Apesar do desempenho considerado competitivo, a candidatura de Flávio ainda enfrenta resistência entre partidos do Centrão
Por Delmo Menezes
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, descarta a viabilidade de uma terceira via competitiva na disputa pelo Palácio do Planalto. Após o governador Ronaldo Caiado anunciar sua saída do União Brasil e se somar, no PSD, a um grupo de governadores dispostos a disputar a Presidência da República, o dirigente partidário passou a defender abertamente a unificação do campo de centro-direita já no primeiro turno. Nesse cenário, Valdemar faz um apelo para que essas forças políticas se alinhem desde o início à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tratado pelo partido como o nome mais competitivo da oposição.
Valdemar afirmou que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República é “viável e irreversível”. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil e reforça o movimento do partido para consolidar o nome do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro como principal aposta da direita para a disputa pelo Palácio do Planalto.
A avaliação de Valdemar ocorre em meio à divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest, publicada no último dia 14 de janeiro. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança dos cenários testados. Em um eventual segundo turno, Lula aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 38%. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Apesar do desempenho considerado competitivo, a candidatura de Flávio ainda enfrenta resistência entre partidos do Centrão. Dirigentes dessas legendas avaliam os impactos regionais da escolha e mantêm espaço para alternativas no campo da direita, especialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos bastidores, aliados de Tarcísio reconhecem o protagonismo recente do senador, mas não descartam a viabilidade do governador em uma eventual disputa presidencial.
O próprio Flávio Bolsonaro tem adotado um discurso de irreversibilidade. No último sábado (17), o senador afirmou que sua decisão de concorrer “não tem volta” e defendeu a convergência das forças de direita. Em tom conciliador, citou tanto Tarcísio de Freitas quanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como figuras centrais para a construção de uma frente unificada.
“Todos nós que queremos um Brasil melhor temos que ter muita sabedoria e união para vencer o partido das trevas. A gente precisa praticar aquilo que prega: como vamos unir o Brasil se não conseguimos unir a direita antes?”, declarou o senador. Na sequência, reforçou: “Não caiam em pilha errada. O Tarcísio é um aliado fundamental. A Michelle tem um papel importantíssimo”.
Apesar de Michelle Bolsonaro nunca ter declarado publicamente preferência por Tarcísio de Freitas como candidato ao Planalto, gestos recentes da ex-primeira-dama vêm sendo interpretados por aliados do bolsonarismo como sinais nessa direção. O compartilhamento de vídeos do governador paulista nas redes sociais, por exemplo, alimentou desconfianças e levantou questionamentos internos sobre seu posicionamento no processo de definição do nome da direita para as eleições.
Com o aval público de Valdemar Costa Neto e o discurso de unidade adotado por Flávio Bolsonaro, o PL trabalha para reduzir resistências e ampliar o arco de alianças, enquanto o tabuleiro político segue em aberto e a disputa pela liderança do campo conservador continua em curso.
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Da Redação do Agenda Capital





