Presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado afirma que senador do PL não teria condições de derrotar Lula e aposta em candidatura própria do partido. Kassab diz que eventual segundo turno de Lula com Flávio é vitória certa do PT.
Por Delmo Menezes
A declaração do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de que uma eventual disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) representaria uma “vitória certa do PT” provocou repercussão no meio político às vésperas do início oficial da campanha eleitoral.
Kassab é candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) e, ao defender a candidatura própria do partido, afirmou que Flávio Bolsonaro não teria condições de vencer a eleição. A declaração foi feita na quinta-feira (13) e reafirmada pelo dirigente em nota divulgada na sexta-feira (14).
Segundo Kassab, pesquisas de intenção de voto e de rejeição indicariam que o senador do PL teria dificuldades para vencer Lula em um eventual segundo turno. O dirigente também afirmou que a chamada neutralidade de partidos do Centrão favoreceria o presidente da República.
“Lula quer Flávio Bolsonaro, pois é vitória certa do PT”, afirmou Kassab na nota, ao justificar sua avaliação sobre o cenário eleitoral.
A fala, porém, precisa ser analisada dentro do contexto da disputa. Kassab é, ao mesmo tempo, presidente nacional do PSD e integrante da chapa presidencial que tenta se apresentar como alternativa à polarização entre Lula e o bolsonarismo. Portanto, sua avaliação sobre os adversários também está inserida na estratégia política de fortalecimento da candidatura de Caiado.
Pesquisas não sustentam cenário de “vitória certa”
Um dos pontos que chamam atenção na declaração de Kassab é a distância entre a afirmação de que Flávio teria “chance zero” e os números mais recentes das pesquisas eleitorais.
Levantamento da Quaest divulgado na sexta-feira (14), por exemplo, mostra Lula com 43% das intenções de voto contra 40% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. A diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos, configurando empate técnico. No primeiro turno, Lula aparece com 38%, enquanto Flávio registra 31%.
Os números, portanto, indicam vantagem numérica de Lula, mas não permitem afirmar, neste momento, que uma eventual vitória do petista seria “certa”. A própria dinâmica de uma campanha presidencial pode alterar intenções de voto, principalmente a partir do início da propaganda eleitoral, marcado para este domingo (16).
A avaliação de Kassab também contrasta com a leitura de que a disputa ainda está aberta. A pesquisa mais recente aponta que a diferença entre Lula e Flávio no segundo turno diminuiu em relação ao levantamento anterior da Quaest, embora o presidente continue numericamente à frente.
Kassab aposta todas as fichas em Caiado
Ao defender sua posição, Kassab sustenta que Ronaldo Caiado seria o nome da oposição com melhores condições para derrotar Lula. O presidente do PSD afirmou que o partido acertou ao lançar candidatura própria e destacou o histórico de oposição de Caiado ao PT.
A estratégia do PSD é ocupar um espaço político entre o governo Lula e o bolsonarismo, tentando apresentar Caiado como uma alternativa de centro-direita. A chapa formada por Caiado e Kassab é integralmente composta por integrantes do PSD, o que permite ao partido controlar diretamente os dois principais postos da candidatura.
A aposta, entretanto, enfrenta o desafio de transformar a candidatura própria em uma opção competitiva nacionalmente. Nas pesquisas mais recentes, Caiado aparece distante dos dois primeiros colocados no primeiro turno. Na Quaest divulgada em 14 de agosto, o presidente Lula registrou 44% contra 37% de Caiado no segundo turno.
A disputa pelo eleitor de direita
A declaração de Kassab também evidencia uma das principais disputas desta eleição: o eleitorado de direita e centro-direita que se opõe ao governo Lula.
Flávio Bolsonaro parte como um dos principais nomes desse campo político, enquanto Caiado tenta conquistar parcela desse eleitorado sem reproduzir integralmente a estratégia do bolsonarismo. A disputa pelo mesmo espaço político pode levar os candidatos a intensificar críticas uns aos outros à medida que a campanha avançar.
Nesse cenário, a afirmação de Kassab pode ser interpretada não apenas como uma análise eleitoral, mas também como uma tentativa de convencer o eleitorado de oposição de que votar em Caiado seria o caminho mais seguro para chegar a um eventual segundo turno e enfrentar Lula.
Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/
Da Redação do Agenda Capital





