Hospital da Criança de Brasília registra cura de 80% de casos de leucemia linfoide aguda | Fotos: Divulgação/HCB

Diagnóstico precoce ainda é o maior aliado contra o câncer infantil para salvar vidas

Por Redação

Celebrado em 15 de fevereiro, o Dia Internacional da Luta Contra o Câncer Infantil reforça a importância do diagnóstico precoce, da informação de qualidade e do acesso a centros especializados. No Distrito Federal, essa data ganha destaque com a atuação do Hospital da Criança de Brasília José Alencar, referência nacional no tratamento oncológico infantojuvenil, que alia tecnologia de ponta, ensino e pesquisa ao cuidado integral das crianças atendidas pelo Sistema Único de Saúde.

Com mais de 14 anos de história, o HCB apresenta indicadores de sobrevida comparáveis aos dos principais centros internacionais. Um dos resultados mais expressivos é a taxa de cura de cerca de 80% dos casos de leucemia linfoide aguda (LLA), percentual superior à média da América Latina e Caribe, estimada em aproximadamente 55%, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde.

Câncer infantil: raro, agressivo e com alta chance de cura

Diferentemente do câncer em adultos — frequentemente associado a fatores ambientais e ao estilo de vida — o câncer infantil tem, em sua maioria, origem embrionária. Por isso, é considerado uma condição rara: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, doenças raras atingem até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes, e o câncer infantil incide em menos de 0,2% da população pediátrica.

Mesmo sendo tumores agressivos e de rápida evolução, os cânceres infantis respondem melhor aos tratamentos modernos, como quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Essa combinação faz com que as chances de cura sejam elevadas quando o diagnóstico ocorre de forma precoce.

Números no Brasil

Segundo o relatório Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões, do Instituto Nacional de Câncer, o país deve registrar, entre 2026 e 2028, cerca de 7.560 novos casos de câncer em crianças e adolescentes até 19 anos, com taxa bruta de 134,81 casos por milhão. A incidência é levemente maior em meninos (52,4%) do que em meninas (47,6%).

Para a diretora técnica e interina de Ensino e Pesquisa do HCB, Isis Magalhães, a organização de centros de alta complexidade amplia significativamente as possibilidades de tratamento e prognóstico. “Hoje conseguimos unir assistência especializada, ensino e pesquisa no mesmo espaço, o que permite identificar subtipos da doença e oferecer tratamentos cada vez mais personalizados”, explica.

Renata Barros com o filho Ravi, paciente, na brinquedoteca do HCB:  “Às vezes, a gente, que é mãe, não procura saber sobre uma doença, né? Eu mesmo nunca pensei em estar passando por isso, mas depois que eu tive o diagnóstico do Ravi,  passei a pesquisar mais”

Estrutura de alta complexidade e parcerias internacionais

Habilitado pelo Ministério da Saúde como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) exclusiva de oncologia pediátrica, o HCB também realiza transplantes de medula óssea autogênicos e alogênicos. O hospital integra o Programa Aliança Amarte, desenvolvido em parceria com o St. Jude Children’s Research Hospital, referência mundial na pesquisa e no tratamento do câncer infantojuvenil.

Graças à sua especialização, o HCB recebe pacientes de diversas regiões do país por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD). É o caso de Ravi Barros, de 4 anos, diagnosticado com leucemia linfoide aguda, cuja mãe, Renata Suelen Barros, destaca a importância do acolhimento e da troca de apoio entre as famílias durante o tratamento.

Medicina de precisão e vigilância genética

Avanços recentes no HCB incluem imunoterapia, terapias-alvo e diagnóstico molecular por sequenciamento genético. A oncologia moderna deixou de tratar apenas “o câncer” para tratar a “assinatura genética” de cada tumor, permitindo terapias mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

A médica Renata Sandoval, coordenadora de Genética Clínica do HCB, explica que a maioria dos cânceres infantis não é hereditária, mas que o estudo da oncogenética pediátrica permite identificar síndromes de predisposição genética, beneficiando não apenas a criança, mas toda a família, com vigilância adequada e diagnóstico precoce.

Educação em saúde: chave para o diagnóstico precoce

O maior desafio no combate ao câncer infantil ainda é o diagnóstico tardio, já que os sintomas costumam se confundir com doenças comuns da infância. Por isso, a educação em saúde é considerada uma das principais ferramentas de prevenção.

Além do atendimento hospitalar, o HCB atua como polo de capacitação da Atenção Primária à Saúde, promovendo teleconsultorias e protocolos de encaminhamento. Em parceria com a Abrace e o Instituto Ronald McDonald, o hospital realizou, em 2025, a segunda edição do Programa Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil, que capacitou 280 profissionais da rede básica.

Especialistas reforçam que o olhar atento dos pais, cuidadores e profissionais de saúde é o primeiro passo para a cura. Valorizar queixas persistentes e buscar avaliação médica especializada pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida das crianças.

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Da Redação do Agenda Capital

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