O quadro político do DF para 2026 ainda é volátil e “muita água ainda vai correr debaixo desta ponte”.
Por Delmo Menezes
Com a proximidade das eleições de 2026, a política do Distrito Federal começa a se agitar em ritmo acelerado. Os prazos de filiação partidária e desincompatibilização de cargos — fixados para 4 de abril de 2026 — servem como linha de corte para aqueles que sonham em disputar o Palácio do Buriti. Enquanto isso, os bastidores fervem com articulações, conversas reservadas e especulações sobre alianças e composições.
Arruda no tabuleiro: retorno ou bastidores?
O nome do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) voltou a circular com força nas rodas políticas. Mesmo sem partido, sua presença ainda mexe com os bastidores. Há quem aposte em uma candidatura majoritária, mas também há fortes indícios de que Arruda deve mirar uma cadeira na Câmara dos Deputados, caminho mais seguro e com maior viabilidade.
Nos cenários de bastidores, o senador Izalci Lucas (PL) aparece cotado como eventual vice em uma chapa encabeçada por Arruda. Outra hipótese é uma composição com o ex-ministro e pastor Ronaldo Fonseca (PSD), amigo pessoal do ex-governador e com forte trânsito no segmento evangélico. Esse setor, como se sabe, é decisivo em qualquer eleição no DF.
Paula Belmonte: aposta em articulação e base de apoio
A deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania) vem ampliando suas movimentações para se consolidar como alternativa viável em uma disputa majoritária. Seu marido, o empresário Luis Felipe Belmonte, tem sido peça-chave na articulação política, buscando alianças que possam dar musculatura à sua pré-candidatura. O desafio de Paula é furar o bloqueio da polarização e se apresentar como opção de “renovação” para o eleitorado brasiliense. Corre por fora, mas pode crescer como alternativa de “terceira via” se o eleitorado buscar novidade.
Paulo Octávio e o peso da tradição política
O empresário Paulo Octávio (PSD) vem se dedicando a preparar o terreno para o filho, André Kubitschek, que deve concorrer a uma vaga na Câmara Legislativa. André tem percorrido o DF e se apresentado mais ao público, mas ainda carece de experiência política. Nos bastidores, PO não descarta a possibilidade de ser vice em uma chapa competitiva. Seu nome, sempre lembrado em eleições, ainda tem peso, mas sua estratégia parece mais voltada a garantir espaço de influência do que disputar a cabeça de chapa.
Leila Barros e o “chapão” da esquerda
A senadora Leila Barros (PDT) tem intensificado diálogos com diversos atores da centro-esquerda e esquerda. Entre os nomes em articulação estão Leandro Grass, Ricardo Cappelli, Agnelo Queiroz, Rodrigo Rollemberg e Reginaldo Veras. A ideia seria formar um “chapão” que viabilize a construção de uma candidatura competitiva contra o bloco governista. Nesse campo, no entanto, prevalece a dependência do aval do presidente Lula, que terá a palavra final sobre quem será o candidato oficial da esquerda no DF. A senadora para se viabilizar, depende de alianças ampla.
Cappelli: outsider em terreno desconhecido
O nome de Ricardo Cappelli (PSB), atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, surge com apoio de setores ligados ao vice-presidente Geraldo Alckmin. Contudo, sua condição de “outsider” em Brasília enfraquece a tentativa de viabilização. Sem base eleitoral consolidada e com baixa penetração popular, Cappelli dificilmente encontrará espaço real para emplacar uma candidatura majoritária.
Leandro Grass (PT) a aposta do PT e da esquerda para 2026
Leandro Grass ganhou notoriedade em 2022, quando disputou o primeiro turno contra Ibaneis Rocha. Naquela eleição, obteve cerca de 40% dos votos válidos, consolidando-se como principal representante do campo progressista no DF. Naquele pleito, o governador Ibaneis venceu as eleições ainda no primeiro turno.
Recentemente, Leandro Grass se filiou ao PT, movimento estratégico para viabilizar sua candidatura ao Governo do DF em 2026. A ida ao partido fortalece sua estrutura de campanha, amplia recursos e aproxima sua trajetória do presidente Lula, que terá papel decisivo na escolha do candidato da esquerda.
Celina Leão: nome forte do governo
A vice-governadora Celina Leão (PP) aparece como a candidata mais consistente no campo governista. Com o governador Ibaneis Rocha mirando o Senado, Celina tem ampliado sua base de apoio e conquistado bons índices de avaliação nas pesquisas. Seu vice, Gustavo Rocha (Republicanos), também tem buscado maior aceitação no meio político, reforçando a ideia de continuidade da gestão atual. Hoje, Celina se mostra a pré-candidata mais bem posicionada na corrida.
Outras movimentações: Centrão busca espaço
Figuras como o deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil) e o ex-ministro Ronaldo Fonseca (PSD) também se apresentam como alternativas, especialmente no campo do Centrão. Fonseca, além de sua relação com Arruda de quem pode ser convidado para compor chapa majoritária, conta com o respaldo do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o que lhe garante certa relevância nas negociações.
Cenário em constante mudança
O quadro político do DF para 2026 ainda é volátil. Como já dizia o ex-governador mineiro Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e está de um jeito; olha de novo e já mudou”.
Cenas dos próximos capítulos!!!.
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Da Redação do Agenda Capital





