
Candidato do PL à Presidência atacou Alexandre de Moraes, prometeu indicar cinco ministros ao STF, classificou PCC, Comando Vermelho e milícias como terroristas e defendeu a libertação de presos do 8 de janeiro
Por Delmo Menezes
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi o último a discursar no ato realizado na tarde desta segunda-feira (7), na Avenida Paulista, em São Paulo, durante as manifestações de 7 de Setembro. O evento reuniu apoiadores do bolsonarismo e foi marcado por críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e pela defesa do ministro André Mendonça.
Ao subir ao palco, Flávio iniciou sua fala com os gritos de “Fora, Moraes” e “Fora, Lula”. Em tom de campanha, afirmou que pretende derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno e declarou que quer assumir o papel de “libertador da pátria”.
Durante o discurso, o candidato afirmou que, caso seja eleito, indicará cinco novos ministros para o STF, considerando inclusive a situação de saúde de Alexandre de Moraes. A declaração ocorreu em meio à forte mobilização da militância contra o ministro.
Pressão contra Moraes
O ato foi impulsionado, entre outros fatores, pela repercussão das mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro e a Alexandre de Moraes, que vieram a público recentemente. Integrantes do movimento bolsonarista defenderam o impeachment do ministro e fizeram críticas à atuação do STF.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, puxou o coro de “Fora, Moraes”. Embora tenha afirmado que não estava no ato para pedir vingança contra ministros, declarou que Moraes deveria estar “na cadeia”. Também direcionou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O pastor Silas Malafaia classificou Moraes como “ditador da toga” e afirmou que suas críticas eram baseadas em fatos divulgados pela imprensa.
Apesar dos ataques, Malafaia fez uma ressalva em defesa das instituições. “Nós não viemos pregar vingança”, afirmou. Segundo ele, enfraquecer ou “desmoralizar” o Supremo seria prejudicial à democracia e à República.
O líder religioso pediu ainda ao presidente do STF, Edson Fachin, que afaste Moraes das funções relacionadas ao caso, argumentando que a medida seria necessária “pelo bem da Suprema Corte”.

Tarcísio cobra resposta institucional
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também discursou no evento e adotou um tom de cobrança por uma resposta institucional diante das denúncias envolvendo o caso.
“Está na hora do Supremo não se dividir para se defender, mas se unir para apurar, para dar a resposta que a sociedade precisa”, afirmou.
Tarcísio também ressaltou que ninguém deve estar acima da lei, independentemente da posição que ocupe.
“Banqueiro nenhum está acima da lei, magistrado nenhum”, declarou.
Guerra contra o crime organizado
Em outro momento do discurso, Flávio Bolsonaro apresentou uma de suas principais propostas na área de segurança pública. O candidato prometeu que, se eleito, irá “declarar guerra” contra grupos criminosos.
“A partir de janeiro do ano que vem eu vou declarar guerra aos narcoterroristas desse país. PCC, Comando Vermelho e milícias vão ser classificados como terroristas”, afirmou.
A proposta prevê enquadrar Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho e milícias dentro de uma classificação mais rigorosa, em uma estratégia de enfrentamento ao crime organizado.
Presos do 8 de janeiro
Flávio também voltou a defender os condenados e presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O candidato afirmou que pretende “libertar os presos de 8 de janeiro” caso chegue à Presidência.
A declaração está alinhada ao discurso adotado pelo bolsonarismo durante a campanha, que defende medidas de anistia ou revisão das condenações relacionadas aos atos ocorridos nas sedes dos Três Poderes.
Ao final, Flávio reforçou o discurso de mobilização dos apoiadores e afirmou que “não vamos desistir do Brasil”. Também disse que pretende derrotar Lula já no primeiro turno.
O candidato encerrou a fala com uma mensagem direcionada aos eleitores: “Quem vota em Lula vota em Moraes”, ao mesmo tempo em que defendeu a necessidade de “proteger o STF”.
A manifestação na Paulista terminou com forte tom eleitoral, consolidando o 7 de Setembro como um dos primeiros atos públicos da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
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Da Redação do Agenda Capital







