
Fé, política e gestão marcam missa dos 66 anos de Brasília na Catedral
Por Delmo Menezes
A celebração dos 66 anos de Brasília, nesta terça-feira (21), teve início com um forte simbolismo religioso e institucional na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. A tradicional missa em ação de graças reuniu não apenas fiéis, mas também importantes lideranças políticas, transformando o ato litúrgico em um momento de convergência entre fé, gestão pública e sinalizações políticas.
Entre os presentes estavam o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), além de integrantes do primeiro escalão do Governo do Distrito Federal (GDF), parlamentares e dirigentes de órgãos estratégicos.

Fé e gestão pública no mesmo altar
Presidida pelo pároco Agenor Vieira, a missa trouxe reflexões sobre união, responsabilidade e compromisso com o futuro da capital. Em sua homilia, o sacerdote destacou a importância da participação coletiva na construção da cidade e reforçou o papel dos governantes como instrumentos de transformação social.
A ausência do arcebispo Dom Paulo Cezar, que participa de um encontro episcopal em Aparecida (SP), não diminuiu o peso institucional da celebração, que tradicionalmente abre as comemorações oficiais do aniversário da capital.

Discurso de responsabilidade e recado político
O tom político da cerimônia ficou evidente nas falas da governadora Celina Leão. Ao justificar a ausência de festividades tradicionais neste ano, ela destacou a decisão de redirecionar R$ 25 milhões que seriam destinados a eventos comemorativos para a área da saúde.
Segundo a governadora, os recursos foram utilizados para a contratação de 120 médicos, numa clara sinalização de prioridade administrativa e resposta às demandas da população.
“O melhor presente que podemos dar para Brasília é investir naquilo que a população precisa”, afirmou, ao defender uma gestão pautada por responsabilidade, coragem e escuta ativa da sociedade.
A declaração também pode ser interpretada como um gesto político em um momento em que a eficiência do gasto público e a sensibilidade social ganham cada vez mais peso no debate público.
Presenças estratégicas e articulação institucional
A presença do vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou o caráter institucional da celebração, aproximando o governo federal das comemorações locais e evidenciando a interlocução entre diferentes esferas de poder.
Também participaram nomes relevantes da política e da administração do DF, como a deputada federal Bia Kicis e secretários das áreas de saúde, segurança, educação e agricultura, além de dirigentes de órgãos como Emater, Ibram e Caesb.
Esse conjunto de autoridades transformou a missa em um espaço simbólico de articulação política, onde a liturgia religiosa se entrelaça com a demonstração de unidade institucional.
Brasília entre o sagrado e o poder
Projetada por Oscar Niemeyer, a Catedral de Brasília não é apenas um marco arquitetônico, mas também um símbolo da identidade da capital — onde se cruzam religião, política e história.
Ao completar 66 anos, Brasília reafirma essa característica singular: uma cidade onde decisões administrativas, manifestações de fé e movimentos políticos frequentemente compartilham o mesmo espaço.
A missa desta terça-feira evidenciou exatamente isso — mais do que uma celebração religiosa, o ato foi também um momento de reafirmação de compromissos, sinalizações políticas e construção de narrativas sobre o presente e o futuro da capital federal.
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Da Redação do Agenda Capital




