Para tentar amenizar o problema, o Hemocentro está oferecendo atendimento sem agendamento para doadores dos tipos mais críticos até o dia 8 de maio.
Por Delmo Menezes
A redução no número de doadores acendeu um sinal de alerta na Fundação Hemocentro de Brasília. Com estoques em nível crítico, principalmente dos tipos sanguíneos B positivo e AB negativo, a instituição reforça o apelo à população para que compareça e doe sangue com urgência.
A situação preocupa porque, enquanto as doações diminuem, a demanda por transfusões segue elevada na rede pública de saúde do Distrito Federal.
Histórias que mostram a importância da doação
Por quase quatro décadas, o aposentado Elvis Magalhães dependeu diretamente da solidariedade de doadores. Nascido com anemia falciforme, ele precisou de transfusões regulares desde os primeiros dias de vida.
“Eu fazia transfusão de troca a cada 30 dias. Isso foi o que me manteve vivo”, relata. A rotina só mudou aos 38 anos, após um transplante de medula óssea.
Para ele, o gesto de doar vai além da medicina. “A doação de sangue é um ato de amor. É uma forma de dizer: eu me importo com você”, resume.
Tipos mais afetados e situação geral
Segundo a Gerência de Captação de Doadores, os estoques mais críticos são dos tipos B positivo e AB negativo. No entanto, outros grupos também apresentam níveis baixos:
- O positivo e O negativo
- A positivo e A negativo
- B negativo
Apenas o tipo AB positivo está em situação considerada regular.
Para tentar amenizar o problema, o Hemocentro está oferecendo atendimento sem agendamento para doadores dos tipos mais críticos até o dia 8 de maio. Já os demais grupos devem agendar previamente para facilitar o fluxo.
Queda nas doações preocupa
Nos três primeiros meses deste ano, foram registradas 13.832 doações, número inferior ao mesmo período do ano passado, quando houve 14.065 coletas.
De acordo com a equipe do Hemocentro, fatores como feriados prolongados — que levam muitas pessoas a viajar — e o aumento de casos de síndromes respiratórias contribuíram para essa queda.
Enquanto isso, a demanda permanece alta: foram realizadas 19.848 transfusões no mesmo período.
Com esse desequilíbrio, o Hemocentro já opera em estado de alerta. “Estamos ofertando apenas o que é estritamente necessário”, destaca a equipe técnica.
Meta não está sendo alcançada
A meta da instituição é atingir cerca de 180 doações por dia, mas a média recente gira em torno de apenas 100.
Cada doação pode salvar até quatro vidas, já que o sangue coletado é separado em componentes como:
- Hemácias
- Plasma
- Plaquetas
- Crioprecipitado
Parte do material ainda é enviada para a Hemobrás, responsável pela produção de medicamentos utilizados no Sistema Único de Saúde.
Como doar sangue
Para ser doador, é necessário:
- Ter entre 16 e 69 anos (menores com autorização)
- Pesar no mínimo 51 kg
- Estar em bom estado de saúde
- Apresentar documento oficial com foto
O Hemocentro funciona no Setor Médico Hospitalar Norte, de segunda a sábado, das 7h15 às 18h.
O agendamento pode ser feito pelo Agenda DF ou pelo telefone 160 (opção 2). Também há atendimento via WhatsApp.
Mobilização e conscientização
Mesmo impedido de doar após descobrir uma insuficiência cardíaca, o jovem Isaias Pereira segue atuando como incentivador da causa.
“É um gesto de empatia. Aquilo que sai do seu corpo pode garantir que outra pessoa continue vivendo”, afirma.
Ele participa de ações semanais de conscientização para atrair novos doadores e combater mitos sobre o procedimento.
Solidariedade que salva vidas
Diante do cenário crítico, o Hemocentro reforça que a participação da população é essencial para manter o atendimento hospitalar.
A doação de sangue continua sendo um dos gestos mais simples e poderosos de solidariedade — capaz de salvar vidas diariamente e garantir esperança a milhares de pacientes que dependem desse ato anônimo.
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Da Redação do Agenda Capital





