O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Celso Silva/Governo do Estado de SP

Pesquisa eleitoral acende alerta em SP e Tarcísio busca nomes fortes para o Senado

Por Delmo Menezes

A corrida pelas duas vagas ao Senado em São Paulo já se transformou em um dos principais pontos de atenção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Pesquisas recentes indicando bom desempenho de nomes ligados à esquerda, como Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (Rede), acenderam o alerta no Palácio dos Bandeirantes e levaram o governador a defender, nos bastidores, a escolha de candidatos altamente competitivos para enfrentar o PT no principal colégio eleitoral do país.

A montagem da chapa ao Senado, que parecia resolvida meses atrás, hoje é vista como um flanco aberto para o governador. O nome mais consolidado até agora é o do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), apontado como candidato de consenso dentro do grupo político de Tarcísio. No entanto, a relação entre os dois passou por um período de desgaste após mudanças internas na Secretaria de Segurança, incluindo a demissão de quadros ligados ao ex-secretário, o que gerou desconforto entre aliados.

Apesar do mal-estar, interlocutores próximos ao governador e a Derrite descartam rompimento. Ambos afirmam que o ex-secretário segue como principal aposta ao Senado e que as alterações na pasta fazem parte de um processo natural de reorganização administrativa. O próprio Tarcísio, em declarações recentes, reiterou que Derrite continua sendo um nome de consenso para a disputa.

Pesquisas acirram preocupação

A apreensão do governador aumentou após a divulgação de levantamentos eleitorais que mostram um cenário mais competitivo do que o inicialmente esperado. Pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, divulgada em fevereiro, indica Haddad na liderança, com Derrite e Marina Silva tecnicamente empatados na disputa pela segunda vaga. O resultado reforçou, dentro do governo paulista, a avaliação de que Derrite não pode enfrentar sozinho dois nomes fortes da esquerda.

Nesse contexto, a escolha do segundo candidato ao Senado ganhou caráter estratégico. Em conversas reservadas, Tarcísio tem defendido que a decisão seja “cirúrgica”, para evitar o risco de derrota do campo bolsonarista em São Paulo. A preocupação foi discutida diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em encontro ocorrido no fim de janeiro.

O acordo político firmado no ano passado previa que o governador indicaria um nome — Derrite — e Bolsonaro ficaria responsável pela segunda vaga. Inicialmente, a escolha do ex-presidente recaiu sobre o filho, Eduardo Bolsonaro, que, no entanto, está nos Estados Unidos e sinaliza que não deve disputar a eleição.

Racha no PL e disputa por indicações

A ausência de Eduardo abriu um racha interno no PL paulista. O grupo mais próximo do deputado defende o nome de Gil Diniz, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tenta viabilizar a deputada federal Rosana Valle. Também circulam como possíveis candidatos os deputados Mário Frias e Marco Feliciano, além do vice-prefeito da capital, Mello Araújo.

O nome de Gil Diniz, contudo, enfrenta resistência direta do governador. Tarcísio já manifestou contrariedade à sua indicação e, segundo aliados, atuou para evitar que o deputado assumisse o comando do PL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Paralelamente, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tenta costurar uma solução alternativa: a indicação do presidente da Alesp, André do Prado, para compor a chapa como vice-governador. A justificativa seria o peso da bancada liberal no Legislativo paulista e a necessidade de manter a governabilidade. Nesse cenário, a segunda vaga ao Senado poderia ser cedida a outro partido da coligação.

Vice também entra no tabuleiro

A articulação, porém, esbarra na preferência de Tarcísio por manter Felício Ramuth (PSD) como vice. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, também trabalha para preservar o espaço do partido na chapa, apesar de resistências internas no entorno do governador.

“Vamos ponderar isso com base em pesquisas. Precisamos testar os nomes para ver quem tem mais aptidão para concorrer a essa segunda vaga no Senado. Sabemos que será uma eleição dura e disputada”, afirmou Tarcísio recentemente, sinalizando que a decisão final dependerá do desempenho dos possíveis candidatos nos levantamentos eleitorais.

Parte dos aliados do governador defende um perfil mais moderado para a segunda vaga, como o do ex-governador Rodrigo Garcia. Outros afirmam que não há um perfil fechado e que o critério central será a competitividade contra a esquerda.

Senado como prioridade bolsonarista

A preocupação em São Paulo reflete uma mudança de percepção dentro do bolsonarismo. Até o ano passado, setores mais otimistas do grupo davam como certa a eleição de dois nomes alinhados a Bolsonaro no estado. Hoje, o cenário é visto como aberto e arriscado.

O Senado é considerado prioridade absoluta para Bolsonaro nesta eleição. A estratégia passa por ampliar a bancada aliada na Casa Alta, eleger o presidente do Senado e avançar com pautas sensíveis, como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes. No fim do ano passado, porém, uma decisão do ministro Gilmar Mendes elevou a exigência para esse tipo de processo, que agora depende do apoio de dois terços dos senadores.

Diante desse cenário, São Paulo deixou de ser tratado como território garantido e passou a ocupar o centro das preocupações do governador Tarcísio de Freitas e do núcleo bolsonarista. A definição de nomes fortes para o Senado pode ser decisiva não apenas para o resultado local, mas também para o equilíbrio de forças no Congresso Nacional a partir de 2027.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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