Pesquisa eleitoral. Imagem criada através de IA.

Em ano pré-eleitoral, a ‘guerra’ não é só nas ruas — ela acontece também no campo da informação

Por Delmo Menezes*

À medida que as eleições de 2026 se aproximam, cresce também a enxurrada de pesquisas eleitorais divulgadas quase que diariamente. São levantamentos para todos os gostos, cenários e interesses. Em muitos casos, trata-se de pesquisas encomendadas — muitas vezes pelo próprio grupo político interessado — nas quais o “pretenso candidato” já aparece cuidadosamente posicionado no chamado pool eleitoral.

Mas a pergunta que precisa ser feita é direta e necessária: essas pesquisas realmente refletem a vontade popular ou servem como instrumento para induzir o eleitor?

É importante lembrar que toda pesquisa por amostragem mostra apenas uma fotografia do momento. Não é previsão, não é sentença definitiva e, muito menos, garantia de resultado nas urnas. Ainda assim, muitos números são divulgados como se fossem verdades absolutas, capazes de definir vencedores muito antes do dia da votação.

Nos últimos tempos, outro fenômeno tem ganhado força: as pesquisas on-line, muitas delas sem qualquer critério técnico confiável. Esse tipo de levantamento, quase sempre, é facilmente influenciado por grupos organizados, militâncias digitais e até por disparos em massa, o que distorce completamente o resultado final. Em vários casos, o objetivo não é medir a realidade, mas criar uma narrativa favorável.

Mesmo institutos tradicionais — alguns considerados acima de qualquer suspeita — acabam sendo vistos com desconfiança por parte da população. Isso acontece porque o eleitor percebe, na prática, que nem sempre os números divulgados batem com o que se vê nas ruas, nas redes e, principalmente, nas urnas.

E é exatamente aí que está a grande verdade da democracia: o que vale mesmo são os resultados das urnas. Eles, sim, retratam com fidelidade o que cada candidato construiu ao longo da campanha, sua capacidade de diálogo com a população, sua história, seus acertos, seus erros e sua credibilidade.

Por isso, é fundamental que o leitor esteja atento e não seja facilmente influenciado por números soltos. Antes de acreditar em qualquer levantamento, é preciso checar:

  • Se a pesquisa tem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TRE/TSE);
  • Quem encomendou o levantamento;
  • Qual foi o método usado;
  • O tamanho da amostra;
  • E, principalmente, se não se trata de pesquisa fake, criada apenas para confundir.

Em ano pré-eleitoral, a disputa não é só nas ruas — ela acontece também no campo da informação. E, muitas vezes, quem controla a narrativa tenta controlar também a percepção do eleitor.

O alerta é claro. Pesquisas ajudam a entender cenários. Mas não elegem ninguém.

*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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