Escolas fechadas, mortes e alerta máximo em vários países como França, Espanha e Reino Unido, leva autoridades a adotarem medidas emergenciais.
Por Delmo Menezes
A Europa vive uma das mais severas ondas de calor já registradas, com temperaturas superiores a 44°C em diversas regiões e impactos que vão desde mortes e incêndios até o fechamento de escolas, interrupção de atrações turísticas e sobrecarga nos sistemas de saúde e energia. O fenômeno atinge principalmente países da Europa Ocidental e do Sul, levando governos a decretarem alertas máximos e adotarem medidas emergenciais para proteger a população.
Na França, foi registrado o dia mais quente desde o início das medições meteorológicas, há cerca de 80 anos. A cidade de Pissos, no sudoeste do país, alcançou impressionantes 44,3°C, estabelecendo um novo marco para o mês de junho. O calor intenso também provocou cenas de corrida às lojas para compra de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, com consumidores disputando os equipamentos assim que os estabelecimentos abriam as portas.
França enfrenta colapso parcial dos serviços
A França é um dos países mais afetados pela onda de calor. Além das temperaturas recordes, o país contabiliza dezenas de mortes relacionadas às altas temperaturas.
As autoridades confirmaram ao menos 55 mortes por afogamento, muitas delas ocorridas em áreas de banho não supervisionadas, já que milhares de pessoas buscaram rios, lagos e praias para aliviar o calor. Entre as vítimas está o jovem jogador de futebol Kenzo Kies, de 21 anos.

Casos trágicos também envolveram crianças. Dois irmãos, de 2 e 4 anos, morreram após ficarem presos dentro de um veículo em Carpentras, enquanto outra criança de apenas três anos perdeu a vida em circunstâncias semelhantes.
Em Paris, as autoridades proibiram temporariamente o consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos durante os horários mais críticos do calor. O chefe da polícia da capital alertou que os hospitais já operam próximos da capacidade máxima.
Além disso:
- Mais de 8 mil escolas registraram interrupções nas atividades;
- Sindicatos de professores iniciaram paralisações alegando condições insalubres de trabalho;
- Diversas atrações turísticas tiveram funcionamento reduzido.
Espanha registra o maior número de vítimas
A Espanha apresenta o cenário mais grave em número de mortes.
Segundo autoridades locais, ao menos 212 pessoas morreram em decorrência das temperaturas extremas, tornando o país o mais afetado em vítimas fatais.
As temperaturas ultrapassaram os 40°C em diversas regiões, especialmente na Andaluzia, Extremadura, Castela-La Mancha e parte da região central do país.
Cidades importantes como Madri, Sevilha, Córdoba, Toledo e Saragoça enfrentam dias consecutivos de calor extremo.
Com a intensa onda de calor que atinge a Europa, as praias da região da Sicília, no sul da Itália, ficaram completamente lotadas nesta sexta-feira (26/6). Com temperaturas elevadas e clima típico de verão, milhares de moradores e turistas aproveitaram o dia para buscar alívio no mar, em um dos destinos mais procurados do Mediterrâneo.

Itália coloca grandes cidades em alerta máximo
Na Itália, o Ministério da Saúde emitiu alerta vermelho para 16 cidades, incluindo importantes centros urbanos como:
- Roma
- Milão
- Florença
- Turim
- Verona
O governo recomenda que idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas permaneçam em ambientes climatizados durante os períodos mais quentes do dia.
Reino Unido quebra recorde pelo terceiro dia consecutivo
Tradicionalmente conhecido pelo clima ameno, o Reino Unido enfrenta uma situação inédita.
O serviço meteorológico nacional registrou, pelo terceiro dia consecutivo, um novo recorde de temperatura para o mês de junho.

A cidade de Wattisham, no condado de Suffolk, registrou 36,9°C, enquanto o Met Office emitiu apenas o segundo alerta de calor extremo de sua história.
O calor levou ao fechamento de centenas de escolas e provocou forte aumento no consumo de energia elétrica devido ao uso intenso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores.
O operador do sistema elétrico britânico também emitiu alertas para garantir oferta suficiente de eletricidade durante os horários de maior demanda, embora tenha descartado risco iminente de apagões.
Dia mais quente de junho já registrado na Holanda
A Holanda registrou nesta sexta-feira (26/6) o dia mais quente de junho de sua história. Os termômetros marcaram 36,4°C na cidade de De Bilt, localizada na província de Utrecht, estabelecendo um novo recorde para o mês.
Além de superar todas as marcas anteriores para junho, a temperatura registrada em De Bilt iguala a quarta maior já observada na estação meteorológica local, uma das principais referências climáticas do país.

Na capital, Amsterdam, os termômetros chegaram a 36°C durante a tarde, reforçando a intensidade da onda de calor que atinge grande parte da Europa.
Segundo os serviços meteorológicos, o calor deve se intensificar nas próximas horas, elevando a possibilidade de que o recorde absoluto de temperatura já registrado em De Bilt também seja superado, caso as condições atmosféricas permaneçam favoráveis ao aumento das temperaturas.

Bélgica cancela eventos
Na Bélgica, autoridades locais optaram pelo cancelamento de diversos eventos ao ar livre diante do risco à saúde pública.
As altas temperaturas também afetaram festivais, competições esportivas e atividades recreativas em várias cidades.
Outras regiões também sofrem com calor intenso
Além dos países mais atingidos, o calor extremo alcança grande parte da Europa Ocidental e Meridional.
Entre as cidades que enfrentam temperaturas excepcionalmente elevadas estão:
- Paris
- Lyon
- Bordeaux
- Londres
- Bruxelas
- Lisboa
- Atenas
Cientistas alertam para frequência cada vez maior dos eventos extremos
Especialistas em climatologia afirmam que ondas de calor como a atual estão se tornando mais frequentes, mais intensas e mais duradouras em consequência das mudanças climáticas.
O aumento das temperaturas médias globais favorece a formação de sistemas de alta pressão persistentes, que impedem a chegada de frentes frias e mantêm o ar extremamente quente sobre extensas áreas do continente europeu.
Além dos impactos diretos sobre a saúde humana, as temperaturas elevadas aumentam o risco de incêndios florestais, comprometem a agricultura, pressionam o abastecimento de água e elevam significativamente o consumo de energia elétrica.
Com a previsão de manutenção do bloqueio atmosférico nos próximos dias, autoridades europeias seguem monitorando a evolução da onda de calor e reforçando orientações para que a população evite exposição ao sol nos horários mais quentes, mantenha hidratação constante e redobre os cuidados com idosos, crianças e pessoas vulneráveis.
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Da Redação do Agenda Capital





