
No panorama geral, as mulheres formam a maioria do eleitorado do DF, representando 54% dos inscritos, enquanto os homens somam 46%.
Por Elza Neves
Para a população de Brasília, o direito ao voto não surgiu com a fundação da cidade em 1960. Durante quase três décadas, os prefeitos e governadores da capital federal eram indicados diretamente pelo presidente da República. Além disso, o Distrito Federal não contava com deputados ou senadores para representá-lo: as deliberações legislativas locais ficavam sob a responsabilidade de comissões do Congresso Nacional.
A conquista da autonomia política ocorreu no cenário de redemocratização do país. A mobilização popular pelo direito ao voto em Brasília trouxe resultados expressivos em 1986, ano em que foi realizada a primeira eleição para representantes do DF. Naquele momento, os cidadãos da capital puderam escolher senadores e deputados federais, que desempenharam papel fundamental na elaboração da Assembleia Constituinte. O direito à auto-organização e eleição de seus governantes foi consagrado com a Constituição Federal de 1988.
Em 1990, a capital realizou a primeira eleição direta para o cargo de governador e para a composição das 24 cadeiras da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Naquele período, Brasília contava com 1,6 milhão de habitantes e um contingente de 893 mil eleitores. Três décadas e meia depois, o cenário demográfico e político mudou drasticamente: o DF abriga cerca de 3 milhões de habitantes e conta com mais de 2,2 milhões de eleitores aptos. Em comparação com o pleito de 2022, o eleitorado brasiliense registrou uma expansão de 2,3%, atingindo exatamente 2.253.132 cidadãos aptos a votar em 2026.
Mudanças no perfil: envelhecimento e liderança feminina
Os dados levantados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) evidenciam as transformações na estrutura social da capital. Um dos dados mais marcantes de 2026 é a alta de 24% no total de eleitores com 60 anos ou mais em relação a 2022. O grupo de idosos cresceu de 370 mil para aproximadamente 460 mil cidadãos. Dentro dessa faixa, 55,7% das pessoas têm entre 60 e 69 anos — faixa etária em que o exercício do voto permanece obrigatório.
Em contrapartida, houve retração no eleitorado jovem. O grupo de eleitores de 16 e 17 anos teve uma diminuição de 38,7%, caindo de 31 mil inscritos em 2022 para 19 mil em 2026.
Na divisão por gênero e faixa etária, o maior segmento isolado no Distrito Federal é composto por mulheres entre 45 e 49 anos, reunindo mais de 134 mil eleitoras. No panorama geral, as mulheres formam a maioria do eleitorado do DF, representando 54% dos inscritos, enquanto os homens somam 46%.
Em termos de escolaridade, a maioria dos eleitores concluiu o ensino médio (30,7%), e a parcela com ensino superior completo atinge 23,3%.
Inclusão e autodeclaração de raça e cor
Outro ponto com avanço expressivo é a participação de eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida. O número de pessoas cadastradas nessa condição subiu 55,4%, saltando de cerca de 16 mil em 2022 para 24,8 mil em 2026. Esse dado abrange tanto limitações permanentes quanto temporárias e auxilia a Justiça Eleitoral no planejamento de seções acessíveis e adaptadas.
Em relação à autodeclaração de raça e cor — procedimento iniciado pela Justiça Eleitoral em novembro de 2022 —, a informação já consta no cadastro de 17% do eleitorado do DF. Entre os que declararam a informação:
- Pardos: 49,2%
- Brancos: 38,0%
- Pretos: 11,7%
- Amarelos: 0,9%
- Indígenas: 0,2%
Junto ao quesito raça e cor, o sistema do TSE passou a reunir dados sobre identidade de gênero e pertencimento a comunidades quilombolas e povos tradicionais.
Distribuição pelas zonas eleitorais
O Distrito Federal é divido em 21 zonas eleitorais com o objetivo de organizar a logística das urnas e a votação da população. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), as zonas mais populosas não seguem restritamente a delimitação geográfica de uma única região administrativa:
- 15ª Zona Eleitoral (Águas Claras / Taguatinga Sul): É a maior do DF, com mais de 169 mil eleitores aptos para votação em 2026. A abrangência abarca eleitores de Águas Claras, Taguatinga Sul e Taguatinga Centro.
- 16ª Zona Eleitoral (Ceilândia Norte e Brazlândia): Ocupa a segunda posição em eleitores aptos, somando quase 154 mil pessoas.
- 13ª Zona Eleitoral (Samambaia): Aparece na terceira colocação, reunindo mais de 141 mil eleitores preparados para o pleito.
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Para consultar informações oficiais sobre locais de votação e verificação da situação eleitoral, os cidadãos podem utilizar a plataforma de Autoatendimento do TRE-DF ou consultar o Portal do Eleitor do TRE-DF.
Da Redação do Agenda Capital




