Para acompanhar o exame, que dura cerca de 120 horas, quatro técnicas de enfermagem receberam treinamento específico. Foto: Alberto Ruy/IgesDF

Tecnologia de alta complexidade amplia diagnóstico e abre novas possibilidades de tratamento para pacientes com epilepsia e outras condições neurológicas

Por Redação

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) deu um salto histórico na assistência especializada ao iniciar, pela primeira vez na rede pública do DF, a realização do vídeo eletroencefalograma (vídeo-EEG). O exame, considerado um dos mais avançados no diagnóstico de epilepsia e outras doenças neurológicas, já está em operação e promete transformar a vida de pacientes que, até então, não tinham condições de realizá-lo na rede privada.

O primeiro beneficiado foi Eduardo Rodrigue Ferreira dos Santos, de 25 anos, que convive com episódios convulsivos desde os 6 anos de idade. Em acompanhamento no HBDF há quase duas décadas, ele vê no novo exame uma chance real de finalmente obter um diagnóstico conclusivo.
“Estou há 19 anos fazendo eletros, ressonâncias, sem nunca ter uma resposta. Essa é a nossa última esperança, e posso até parar de ter episódios”, afirma.

Como funciona o vídeo-EEG

O equipamento combina o registro da atividade elétrica cerebral com filmagem contínua do paciente. Eletrodos são fixados na cabeça para monitorar as áreas responsáveis pelas descargas neurológicas, enquanto câmeras — inclusive com visão infravermelha — e microfones registram todos os movimentos e sons durante cerca de cinco dias de internação.

“É possível avaliar se o paciente é portador de epilepsia, identificar o tipo de crise e até determinar se ele é candidato a cirurgia, o que pode levar à remissão total da doença”, explica o chefe da Neurologia do HBDF, André Ferreira.

Segundo o especialista, apesar do alto custo, o exame representa economia no longo prazo. “Identificar precocemente a epilepsia e operar logo pode ser mais barato que 20 anos de tratamento contínuo. E, para o paciente, a possibilidade de se livrar dos episódios não tem preço”, completa.

Impacto na vida dos pacientes

A mãe de Eduardo, Selma dos Santos Moreira, afirma que o diagnóstico pode transformar a rotina da família.
“Ele tem convulsões quase toda semana e precisa sempre de alguém por perto, porque pode se machucar. Não pode dirigir, trabalhar, sair sozinho. É muito difícil”, desabafa.

Para o neurologista André Ferreira, a oferta do vídeo-EEG representa um marco na história do hospital.
“É uma conquista construída ao longo de anos, e que agora permite oferecer um cuidado muito mais complexo ao usuário do SUS.”

Investimento, estrutura e expansão do serviço

O avanço só foi possível graças à aquisição de dois aparelhos de vídeo-EEG, cada um no valor de R$ 400 mil, adquiridos com verbas parlamentares destinadas pelo deputado distrital Jorge Vianna.
Nesta fase inicial, os atendimentos contemplam pacientes com processos judicializados, enquanto a Secretaria de Saúde (SES-DF) e o IgesDF trabalham na pactuação do fluxo e na expansão do serviço para mais usuários da rede.

Para viabilizar o exame, duas salas foram completamente adaptadas, com instalação de ar-condicionado, câmeras, novos computadores e ambientes de controle que permitem monitoramento integral da equipe médica.
O chefe de manutenção do HBDF, Robson Marques, destacou o empenho na entrega da estrutura. “Conseguimos fazer tudo a tempo para que as salas estivessem prontas assim que os equipamentos chegassem”, pontuou.

Equipe capacitada para um exame de alta complexidade

Quatro técnicas de enfermagem foram selecionadas e treinadas especificamente para acompanhar o exame, que dura cerca de 120 horas. Entre elas, Maria Balbina dos Santos, que já possuía experiência com exames neurológicos.
O treinamento durou três semanas e abrangeu conteúdos fisiológicos, técnicos e práticos.
“É uma honra estar colocando a mão na massa, ensinando e aprendendo. É uma experiência muito significativa participar de um exame desse tipo, é quase um mundo novo”, afirma.

Avanço para o SUS do Distrito Federal

Para o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, a oferta do vídeo-EEG consolida o HBDF como referência em neurologia de alta complexidade.
“Esse exame amplia a capacidade diagnóstica do hospital e garante cuidado mais preciso aos pacientes com doenças neurológicas. É uma etapa fundamental no fortalecimento da rede pública e no acesso a tecnologias que antes não estavam disponíveis no SUS do DF”, destaca.

Com tecnologia inédita, equipe capacitada e estrutura modernizada, o Hospital de Base inaugura uma nova era no diagnóstico neurológico do Distrito Federal — e reacende a esperança de pacientes como Eduardo, que aguardavam há anos por um exame capaz de transformar suas vidas.

Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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