Até o momento, nove pessoas morreram após um ataque com míssil na cidade de Beit Shemesh, no centro de Israel, informou um porta-voz dos serviços de resgate Zakao. Reprodução.

Com líder morto e ataques cruzados, Oriente Médio vive novo capítulo de tensão

Por Redação

A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova e perigosa fase neste domingo (1º/3), com a retomada de ataques entre Irã e Israel, após a confirmação da morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em ações atribuídas a Estados Unidos e Israel. Teerã prometeu vingança imediata, enquanto forças israelenses voltaram a bombardear alvos estratégicos na capital iraniana.

Irã anuncia liderança interina

Horas após a morte de Khamenei, o regime iraniano anunciou o aiatolá Alireza Arafi como líder supremo interino. A informação foi divulgada pela agência estatal ISNA.

Arafi passa a integrar o Conselho de Liderança do Irã, órgão temporário responsável por exercer as funções do líder supremo até a escolha definitiva de um novo nome. O conselho é composto ainda pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.

O aiatolá Alireza Arafi é o novo líder supremo interino do Irã. Reprodução.

A escolha do novo líder supremo cabe à Assembleia dos Peritos, formada por 88 clérigos eleitos por voto direto a cada oito anos. Pela Constituição do Irã, a decisão deveria ocorrer “o mais rápido possível”, mas autoridades admitem que o cenário de guerra e as questões de segurança podem atrasar o processo.

Promessa de retaliação

Em pronunciamento lido pela mídia estatal, o presidente Masoud Pezeshkian prometeu retaliação pela morte de Khamenei, classificada como um “crime histórico”.

“A República Islâmica do Irã considera buscar justiça e vingança contra os perpetradores e aqueles que ordenaram esse crime como seu dever e direito legítimo”, afirmou.

O governo iraniano classificou os ataques de Estados Unidos e Israel como “não provocados e ilegais” e respondeu com uma nova onda de mísseis lançados contra Israel e contra bases americanas em ao menos sete países do Oriente Médio, incluindo Estados do Golfo que abrigam tropas dos EUA.

Mortes e feridos em Israel

Os ataques iranianos provocaram um dos episódios mais letais em território israelense desde o início da escalada. A cidade de Beit Shemesh, no centro de Israel, foi atingida por um míssil que destruiu um prédio residencial. Segundo autoridades locais, ao menos nove pessoas morreram e quase 30 ficaram feridas.

O serviço de emergência Magen David Adom informou que mais de 20 vítimas foram encaminhadas a hospitais, incluindo duas em estado grave. O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, confirmou mortes em ataques de retaliação do Irã.

Em resposta, Israel lançou novos bombardeios contra alvos em Teerã e em outras regiões estratégicas do território iraniano.

Uma coluna de fumaça se eleva acima dos prédios após um ataque em Teerã, Irã, no domingo (1/3). Reprodução.

Trump adota tom duro

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump acompanhou os desdobramentos a partir de sua propriedade em Mar-a-Lago, na Flórida. Em mensagens publicadas durante a madrugada na rede Truth Social, Trump advertiu o Irã a não intensificar os ataques.

“É melhor que o Irã não tente atingir com muita força. Se o fizerem, nós os atingiremos com uma força jamais vista antes”, escreveu.

Assessores da Casa Branca avaliam, até o momento, a operação contra o Irã como um sucesso militar. No entanto, há preocupação com o risco de baixas americanas e com a possibilidade de o conflito se transformar em uma guerra prolongada — cenário que contraria promessas de campanha feitas por Trump de evitar novos envolvimentos longos no Oriente Médio.

Equipes de emergência trabalham no local de um ataque iraniano em Beit Shemesh, Israel. Reprodução.

Ahmadinejad morto em ataques

A mídia iraniana também confirmou a morte do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad nos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel. Ahmadinejad governou o país entre 2005 e 2013 e ficou marcado pela repressão aos protestos que se seguiram à sua controversa reeleição em 2009, episódio que resultou em dezenas de mortes e milhares de prisões.

Escalada e temor global

A intensificação dos ataques eleva o temor internacional de um conflito regional de grandes proporções, com impacto direto sobre a segurança no Oriente Médio e no mercado global de energia. Com o Irã prometendo vingança, Israel mantendo ofensivas em território iraniano e os Estados Unidos reafirmando apoio militar a Tel Aviv, diplomatas avaliam que as próximas horas serão decisivas para definir se haverá contenção ou uma escalada ainda mais ampla da guerra.

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Da Redação do Agenda Capital e Agências Internacionais

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