O zagueiro Danilo demonstra ter estrela ao marcar de cabeça e garante quarta taça continental à equipe rubro-negra; time alviverde se queixa da arbitragem

Por Delmo Menezes

O Flamengo escreveu mais um capítulo histórico na noite deste sábado (29), no Estádio Monumental de Lima, ao derrotar o Palmeiras por 1 a 0 e conquistar pela quarta vez a Copa Libertadores da América. Com gol de cabeça de Danilo, aos 21 minutos do segundo tempo, o rubro-negro tornou-se o primeiro clube brasileiro a alcançar quatro títulos continentais, em uma final marcada por tensão, reclamações e um futebol abaixo das expectativas.

A conquista também serve como revanche para os cariocas, que tinham perdido justamente para o Palmeiras a decisão de 2021, em Montevidéu. Desta vez, porém, a taça voltou para a Gávea, impulsionada pela estrela de um atleta acostumado a brilhar em finais.

Danilo decide novamente e entra para a história

Aos 34 anos, Danilo mostrou mais uma vez que decisivo não tem idade. Assim como fez em 2011, quando marcou pelo Santos na final contra o Peñarol, o defensor rubro-negro subiu sozinho após cobrança de escanteio de Arrascaeta e testou firme no canto direito de Carlos Miguel, garantindo a “Glória Eterna” ao Flamengo.

O gol confirma o retrospecto recente de hegemonia brasileira na competição: esta é a sétima Libertadores consecutiva vencida por um clube do país. Com o tetra rubro-negro, Brasil e Argentina agora empatam com 25 títulos cada no torneio.

Danilo comemora gol na vitória sobre o Palmeiras. Reprodução

Domínio brasileiro e vaga garantida em torneios internacionais

A vitória rende ao Flamengo uma vaga no Intercontinental, que volta a ser disputado já em dezembro, e também no Mundial de Clubes de 2029. O novo formato da Fifa mantém a competição anual, agora chamada de Intercontinental, paralelamente ao Mundial quadrienal.

Além da glória esportiva, o clube carioca garante um reforço nos cofres: são US$ 24 milhões (cerca de R$ 128 milhões) de premiação da Conmebol.

O ano de 2025 deve terminar como um dos mais vitoriosos da história do Flamengo. Além da Libertadores, o time de Filipe Luís está muito próximo de confirmar o título do Campeonato Brasileiro, que lidera com ampla vantagem.

Danilo subiu livre para marcar o gol que definiu o título do Flamengo.

Palmeiras encerra a temporada em crise e lamenta a arbitragem

Se o Flamengo vive um ano mágico, o Palmeiras experimenta seu pior final de temporada desde que Abel Ferreira assumiu o comando. O clube disputou todos os principais títulos até a reta final e saiu de mãos vazias — algo inédito na era do treinador português.

Na véspera, Abel já havia repetido sua declaração recorrente de que poderia deixar o comando alviverde caso não conquistasse nenhum troféu no ano. Com a derrota, o clima de incerteza sobre o futuro aumenta.

Além do revés, os palmeirenses deixaram o campo reclamando duramente da arbitragem de Darío Herrera, especialmente por não expulsar Pulgar após entrada dura em Bruno Fuchs ainda no primeiro tempo. Mesmo assim, a atuação irregular da equipe fala mais alto: o Palmeiras vive um momento de baixa técnica justamente na hora decisiva.

Primeiro tempo truncado e de pouco futebol

A etapa inicial foi marcada por faltas, cartões e uma quantidade excessiva de interrupções. Predominaram as disputas físicas e a marcação dura — muito mais do que jogadas trabalhadas.

O Flamengo foi superior nos primeiros 20 minutos, explorando o lado esquerdo e aproveitando a inoperância do meio-campo palmeirense. Arrascaeta, Samuel Lino e Bruno Henrique criaram boas oportunidades. Já o Palmeiras tentou responder com Vitor Roque, que lutou praticamente sozinho no ataque, cavando faltas e ganhando duelos individuais.

O rubro-negro chegou ao intervalo com Pulgar, Jorginho e Arrascaeta amarelados, enquanto os palmeirenses protestavam contra a condução da arbitragem.

Segundo tempo mantém equilíbrio — até o gol decisivo

A volta do intervalo apresentou o mesmo cenário de equilíbrio truncado. O jogo seguia morno, com muitos choques e pouca criatividade até que, aos 21 minutos, Danilo apareceu para mudar o destino da final.

A partir daí, restou ao Palmeiras partir para o ataque, algo difícil para um time em crise técnica. Abel Ferreira colocou mais atacantes em campo, mas sua equipe insistiu em cruzamentos e ligações diretas, sem organização. Mesmo a pressão final não foi suficiente para superar a defesa rubro-negra.

Flamengo, o maior campeão brasileiro da América

Com o apito final, o Flamengo ergueu pela quarta vez a taça da Copa Libertadores — um feito inédito entre clubes do Brasil. Um título construído na raça, no talento de um zagueiro com estrela e no apoio de milhões de torcedores espalhados pelo país.

A noite em Lima confirmou: o Flamengo não só domina o futebol nacional, como voltou a ser soberano no continente.

Ficha técnica
Palmeiras 0 x 1 Flamengo

Palmeiras: Carlos Miguel; Khellven (Sosa), Gómez, Murilo (Giay) e Piquerez; Bruno Fuchs, Andreas Pereira; Raphael Veiga (Felipe Anderson [Maurício]) e Allan (Facundo Torres); Flaco López e Vitor Roque. Técnico: Abel Ferreira.

FLAMENGO: Rossi; Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho e Arrascaeta (Luis Araújo); Samuel Lino (Éverton Cebolinha), Carrascal e Bruno Henrique (Juninho). Técnico: Filipe Luís.

GOL: Danilo, aos 21 do segundo tempo.

ÁRBITRO: Darío Herrera (Argentina)

CARTÕES AMARELOS: Raphael Veiga, Arrascaeta, Pulgar, Jorginho, Piquerez, Murilo.

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Da Redação do Agenda Capital

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