Presidenciável do PL repete o pai, Jair Bolsonaro, ao dar foco na segurança pública e na corrupção, e preocupação com a mulher não emplacou na hora de dividir poder
Por Raquel Landim
Depois de muito mistério, o anúncio do companheiro de chapa de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República tornou-se uma cena ensaiada e embaraçosa.
Flávio Bolsonaro enfileirou todas as mulheres que militam ao seu lado – muitas das quais com trajetórias brilhantes – e escolheu um candidato à vice-presidente homem.
O deputado Alfredo Gaspar é o típico alagoano “macho” e bom de briga. Já mostrou sua combatividade na CPI do INSS. E tem trajetória conturbada.
Ao escolhê-lo, Flávio vai ao sabor do noticiário, aproveitando a maré de notícias negativas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escândalo com o filho, Lulinha.
Flávio radicaliza no vice e repete o pai, Jair Bolsonaro, ao dar na foco na segurança pública e na corrupção. Gaspar, no entanto, agrega pouco na chapa, porque esse simbolismo o próprio Flávio já carrega.
O candidato prometeu por semanas uma vice mulher e o isolamento inviabilizou nomes como Tereza Cristina, do PP, e Daniella Marques, do Republicanos.
No entanto o próprio PL tem inúmeras mulheres que poderiam estar ao seu lado, como a senadora Damares, por exemplo. A mensagem que fica é que a questão feminina ficou, de novo, em segundo plano.
A preocupação com a mulher pode estar presente no discurso e até no programa de governo. Mas não emplacou na hora de dividir poder. É isso não acontece só com a oposição: Lula faz exatamente igual.
O problema para Flávio é que as mulheres não confiam nele. Ele ensaia uma recuperação nas pesquisas, mas não entre o público feminino.
De acordo com pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (5/8), 47% das mulheres votariam em Lula e 35% em Flávio no segundo turno se as eleições fossem hoje.
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Da Redação com Estadão





