
Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), fez um apelo urgente para que as instituições financeiras invistam em adaptação antes que as populações sejam atingidas por eventos climáticos extremos.
Por Redação
Belém, 11 de novembro de 2025 — Os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) reafirmaram seu compromisso com o fortalecimento e a aceleração do financiamento climático no primeiro dia da COP30, nesta segunda-feira, 10/11. As instituições financeiras apresentaram um relatório com métricas, metodologias e melhores práticas para ampliar a aplicação de recursos em natureza e biodiversidade, com foco na adaptação à mudança do clima.
O tema foi central no Evento de Alto Nível sobre Adaptação, que reuniu presidentes e vice-presidentes de BMDs e Fundos Climáticos para debater o texto, intitulado “Da Inovação ao Impacto: Construindo Resiliência para as Pessoas e o Planeta”, e os gargalos a serem superados para atingir os objetivos de financiamento.
💰 Fundo ARISE recebe contribuição de US$ 100 milhões
Durante o evento, os Fundos de Investimento Climático (CIF) anunciaram um aporte inicial de US$ 100 milhões para o programa de investimentos ARISE (Acelerando Investimentos em Resiliência e Inovações para Economias Sustentáveis), uma iniciativa lançada em outubro.
- A Alemanha contribuiu com US$ 63,25 milhões.
- A Espanha com US$ 36,8 milhões.
O programa ARISE foi avaliado pelos participantes da sessão como um exemplo a ser seguido no financiamento de resiliência.
🗣️ Chamados à ação e implementação
A CEO da COP30, Ana Toni, destacou que o esforço dos bancos é uma clara demonstração das iniciativas necessárias para o cumprimento do Mapa do Caminho de Baku a Belém. “Este é exatamente o tipo de exemplo que queríamos desta COP: que fosse uma COP da implementação, que fortalecesse o multilateralismo e que mostrasse como as pessoas podem ser impactadas positivamente por essa transição energética”, afirmou.
Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), fez um apelo urgente para que as instituições financeiras invistam em adaptação antes que as populações sejam atingidas por eventos climáticos extremos.
“O papel dos BMDs é ajudar os países a se prepararem, a investir em resiliência antes que a crise aconteça, não depois. Isso significa ampliar o financiamento, alinhar sistemas e tornar a resiliência central no modo como planejamos, construímos e crescemos”, ressaltou Goldfajn.
Selwin Hart, secretário-geral Assistente para Ação Climática das Nações Unidas, alertou para a necessidade de rapidez e escala no financiamento, priorizando países em desenvolvimento que já sofrem mais que a média global com o aumento da temperatura.
📈 Metas, desafios e próximos passos
O relatório dos BMDs aponta que as instituições estão a caminho de cumprir a meta de Glasgow, de dobrar o financiamento para adaptação a partir de 2019.
| Indicador | Balanço (2024) | Meta (2030) |
| Financiamento dos BMDs (Adaptação e Mitigação) | US$ 137 bilhões | US$ 120 bilhões (próprios recursos) |
| Financiamento Mobilizado do Capital Privado | US$ 134 bilhões | US$ 65 bilhões |
| Financiamento para Adaptação (Países de baixa e média renda) | Mais de US$ 26 bilhões | US$ 42 bilhões |
Apesar do progresso, os bancos identificam barreiras persistentes como restrições fiscais e pipelines de projetos limitados que dificultam os investimentos em adaptação. Para superá-las, os BMDs recomendam:
- Fortalecer a coordenação entre setores de governo.
- Criar incentivos mais claros para a participação do setor privado.
- Otimizar o uso de recursos concessionais.
- Transformar estratégias climáticas em oportunidades bancáveis.
A restrição orçamentária da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), financiamento de governos de países desenvolvidos para nações em desenvolvimento, foi outro ponto de dificuldade apontado no debate.
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Da Redação do Agenda Capital




