Com mais de 100 mortos por inanição, ONU alerta para o colapso do sistema humanitário; proposta de trégua do Hamas é considerada viável por autoridade israelense
Por Redação
A crise humanitária na Faixa de Gaza atinge um novo patamar de desespero. Segundo o chefe da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Philippe Lazzarini, até os próprios funcionários da organização estão desmaiando por falta de alimentos, em meio ao agravamento da fome generalizada causada pelo bloqueio israelense ao território.
“As pessoas em Gaza não estão nem mortas nem vivas, são cadáveres ambulantes”, declarou Lazzarini em publicação na rede X (antigo Twitter). Segundo ele, a fome se espalha sem controle e já matou pelo menos 113 pessoas, sendo 45 delas apenas nos últimos quatro dias.
Em relato alarmante, o dirigente da UNRWA afirmou que o sistema humanitário está em colapso. “Esta crise cada vez mais profunda está afetando a todos, inclusive aqueles que tentam salvar vidas no enclave devastado pela guerra. Quando os cuidadores não conseguem encontrar o suficiente para comer, todo o sistema entra em colapso”, afirmou.
A UNRWA informou ainda que há cerca de 6.000 caminhões carregados de alimentos e suprimentos médicos parados na Jordânia e no Egito, aguardando autorização de Israel para entrar na Faixa de Gaza. Lazzarini apelou às autoridades israelenses para que permitam o acesso “irrestrito e ininterrupto” de ajuda humanitária à população sitiada.
Nas últimas semanas, imagens de civis famintos e cadáveres esqueléticos têm circulado nas redes sociais, provocando comoção internacional. Grupos de defesa civil divulgaram fotos de corpos reduzidos à pele e ossos, retratos vivos da catástrofe humanitária em curso.
Sinais de avanço diplomático
Em meio ao cenário devastador, surgem sinais de possível avanço nas negociações para um cessar-fogo. O grupo Hamas informou ter enviado uma nova resposta à proposta de trégua mediada por Estados Unidos, Catar e Egito. Segundo uma autoridade israelense ouvida pela agência Associated Press, a proposta apresentada agora é considerada “viável”.
Uma fonte palestina próxima às negociações disse à agência Reuters que a resposta do Hamas foi “flexível, positiva e levou em consideração o crescente sofrimento em Gaza e a necessidade de acabar com a fome”.
Segundo informações da imprensa internacional, os termos em análise preveem um cessar-fogo de 60 dias. Durante esse período, o Hamas libertaria 10 reféns vivos e entregaria os corpos de outros 18, em troca da libertação de prisioneiros palestinos. Haveria também negociações paralelas para uma trégua duradoura e o aumento significativo do fluxo de ajuda humanitária para Gaza.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou de volta os negociadores israelenses que estavam em Doha, capital do Catar, para consultas. Apesar do reconhecimento da viabilidade da proposta, a mídia israelense aponta que ainda há divergências relevantes, principalmente sobre o grau de retirada das tropas israelenses durante o cessar-fogo.

Pressão internacional e escalada dos ataques
A pressão internacional por um acordo se intensifica, com líderes globais exigindo soluções urgentes diante da escalada da crise humanitária. A Comissão Europeia alertou que “todas as opções estão sobre a mesa” caso Israel não melhore significativamente o acesso à ajuda humanitária.
Embora Israel tenha se comprometido no início deste mês a ampliar o acesso da assistência humanitária com apoio da União Europeia, os efeitos práticos ainda não são sentidos no território, segundo organizações internacionais.
Enquanto isso, a violência continua. Pelo menos 89 pessoas morreram nas últimas 24 horas em ataques aéreos israelenses na região central da Faixa de Gaza, informaram autoridades de saúde locais. Os bombardeios ocorrem paralelamente às negociações, o que torna o cenário ainda mais incerto para a população civil.
Após o recente conflito entre Irã e Israel, encerrado no mês passado, abriu-se uma janela diplomática para a retomada das negociações em Gaza. A guerra de 12 dias teria dado a Netanyahu algum alívio no cenário político interno, o que pode influenciar a disposição israelense em fechar um acordo.
Contudo, enquanto a diplomacia caminha a passos lentos, a população palestina segue lutando contra a fome, a miséria e a morte em meio aos escombros de uma guerra sem fim.
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Da Redação do Agenda Capital





