Presidente do PSD afirma que o Planalto já procurou a legenda e admite uma relação “mais profunda”.
Por Delmo Menezes
A possibilidade de o PSD, presidido por Gilberto Kassab, ampliar sua participação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou força após a vitória petista nas eleições de 2026. O dirigente afirmou que o Planalto já procurou o partido e não descartou assumir novamente um ministério no quarto mandato presidencial.
Em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste sábado (31), Kassab afirmou que a relação entre o PSD e o governo poderá ser “mais profunda”, desde que o presidente Lula sinalize maior abertura ao centro político e adote medidas voltadas ao equilíbrio fiscal.
“Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, declarou o presidente do PSD, ao indicar que a aproximação não depende apenas da distribuição de cargos, mas também da condução da política econômica.
Questionado sobre a possibilidade de integrar pessoalmente o novo governo, Kassab afirmou que a hipótese não está em seus planos imediatos, mas deixou a porta aberta.
“Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez”, afirmou.
Lula busca novo modelo de governabilidade
A aproximação com o PSD ocorre em meio à avaliação de aliados do presidente de que o modelo de articulação política adotado no terceiro mandato se esgotou e não produziu os resultados esperados.
Segundo informações do Estadão/Broadcast, interlocutores de Lula defendem que o presidente amplie o espaço das cúpulas partidárias nas negociações com o governo, reduzindo a influência de grupos específicos das bancadas na indicação de cargos.
A avaliação é de que a distribuição de ministérios a partir de indicações isoladas de deputados e senadores não garantiu o compromisso das legendas com a agenda do Executivo no Congresso Nacional.
A proposta é fortalecer os presidentes nacionais dos partidos e estabelecer compromissos mais claros de governabilidade. Lula deverá discutir o tema com lideranças das principais legendas a partir da próxima semana.
Nesse cenário, o PSD aparece como uma das siglas consideradas estratégicas para a reconstrução da base governista.
PSD ficou distante do bolsonarismo
A posição de Kassab no segundo turno presidencial é apontada como um dos fatores que podem favorecer a aproximação com o governo petista.
Embora o PSD tenha lançado Ronaldo Caiado à Presidência da República, a legenda manteve neutralidade no segundo turno, enquanto partidos do Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
Kassab também não fez manifestação pública de apoio ao candidato da direita e, após a vitória de Lula, parabenizou o presidente e sinalizou disposição para colaborar com pautas voltadas ao equilíbrio da economia.
O dirigente ainda enfrenta dificuldades políticas em São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) articulou a saída do vice-governador Felício Ramuth do PSD para o MDB. Kassab pretendia manter a posição de vice e, posteriormente, disputar o governo paulista em 2030.
O afastamento de setores do bolsonarismo e as dificuldades em São Paulo reforçaram, entre aliados de Lula, a avaliação de que o PSD pode desempenhar papel relevante na sustentação política do novo governo.
Participação no governo não significa submissão
Apesar da disposição para aprofundar o diálogo, Kassab tem ressaltado que a participação do PSD no Executivo não deverá significar alinhamento automático às decisões do Planalto.
Na avaliação do dirigente, o partido deve manter independência e permitir que seus parlamentares votem de acordo com suas convicções, apoiando propostas consideradas positivas e divergindo das que julgar inadequadas.
O PSD já participou do terceiro governo Lula, com integrantes à frente dos ministérios da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca. A legenda, contudo, não se declarou formalmente integrante da base governista.
Em declaração anterior, Kassab afirmou que o partido permitirá que seus filiados integrem o novo governo, mas sem abrir mão da autonomia política.
A eventual ampliação do espaço da legenda na Esplanada dos Ministérios dependerá, portanto, das negociações entre o Planalto e a direção nacional do PSD.
Economia será condição para aproximação
Kassab também defendeu que Lula combine a manutenção dos compromissos sociais com uma política econômica capaz de transmitir segurança ao mercado e garantir equilíbrio fiscal.
O presidente do PSD citou os ex-ministros Antonio Palocci e Henrique Meirelles como referências de condução econômica que, em sua avaliação, poderiam contribuir para dar maior tranquilidade ao país.
O dirigente também alertou para a permanência da polarização política e afirmou que os partidos precisam endurecer o discurso contra a corrupção.
A aproximação entre Lula e Kassab poderá representar uma mudança importante na configuração da base governista. Ainda não há anúncio oficial de novos ministérios destinados ao PSD nem definição sobre eventual participação pessoal do dirigente na equipe presidencial.
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Da Redação do Agenda Capital








