O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, se reuniu com bispos, pastores e líderes da Igreja Sara Nossa Terra, no Núcleo Bandeirante. Foto: Renato Alves/ Agência Brasília

Ibaneis também lembrou de uma decisão polêmica de sua gestão, ao manter as igrejas abertas durante a pandemia de Covid-19, enquanto outros estados e cidades optaram pelo fechamento

Por Redação

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, participou nesta terça-feira de um evento com bispos, pastores e líderes da Igreja Sara Nossa Terra, no Núcleo Bandeirante. Durante o encontro, ele ressaltou as iniciativas do governo para o segmento religioso, com ênfase na regularização de templos e na criação da “moeda social”.

A visita, que contou com a presença de diversas autoridades, como a vice-governadora Celina Leão e o secretário de Família e Juventude, Rodrigo Delmasso, reforçou a proximidade do governo com a bancada religiosa. Desde 2019, o governo de Ibaneis Rocha já entregou a escritura de 512 imóveis a entidades religiosas, sendo 350 para instituições evangélicas.

Foto: Renato Alves/ Agência Brasília

“Avançamos muito em todas as áreas. Criamos a regularização daquilo que a gente chama de moeda social, permitindo a regularização dos templos”, afirmou Ibaneis, que destacou a expectativa de aumentar esse número com a atualização do programa de regularização.

O governador anunciou que o governo está elaborando dois projetos para atualizar a política de regularização de igrejas. Um deles permitirá que as prestações de serviços sociais, em troca da escritura, sejam feitas fora dos templos, alcançando comunidades mais carentes. O outro projeto prorrogará o prazo para que as igrejas possam se regularizar.

Ibaneis também lembrou de uma decisão polêmica de sua gestão, ao manter as igrejas abertas durante a pandemia de Covid-19, enquanto outros estados e cidades optaram pelo fechamento. “Enquanto o Brasil todo fechou as igrejas, aqui em Brasília nós as mantivemos abertas, porque as pessoas estavam passando por um problema psicológico muito grande naquele momento. Era onde as pessoas podiam buscar socorro espiritual”, justificou o governador.

Foto: Renato Alves/ Agência Brasília

Análise política: o diálogo com a base evangélica

O encontro de Ibaneis Rocha com a Igreja Sara Nossa Terra, uma das maiores denominações evangélicas do país, não é apenas um evento protocolar, mas sim um movimento estratégico com clara dimensão política. A visita do governador ao Núcleo Bandeirante, ao lado de seus secretários, demonstra o fortalecimento de uma aliança com um dos segmentos mais influentes e mobilizadores da sociedade do Distrito Federal.

O segmento evangélico é conhecido por sua capacidade de organização e engajamento político, sendo uma base eleitoral importante para muitos candidatos. Ao destacar a regularização de mais de 500 igrejas, o governador busca solidificar seu apoio junto a essa base. A medida, além de proporcionar segurança jurídica a essas entidades, também atende a uma demanda antiga do segmento. A “moeda social”, que permite que as igrejas troquem serviços comunitários pela regularização de seus espaços, é uma forma de envolver a comunidade e legitimar a atuação do governo.

A lembrança do funcionamento das igrejas durante a pandemia também é um ponto-chave na fala do governador. A decisão de Ibaneis, na época, foi recebida com apoio por parte da comunidade evangélica, que defendeu a essencialidade dos cultos e a necessidade de apoio espiritual. Ao retomar o assunto, o governador reafirma sua postura e mostra que está alinhado com os valores e prioridades de seu eleitorado.

O GDF também conta com a Unidade de Assuntos Religiosos, uma pasta dedicada a estreitar o diálogo com as organizações religiosas. O anúncio de novos projetos de lei para prorrogar os prazos de regularização e a construção do Museu da Bíblia demonstram a continuidade dessa parceria, que busca reforçar o vínculo entre a gestão de Ibaneis Rocha e as lideranças evangélicas. O evento, portanto, serve como um aceno claro e calculado a um grupo que tem se mostrado fundamental na política local e nacional.

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Da Redação do Agenda Capital

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