A leitura é de que Flávio pode estar, na prática, apenas “guardando lugar” para uma alternativa futura
Por Delmo Menezes
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, anunciada recentemente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, segue cercada de incertezas e desconfiança nos bastidores da política nacional. Neste domingo, após participar de um culto religioso, Flávio admitiu publicamente que existe a possibilidade de não levar o projeto “até o fim” — e ainda mencionou que há um “preço” para essa eventual desistência.
“Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim e eu tenho um preço para isso, que eu vou negociar. Eu tenho um preço, só que eu só vou falar para vocês amanhã”, afirmou o senador a jornalistas, sem detalhar quais seriam as condições para abrir mão da disputa.
Questionado diretamente se esse “preço” estaria relacionado à pauta da anistia no Congresso Nacional, Flávio respondeu de forma enigmática: “Está quente”.
A declaração reforçou a leitura que já vinha sendo feita por lideranças políticas, analistas e até mesmo aliados: a de que o lançamento do nome de Flávio Bolsonaro ao Planalto funciona, neste momento, mais como um “balão de ensaio” do que como uma candidatura consolidada.
Estratégia para manter os Bolsonaro em evidência
Nos bastidores, a avaliação predominante é que a pré-candidatura serve como uma estratégia para manter a família Bolsonaro no centro do debate político nacional, testar a reação do eleitorado, medir a rejeição e, principalmente, preservar espaço para um eventual outro nome do grupo político.
A leitura é de que Flávio pode estar, na prática, apenas “guardando lugar” para uma alternativa futura — seja para outro membro da família, como o deputado Eduardo Bolsonaro, ou até para um nome apoiado diretamente por Jair Bolsonaro, caso o ex-presidente consiga viabilizar politicamente sua influência até 2026.
Líderes do Centrão, por exemplo, demonstraram resistência imediata à pré-candidatura e avaliam que Flávio tende ao isolamento político, caso confirme a disputa. Há preocupação com a falta de musculatura política fora da base mais fiel do bolsonarismo e com a dificuldade de construir alianças amplas.
Reação negativa do mercado
Outro fator que pesou contra a pré-candidatura foi a reação negativa do mercado financeiro. Logo após o anúncio, a Bolsa de Valores registrou forte queda, enquanto o dólar disparou. O movimento foi interpretado como um sinal claro de preocupação dos investidores com a instabilidade política e com o cenário econômico de médio prazo.
Flávio minimizou o impacto e classificou a reação como “natural”, mas reconheceu que houve uma leitura precipitada por parte do mercado.
Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/
Da Redação do Agenda Capital





