
Pesquisa da Escs é reconhecida em congresso nacional e revela desafios na doação de órgãos
Por Delmo Menezes
Um estudo desenvolvido no Distrito Federal ganhou destaque nacional ao lançar luz sobre um dos principais entraves à doação de órgãos no Brasil: a recusa familiar. A pesquisa, conduzida pelo enfermeiro e psicólogo Anderson Galante, egresso do mestrado acadêmico em Ciências da Saúde da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs), foi premiada em dois dos mais importantes eventos da área: o XIX Congresso Brasileiro de Transplantes e o XXII Congresso Luso-Brasileiro de Transplantes.
A pesquisa recebeu o prêmio Cristina Massarolo, uma das principais distinções no campo dos transplantes, reforçando a relevância do estudo para o avanço das políticas públicas no setor.
Realizado em outubro de 2025, em Fortaleza (CE), o congresso foi promovido pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater avanços científicos, tecnológicos e os desafios enfrentados na doação e transplante de órgãos e tecidos. A premiação foi concedida em março deste ano.
Desconfiança no sistema é principal fator
Intitulada “Fatores psicológicos presentes na não autorização familiar à doação de órgãos no Brasil: variável para a gestão de problemas”, a pesquisa foi desenvolvida em 2025 como dissertação de mestrado e orientada pela professora doutora Leila Göttems, com coorientação do professor doutor Tommy Goto, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
O estudo identificou que a principal razão para a recusa familiar é a desconfiança no sistema de transplantes. A investigação foi realizada nos estados do Amazonas, Bahia, Goiás e no Distrito Federal, por meio de entrevistas com pessoas que optaram por não autorizar a doação de órgãos de familiares.
De acordo com Anderson Galante, a pesquisa utilizou o método fenomenológico aliado à análise e solução de problemas, permitindo compreender não apenas a decisão em si, mas também os sentimentos e percepções envolvidos.
“Os resultados apontaram que a desconfiança no sistema esteve presente em todos os relatos. Também identificamos fatores como insegurança na tomada de decisão, ausência de apoio psicológico durante o acompanhamento hospitalar, sensação de injustiça, tentativa de interromper o sofrimento da família e percepções de desrespeito ou ameaça”, explicou o pesquisador.
Falta de informação agrava o problema
Outro ponto relevante identificado pelo estudo é o desconhecimento da população sobre o funcionamento do sistema de transplantes. Segundo os entrevistados, há pouca comunicação efetiva por parte do poder público, o que contribui para a insegurança no momento da decisão.
Um dos participantes da pesquisa relatou: “O governo não explica como o sistema funciona, apenas faz apelo emocional uma vez por ano para a gente doar órgãos”.
Para o pesquisador, esse cenário evidencia a necessidade de fortalecer estratégias de comunicação e educação em saúde, tornando o processo mais transparente e compreensível para a população.
Contribuição para políticas públicas
A pesquisa propõe caminhos concretos para aprimorar a gestão do sistema de transplantes no Brasil, com foco na humanização do atendimento e no fortalecimento da confiança da sociedade.
O trabalho contou com apoio da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), além das centrais estaduais de transplantes dos estados participantes.
Ao trazer uma abordagem inovadora que integra psicologia e gestão em saúde, o estudo reforça a importância de políticas públicas mais eficazes e sensíveis às necessidades das famílias, contribuindo para ampliar as taxas de doação de órgãos no país.
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Da Redação do Agenda Capital




