícita uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Além disso, o comunicador Allan dos Santos trocou farpas com a ex-primeira-dama ao sugerir que ela atuaria a favor de um projeto presidencial do governador Tarcísio de Freitas, em detrimento de nomes da própria família Bolsonaro.
Todos os envolvidos são filiados ou orbitam o Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente.
Michelle no radar para o Senado
Embora Michelle tenha dito, em declarações recentes, que entrega seu futuro político “a Deus” e não confirme oficialmente a candidatura, seu nome é tratado como prioridade no PL para a disputa de uma das vagas ao Senado pelo DF em 2026. A estratégia em discussão prevê uma “dobradinha” com a deputada federal Bia Kicis, fortalecendo o palanque conservador na capital federal.
No texto, Bolsonaro reforça a necessidade de unidade no campo da direita e encerra com um apelo à coesão: “Da nossa união, o futuro do Brasil”.
Bastidores e entrevista frustrada
A carta também vem à tona após um episódio envolvendo a imprensa. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou Bolsonaro a conceder uma entrevista de até uma hora dentro da carceragem da Polícia Federal. No dia marcado, porém, o ex-presidente comunicou, por meio de um bilhete, que não estava em condições de falar devido a problemas de saúde.
A divulgação da carta, agora, recoloca Bolsonaro no centro do debate político e sinaliza, de forma explícita, a aposta do ex-presidente na entrada de Michelle Bolsonaro na disputa eleitoral de 2026, com foco no Senado e no Distrito Federal.
Leia a carta de Bolsonaro na íntegra
“Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade – para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa”.
“A Michelle pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém operada, bem como nos cuidados à minha pessoa.Numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”.
Meu muito obrigado a todos pelo carinho e consideração”.
“Da nossa união, o futuro do Brasil”.
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Da Redação do Agenda Capital





